Como pessoas que não trabalham no Corinthians elaboraram e podem até concluir nesta semana 'plano Drogba'

- Eu ouço informações e pergunto para o presidente quem está falando por nós. Quem é que está respondendo pelos valores?

O questionamento de Flávio Adauto durante entrevista à Rádio Jovem Pan diz respeito à negociação entre Corinthians e o atacante marfinense Didier Drogba, de 38 anos. Adauto é diretor de futebol do Corinthians há quase três meses, e teoricamente um dos principais responsáveis pelas transações de jogadores envolvendo o clube. Das conversas com aquele que seria a maior contratação de um clube brasileiro em 2017, porém, o diretor do Timão não participa. Nem o gerente e nem o presidente.

Isto porque o "plano Drogba" foi elaborado, conduzido e pode ser definido neste início de semana por pessoas que não trabalham no Corinthians e, também teoricamente, não têm qualquer poder de decisão em relação às contratações do clube.

De Vampeta a André Campoy - Ex-jogador do Corinthians e atual presidente do Osasco Audax e comentarista de rádio, Vampeta foi a primeira pessoa ligada ao Timão a cogitar o nome de Didier Drogba. Durante uma transmissão esportiva, o pentacampeão discutiu com outros jornalistas sobre os jogadores de renome internacional que atuavam na MLS, o campeonato norte-americana de futebol. Drogba, então no Montreal Impact (CAN) era só o 12º jogador mais bem pago da liga. "O Drogba só ganha isso?", surpreendeu-se Vampeta. A conclusão geral foi de que o astro marfinense recebia um salário que um grande clube brasileiro poderia pagar.

Vampeta é amigo pessoal do empresário André Campoy, que é ex-conselheiro do Corinthians e ligado a diversas pessoas que ainda participam da política no clube. Campoy tinha a ideia de indicar um jogador à diretoria, alguém de renome, que pudesse "dar uma agitada no mercado", como ocorreu com o Ronaldo Fenômeno em 2008 - dirigentes do clube ouvem indicações, sugestões e pedidos diariamente no Parque São Jorge. Em uma conversa informal, Vampeta lembrou do nome de Drogba, daquela história que ele não ganhava muito, e passou a Campoy.

De André Campoy a Andrés Sanchez e, enfim, ao Corinthians - Animado com a perspectiva relacionada ao nome de Drogba, André Campoy iniciou contatos. Ele buscou os representantes do marfinense para descobrir as condições do negócio e, especialmente, o ex-presidente Andrés Sanchez, ainda muito influente no dia a dia do Parque São Jorge. A sugestão foi bem aceita e o ex-presidente levou o caso em frente, abrindo conversas com Eduardo Ferreira, que naquela ocasião ainda trabalhava como diretor-adjunto de futebol do Corinthians.

Baseado nas informações de Campoy, Ferreira se animou com a possibilidade de contratação de Drogba e trabalhou o nome nos bastidores. Um forte apoiador da iniciativa foi Gustavo Herbetta, então superintendente de marketing do Corinthians, e que passou a buscar parcerias e planejar ações de marketing relacionadas ao jogador - a ideia era que o recurso obtido com este tipo de mobilização ajudasse a pagar os salários do marfinense. As movimentações de bastidores de Ferreira e Herbetta representaram o único momento em que pessoas contratadas pelo Corinthians discutiram a situação de Drogba.

De volta aos bastidores - Eduardo Ferreira pediu demissão do Corinthians em 14 de outubro e Gustavo Herbetta em 8 de janeiro, por razões distintas. Naquele momento, porém, as conversas com Drogba já haviam tido avanços: por meio de um representante, o jogador fez exigências financeiras e contratuais para aceitar jogar no Corinthians. As condições foram repassadas pelo empresário André Campoy à diretoria do clube, então já comandada por Flávio Adauto, Alessandro Nunes e o presidente Roberto de Andrade.

É isso que explica a oposição de Adauto ao negócio, que não foi conduzido por ele em nenhum momento. Em entrevista ao jornal "Estado de São Paulo", o diretor chegou a dizer que "o departamento de futebol não entrou nessa história", "não aprova essa intenção" e que "o caso não irá prosperar". O presidente Roberto de Andrade, porém, se animou ao notar que o Corinthians conseguiria corresponder a todas as exigências de Drogba, convenceu o departamento de futebol e assinou um documento oficial de vínculo.

Do Brasil à Europa - Apesar da saída do Corinthians, Gustavo Herbetta manteve conversas com os profissionais do clube sobre o "projeto Drogba". Por isso, ele foi escolhido para viajar à Europa como um emissário do Corinthians. Segundo André Campoy, que fez a ponte com os representantes de Drogba no primeiro momento, Herbetta levou uma camisa de número 11 na bagagem, além de vídeos da torcida do Corinthians e outros artifícios que pudessem convencer o marfinense a jogar no Brasil.

Na Europa, um representante que não trabalha no Corinthians está negociando condições contratuais com o empresário de Drogba, que pouco sabe sobre as conversas e deve tomar conhecimento dos detalhes apenas neste início de semana, quando enfim as negociações deverão ser encerradas.

Para bem ou para mal.

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