Palmeiras reduz lesões em quase 60% e tem estrutura 'dos sonhos' para 2017

O Palmeiras acaba de demitir os médicos Rubens Sampaio, Vinicius Martins e Otávio Vilhena e os fisioterapeutas José Rosan e José Eduardo Arruda, dando sequência ao processo de reformulação do departamento. Mas isso não quer dizer que os resultados de 2016 tenham sido ruins. Pelo contrário: os números são considerados muito bons e a expectativa para 2017 é ainda mais positiva.

Em 2015, ano em que o clube deu início ao grande investimento em profissionais e equipamentos para otimizar a prevenção e o tratamento de problemas físicos, foram 36 lesões musculares. A meta era reduzir para 22 ou no máximo 24 lesões musculares em 2016, mas o ano terminou com apenas 15. Uma redução de 58,3%.

O número de lesões não musculares, que são os traumas por pancadas, entorses ou problemas de joelho, também caiu. Foram 19 em 2015 e apenas nove no ano passado.

"Em 2015 nós tivemos que justificar várias vezes o motivo de tantas lesões, porque foi uma quantidade alta. Ainda dentro dos padrões, mas alta. A gente trabalha com números da Uefa como referência e estávamos dentro dos padrões, mas com quantidade alta de lesões. Em 2016, já tínhamos conhecimento dos atletas, conseguimos fazer uma avaliação pré-temporada muito eficiente e completa, em que levantamos os principais fatores de risco e conseguimos intervir nesses fatores. E o fundamental disso tudo é o treinador. O Cuca entendeu o processo preventivo, a quantificação da carga de trabalho. Ele usou todas as ferramentas e profissionais que tinha à disposição. O principal é a quantificação de carga de treinamento. Às vezes o departamento sugeria poupar um ou outro, diminuir a carga de um, e ele recebeu isso muito bem", disse o coordenador do departamento de fisioterapia do Palmeiras, Jomar Ottoni, contratado do Cruzeiro em 2015.

Um dos fatores decisivos para o menor número de lesões, na visão dos profissionais do clube, foi a troca dos gramados da Academia de Futebol. Um dos três campos do CT estava com o piso em condições tão inadequadas que era considerado o grande "vilão" nos casos de lesão que aconteciam em treinos.

O Palmeiras não divulga uma nova meta para 2017, mas Jomar Ottoni admite que repetir os números de 2016 já significaria um ótimo resultado. Só que o novo centro de excelência, que está sendo inaugurado nesta pré-temporada, faz os profissionais do clube acreditarem que ainda é possível melhorar.

"Claro que a gente sempre pensa em melhorar. O número é complicado de conseguir melhorar, porque foram poucas lesões musculares, poucas mesmo. Se conseguirmos a manutenção deste número, já estaremos satisfeitos. Nós vamos ter uma estrutura de ponta, todos os recursos, o que há de mais moderno no mundo em várias áreas, fisiologia, fisioterapia, preparação física. Temos de fazer jus a isso. A metodologia utilizada nós já vimos que funcionou, então a tendência é a manutenção", explica ele.

O novo centro de excelência já está em funcionamento e ainda receberá equipamentos de última geração, como uma esteira antigravitacional desenvolvida pela Nasa, que permitirá que os jogadores façam exercícios físicos de alta intensidade com muito menos impacto. Isso vai ajudar, por exemplo, a acelerar a recuperação de um atleta que sofreu uma entorse no tornozelo.

Dois casos são citados por Jomar como exemplos da rápida recuperação dos atletas em 2016. O meia Moisés sofreu uma grave lesão no pé esquerdo em 16 de fevereiro e tinha seu retorno aos treinos previsto para 14 de junho, mas conseguiu ir a campo já em 27 de abril. O volante Gabriel, que sofreu grave lesão no tendão do adutor da coxa direita em 16 de maio, voltou a treinar em 13 de junho. A previsão era de que isso acontecesse em 16 de agosto.

Na entrevista abaixo, o fisioterapeuta do Palmeiras explica como foi o processo de montagem deste novo centro e fala dos bons resultados em prevenção e recuperação de lesões.

Qual é o balanço do número de lesões de 2016?

Jomar Ottoni: O balanço é muito positivo. Conseguimos acima da expectativa, não só pela redução do número de lesões musculares, que são as que a gente consegue intervir de maneira mais preventiva, mas também por qualificar as recuperações, que em 2015 já haviam sido boas. Em 2016, conseguimos diminuir ainda mais o tempo médio do atleta no departamento médico. Aí vem todo um círculo virtuoso: menos tempo do atleta lá dentro, mais tempo dentro do campo, o treinador com mais opções para montar o time, vitórias... Saímos daquele círculo vicioso e entramos no virtuoso. Estamos muito satisfeitos e orgulhosos com esse trabalho.

O que podemos esperar de novidades em termos de equipamentos no novo centro de excelência?

Tem a esteira antigravitacional, que é desenvolvida pela Nasa e reduz o peso corporal do atleta em até 80%. Imagina um atleta com uma entorse no tornozelo, que não aguenta muito impacto. Ele vai poder fazer a manutenção física dele na esteira. Ele fica menos tempo parado deitado na maca. E outros equipamentos também, a gente vai ter todo o tipo de estímulo muscular que se pode dar, elétrico, mecânico, elástico, com carga alta, carga baixa, carga controlada, com equipamentos que vão mostrar a função do músculo em tempo real para a gente conseguir corrigir padrões de movimento. É dos sonhos. O presidente Paulo Nobre nos brindou com esse centro de excelência. Não existe nada no mundo com a ideia que foi conceituada ali, de compactação, você está a 30 passos de qualquer área, da piscina para o quarto, para a fisioterapia, para a musculação, para o centro de lazer. É um espetáculo.

Vocês se inspiraram em algum outro centro?

Isso aqui é uma grande miscelânea. Tem conceitos que trouxemos do Aspire, que é o grande centro de desenvolvimento de atletas do mundo, no Catar, considerado por todos assim. Tem muitas ideias de lá. Tem ideias que trouxemos do Crystal Palace, que tem um centro de performance interessante, tem ideia que veio do Borussia, tem ideia do Dallas, time de futebol americano que é carro-chefe em recovery no mundo. Tem vários conceitos. Procuramos pegar o que havia de melhor e que fosse possível de aplicar no Brasil. Estamos extremamente completos e satisfeitos.

Os profissionais do Palmeiras viajaram para observar estes conceitos?

Tem profissionais aqui que já tiveram experiências nesses locais. Eu já estive em alguns desses lugares, o Altamiro (Bottino, coordenador científico), que é o grande idealizador do conceito, conhecia outros. Hoje em dia com o mundo virtual está muito fácil você ter entrada nesses lugares. Você consegue ver a estrutura do local e copiar o que há de melhor. E tem coisas aí também que ninguém tem, que nós estamos lançando. Em breve, quem sabe, vão copiar a gente (risos).

Investir em estrutura e em profissionais, como o Palmeiras vem fazendo, equivale a contratar um reforço?

O impacto financeiro é muito alto. Se você parar para pensar que a gente conseguiu reduzir o tempo que o jogador fica lesionado, e transformar isso em dinheiro, pegando o salário diário do jogador, se você conseguir devolvê-lo cinco dias antes, quando você pega o somatório justifica o investimento. Acho difícil comparar com um jogador, mas é fácil comprovar que o investimento vale a pena, que você vai colher frutos se investir em recursos humanos e estrutura. Aí quem sabe sobra mais dinheiro para contratar mais jogadores.

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