Rafael Henzel: 'As lágrimas vão cair, mas serão lágrimas de renovação'

O que esperar de um jogo como este? O que esperar de uma volta? O que esperar de um time completamente novo? No dia 27 de novembro, eu narrava o último jogo da Chapecoense na temporada passada. Eu narrava a última presença daqueles jogadores no plano terreno. Narrei o jogo em que perdemos para o Palmeiras. Vimos uma grande comemoração e falei na transmissão que na quarta-feira nós é que começaríamos a comemorar. Mas, no caminho, uma página triste da história do futebol mundial foi escrita.

E o que teremos que fazer agora? É renascer. Renascer nas transmissões, renascer no futebol, renascer no moral de uma cidade que foi atingida tragicamente. Para grandes times do futebol, de repente a Copa Sul-Americana poderia não ser tão importante, mas essa era a nossa Copa do Mundo. Os nossos jogadores eram os jogadores da nossa seleção. E que eles possam inspirar aqueles que chegam, que eles possam nos inspirar também, pois a Chapecoense vai renascer, a Chapecoense vai crescer novamente, a Chapecoense vai se reerguer.

As lágrimas vão brotar, o nó na garganta virá, mas o torcedor terá que ser forte, assim como nós tentaremos ser, por que a imagem será forte, e a lembrança também. E a tristeza também. Porém, o mais importante quando a bola rolar, em que pese as lágrimas escorrendo pelos nossos rostos, é saber que o início de um novo capítulo vai se escrever em Chapecó. O capítulo que passou não será esquecido, ele será guardado para quando quisermos ler novamente, mas temos que escrever um novo capítulo. As lágrimas vão cair no papel com relação dos jogadores, mas essas lágrimas serão de renovação, de tristeza pelos que se foram, mas de alegria por novamente tudo começar de novo.

Não poderia ser um jogo mais simbólico. Chapecoense x Palmeiras foi o último jogo que narrei e será o primeiro jogo da minha nova vida. E será o primeiro jogo da nova vida da Associação Chapecoense de Futebol. Que possamos neste sábado dar as mãos todos que sentiram a tragédia e juntos, um consolando o outro, um vibrando com o outro, começar a escrever um novo capítulo. Eu sei que vai ser difícil, mas é o que eu espero para 2017. As lágrimas de tristeza serão substituídas pelas da esperança e do renascimento da nossa Chapecoense.

* Rafael Henzel, que escreveu esta crônica a convite do LANCE!, é narrador da Rádio Oeste Capital, de Chapecó (SC). Ele foi o único jornalista sobrevivente na queda do avião da Chapecoense. Haviam mais 20 jornalistas no voo, todos brasileiros. Henzel tem 43 anos e voltará a narrar um jogo neste sábado, estando presente na Arena Condá para Chapecoense x Palmeiras.

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