Ao LANCE!, Vagner Mancini admite: 'É o maior desafio da minha carreira'

Um dos responsáveis pela reconstrução da Chapecoense após o trágico acidente aéreo do último dia 29 de novembro, que deixou 71 mortos, o técnico Vagner Mancini bateu um papo com o LANCE! e cravou: é o maior desafio de sua carreira.

- Sem dúvidas, é o maior desafio da minha carreira. Não só o meu, mas como seria o de qualquer treinador nesta situação, pois não é um time com jogadores que eu tenho que colocar para treinar. É toda uma reconstrução. Tenho que ser um pouco executivo também - contou Mancini.

Desafio que começou no início de dezembro, quando ele aceitou o convite da diretoria para assumir o time. E como o próprio treinador disse, é mais do que colocar um grupo com cerca de 35 homens para treinar. É necessário deixá-los prontos psicologicamente.

Alguns assumem a vaga de ídolos falecidos na tragédia. Outros chegam com os holofotes da mídia, algo inédito para boa parte. Seja qual for o 'desafio psicológico' de cada um, a missão começa neste sábado, às 16h30, na Arena Condá.

O adversário é justamente o mesmo da última partida oficial: o Palmeiras, que acabou se consagrando e eternizando ainda mais a partida que foi realizada dois dias antes da tragédia.

Desta vez, o confronto é amistoso e ainda não se sabe o placar final, mas todos têm a certeza de que a Chapecoense será a grande vencedora, pois dará ao mundo uma aula de superação. Veículos de comunicação de dez países terão a grade na TV alterada em função do jogo.

Eis a pergunta: é só um amistoso mesmo? Ainda falando em mundo, a Chape poderá conquistá-lo no final do ano, caso vença a Libertadores, competição em que debuta neste ano. De acordo com Mancini, a equipe está preparada.

- Nós temos mantido contato com um olheiro na Venezuela, que está lá para observar o Zulia, o nosso adversário mais desconhecido e que ainda está passando por uma descaracterização. Já os outros dois adversários, não. Nós já temos mais informações, dá para acompanhar os jogos daqui e não mudaram muito - comentou Vagner.

Mas a Libertadores é apenas uma das sete competições que o Verdão do Oeste, brasileiro que mais entrará em campo neste ano, disputará nesta temporada. O número de jogos flutua entre 72 e 93. As outras competições são o Brasileirão, o Catarinense, a Primeira Liga, a Recopa, a Copa Suruga e a Copa do Brasil. Isso sem contar um amistoso de luxo contra o Barcelona, na Espanha, pelo troféu Juan Gamper. Segundo Mancini, os "olheiros" também estão presentes nos demais torneios.

- Mas assim como nós temos uma pessoa captando informações dos times da Libertadores, temos outra para captar informações dos adversários da Primeira Liga e do Estadual, que também são objetivos nossos no primeiro semestre - completou o treinador, que estreará 'para valer' no próximo dia 26, quando o clube encara o Joinville, na Arena Condá, às 21h30, pela 1° rodada da Primeira Liga.

Feito inédito não é novidade na carreira de Mancini. Em 2005, ele conduziu o modesto Paulista de Jundiaí ao título da Copa do Brasil, logo em seus primeiros passos na profissão. De quebra, o time conquistou uma vaga na Libertadores do ano seguinte, mas o sucesso não foi o mesmo. Este ano, porém, ele garante: está mais maduro.

- Desde 2005 até hoje já se passaram 12 anos. Obviamente que eu mudei alguma coisa, mas para melhor. Naquela época eu tinha acabado de deixar a carreira de jogador e estava começando na carreira de treinador. Acho que estou mais maduro desde então - resumiu.

Tal amadurecimento serviu para lhe deixar mais convicto do estilo de jogo que quer passar aos comandados. Mas, é claro, sempre atento às novas formas de jogar futebol.

- O meu estilo e a minha essência continuam os mesmos, que é o de jogar para frente, no campo do adversário, como é o futebol brasileiro. Busco estar atento às novas tendências, ao que chamam de futebol moderno. Não para mudar o meu estilo sem aperfeiçoar. Quero novos conhecimentos para que a sabedoria aumente, mas minha essência é a mesma - finalizou.

Novos jogadores

Ao longo desses quase dois meses, a Chape acertou com 23 jogadores. A conta inclui três atletas cedidos pelo próprio Palmeiras: o lateral-esquerdo João Pedro, o zagueiro Nathan e o volante Amaral. E outros nomes mais conhecidos do torcedor, como os atacantes Wellington Paulista, que rodou pelos grandes do Brasil, e Arthur, que em 2014 defendeu o Fla e ano passado esteve no Santa Cruz.

Os volantes Luiz Antonio, Dodô e Moisés Gaúcho, emprestados por Flamengo, Atlético-MG e Grêmio, respectivamente, também são rostos conhecidos. O lateral-esquerdo Diego Renan, ex-Cruzeiro e Vasco e que se destacou pelo Vitória no ano passado, é outro veterano que acertou com a Chape.

Também há dois reforços de fora do Brasil. O goleiro Artur Moraes, ex-Benfica e Roma, chega para disputar posição com Elias, de apenas 21 anos, que brilhou no Juventude em 2016. O outro é o lateral-direito Zeballos, que vem do Defensor-URU. Outro gringo - mas que já estava no time - é o meia argentino Martinuccio, de 29 anos. Ex-Flu, Cruzeiro e Villareal-ESP, ele não embarcou no voo da LaMia, contundido.

O bom filho a casa torna...

O zagueiro Douglas Grolli, que pertence ao Cruzeiro, deu os primeiros chutes profissionais como jogador do Verdão do Oeste. Agora, volta para a terceira passagem no time. Caso semelhante vive o atacante Túlio de Melo, que em 2015 já tinha defendido o clube.

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