Dorival desvenda possíveis formações do Santos e explica mudanças

  • Ivan Storti/Santos FC

Não houve uma semana sequer durante a janela de transferências em que uma nova escalação do Santos não fosse compartilhada em alguma rede social. A cada notícia de uma nova contratação, surgia uma possibilidade, fosse em um fórum no Facebook ou na prancheta de Dorival Júnior, que passava férias em Santa Catarina.

16 dias após retornar ao CT Rei Pelé, o treinador do Peixe ainda não pode utilizar os seis reforços contratados devido às restrições físicas. Mas nem por isso Dorival deixa de compartilhar com os santistas os inúmeros planos que tem para formar o Alvinegro ao longo da temporada.

Antecipadamente, o técnico avisa: algumas coisas podem mudar no time, mas não antes de melhorar o que já vinha sendo feito, como a marcação e as altas linhas de marcação. Mas o que mais possibilita as diversas formações são as várias funções que cada jogador pode desempenhar.

A começar pela defesa. O recém-contratado Matheus Ribeiro, além de ser ambidestro, pode jogar no meio de campo ou aberto pelos lados. Leandro Donizete, que se consagrou como volante de marcação no Atlético-MG, pode aparecer mais avançado na Vila Belmiro, como era quando conheceu Dorival, na Ferroviária de Araraquara.

"Se tiver Thiago e Donizete no campo do adversário, vou ter agressividade de combate. São opções que estamos trabalhando para ver se futuramente vamos usar. Não é só ter a posse de bola, são os movimentos certos, buscar as penetrações. O Matheus Ribeiro faz isso muito bem. Pode ser que ele entre (no meio). Como fez o Cittadini. Não vejo problema", explica Dorival Júnior em entrevista ao LANCE!, enquanto executa a ideia em uma prancheta com peças que simulam as ações dos jogadores.

Da mesma forma como Dorival quer que o Santos seja em 2017, vamos direto ao ponto. Com tantas peças em mãos, como o time vai jogar? Com a mesma formação. O que o treinador quer mudar, ou melhor, melhorar, é a intensidade para que a equipe permaneça no campo do adversário pelo máximo de tempo possível.

"Queremos melhorar a intensidade do ano anterior. Já vimos isso nos treinamentos. Não vamos mudar muita coisa. Estamos tentando aprimorar. Por exemplo: sistema defensivo. Vai existir uma compactação natural. Ao mesmo tempo que está pronto para defender com linhas próximas, está pronto para atacar. Estamos tentando essa compactação maior. Perdeu a bola, permanece, marca por dentro e toca".

No primeiro teste do Peixe no ano, no jogo treino contra o Nacional-SP em que o técnico testou três escalações com 33 jogadores, o time venceu por 9 a 1 com gols em três tempos de 45 minutos. O que alegrou o comandante foi justamente o fato de quatro destes terem saído após roubadas de bola no campo de ataque.

" Número de gol foi o que menos importou", completa, satisfeito em ter visto o plano executado, mesmo que em um jogo-treino contra uma equipe da Terceira Divisão paulista.

Por falar em linha de marcação alta, Dorival não esconde que tem o Bayern de Munique, da Alemanha, antes treinado por Guardiola, como exemplo. Enquanto o time alemão mantém os defensores durante maior parte do tempo no meio de campo, a defesa do Alvinegro consegue manter os zagueiros próximos do circulo central.

Em outro comparativo com o clube de Robben, Ribery e companhia, o Santos manteve uma média de 1138 ações por partida em 2016, enquanto o clube da Baviera, 1430. A média da posse de bola na Vila Belmiro chegou em 70%, enquanto na Allianz Arena de Munique, 78%.

Uma outra mudança deve ocorrer em relação a Lucas Lima. O camisa 10 ganhará uma nova função, praticamente uma ordem a ser cumprida: jogar mais próximo da área, de Ricardo Oliveira, e principalmente chutar para o gol. Para isso acontecer, o meia terá que deixar de buscar a bola, contar com uma saída de bola mais eficiente e com alas mais presentes no campo de ataque.

"Não quero que ele venha buscar a bola para começar a jogada. Ele tem uma capacidade do c... de pegar a bola, girar e entrar na área. Ele pode dar piques de 15 metros. Para que dar de 50? Se a bola for rebatida, quero ele perto da área. Senão, corremos em direção ao nosso próprio gol". 

Por fim, a ideia de jogo mais discutida entre torcedores e até dirigentes no CT Rei Pelé: o 5-3-2. É possível jogar com uma linha de cinco?

"Dificilmente vou tirar o Renato da frente da zaga. Em uma eventualidade, necessidade, tendo que mudar o jogo, ganhar um pouco mais de qualidade. O que queremos com isso é ter um homem por fora. Essa marcação é a maior correção que espero", disse Dorival.

"É um esquema ousado (na Inglaterra, feito pelo Chelsea), mas acho que seria mais ousado fazer no Brasileiro. Aqui se conta muito com improviso. A Premier League tem os melhores do mundo, mas o futebol brasileiro tem dinamismo muito grande. O zagueiro brasileiro, se apertado, vai dar um toque e jogar para frente. Futebol inglês, não. Se estiver apertado, vai tocar, jogar no goleiro. Pode ser o Chelsea ou o Swansea. Com isso, a marcação se restabelece. Eles não quebram a bola. Por isso com essa marcação se corre mais riscos aqui".

Se vai dar certo ou não, nem Dorival sabe, mas satisfação com o novo elenco, isso o treinador do Santos já tem.

"Estou ganhando boas opções. Lógico que tenho que esperar para ver o rendimento. Jogador não tem certificado de garantia. Acontece com qualquer nível de jogador. Eles vão se confirmar como reforços quando começarem a produzir. Tenho um elenco melhorado na teoria, na prática, espero a confirmação. Se isso acontecer, o Santos vai estar muito mais forte".

 

 

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