Tailândia entra em cena e surge como destino para brasileiros na Ásia

Conhecida por belas praias e cenários encantadores, a Tailândia também se mostra, a cada ano, um destino atrativo para os jogadores de futebol. Ao todo, são 25 brasileiros que atuam na Primeira Divisão do país, superando a vizinha China, que desembolsa rios de dinheiro em contratações e conta com 21 brazucas. Na Ásia, quem domina neste quesito é o Japão, com 38.

O futebol nipônico ainda guarda resquícios das décadas de 90 e 2000, quando os times locais investiam maciçamente na contratação de brasileiros, inspirados em bons exemplos como Zico, Alcindo e Bismarck. Agora, na Tailândia, não são apenas jogadores que chegam para brilhar em campo. Três equipes têm treinadores tupiniquins: Alexandre Pölking (Bangkok United), Alexandre Gama (Chiangrai United) e Sérgio Farias (Suphanburi), além de membros da comissão técnica.

É o caso do preparador físico Anderson Nicolau, do Chiangrai United. É a sua segunda passagem pelo futebol do país, após fazer parte da equipe do Buriram em 2015 e 2016. Ele admite que a temporada tem tudo para ser uma das melhores dos últimos anos.

- Passei dois anos no Buriram e foi um período muito bom. O que eu vejo de diferença nesta temporada é que vai ser um campeonato ainda mais forte, já que as equipes se estruturaram mais, no aspecto de construção de novos estádios e centros de treinamentos, e também no investimento de jogadores. O Chiangrai United, que eu trabalho hoje, foi ao Brasil e buscou atletas da Primeira e da Segunda divisões. Jogadores ainda com mercado muito grande a ser explorado no Brasil, mas que decidiram vir ao mercado tailandês - disse o preparador físico.

Neste fim de semana, terá início o Campeonato Tailandês, com nove jogos. O Buriram, atual tricampeão, é o favorito. O principal nome da equipe é o brasileiro Diogo, que já atuou por Flamengo, Palmeiras e Santos. O atacante revelou que a pressão por resultados é grande no time.

- Aqui tem pressão, sim. Nosso presidente está no clube todos os dias, em todos os treinamentos, é muito difícil ele se ausentar de algum. Então já é uma forma de pressão. E como desde quando ele assumiu o time as conquistas aconteceram e o Buriram sempre esteve brigando por títulos, tornando-se um time vencedor, quem chega tem que mostrar serviço - afirmou o atacante.

Quem vai debutar na Tailândia é o meia-atacante Vander, que tem passagens por Flamengo, Bahia e Vitória. Ele foi contratado nesta temporada pelo Chiangrai e não vê a hora de estrear.

- O futebol tailandês vem crescendo muito nos últimos anos. É só ver a quantidade de estrangeiros que estão chegando à Tailândia. É um país muito bonito, com um povo muito hospitaleiro. Estou feliz com tudo que vi no país. Ainda não vimos muita coisa, até porque a pré-temporada foi muito intensa, mas quero conhecer tudo quando sobrar um tempo - contou Vander.

VEJA AS ENTREVISTAS NA ÍNTEGRA

DIOGO - ATACANTE DO BURIRAM

Você está em sua terceira temporada no futebol da Tailândia. O que você percebe de evolução nestes três anos?

A evolução principal é que a cada ano eles se preocupam mais com o profissionalismo. Um dos aspectos que mostra isso é a preocupação em revelar jovens talentos pensando no futuro.

O Buriram, neste período, vem dominando o futebol no país. Qual é o segredo do time? Ele tem elenco e estrutura superiores aos dos demais?

Eu não conheço os detalhes da estrutura dos nossos rivais, mas o que posso dizer é que o Buriram tem uma estrutura muito boa, com dois centros de treinamento, um em Bangkok e outro na cidade de Buriram, um estádio moderno, e um elenco forte, com jogadores tailandeses de seleção, além dos estrangeiros. Aqui no clube eles investem bastante nas categorias de base, desde o Sub-13 até o Sub-20. Isso é bom, pois eles estão pensando no futuro.

Há, no Buriram, a pressão pela conquistas de mais títulos no país? O que a diretoria passa para vocês jogadores?

Aqui tem pressão, sim. Nosso presidente está no clube todos os dias, em todos os treinamentos, é muito difícil ele se ausentar de algum. Então já é uma forma de pressão. E como desde quando ele assumiu o time as conquistas aconteceram e o Buriram sempre esteve brigando por títulos, tornando-se um time vencedor, quem chega tem que mostrar serviço.

Você tem uma excelente média no futebol tailandês, com 61 gols em 72 partidas. A que se deve essa quantidade de gols?

Acho que me encaixei bem na forma de o time jogar. Também me adaptei rapidamente ao país e ao futebol local. Como já disse outras vezes, é claro que aqui não temos o mesmo nível do Campeonato Brasileiro, por exemplo, mas os jogos são bem competitivos e você precisa entender a forma que eles jogam.

A cada ano que passa, o futebol tailandês vem crescendo e atraindo os brasileiros. O que você avalia como principal atrativo do país? Acredita que, um dia, possa chegar ao patamar da China, com os times contratando grandes astros do futebol mundial?

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O grande atrativo da Tailândia é o povo, que é bem receptivo. O clima do país também é muito bom, eles abraçam os estrangeiros. É um povo muito feliz, muito brincalhão e se parece bastante com o povo brasileiro. Não morei na China, na Coreia ou no Japão, mas me parece que o povo daqui é um pouco mais liberal e divertido que nesses outros países, pelo menos pelo que eu converso com outros brasileiros que jogaram nesses outros países e estão aqui agora. Em relação ao nível das contratações do futebol chinês, não sei se pode chegar nesse patamar de investimento, mas que há muito investimento também aqui na Tailândia, isso é claro. A seleção tailandesa ainda briga para ir à Copa do Mundo, acredito que é difícil, mas com o tempo acho que pode chegar lá.

VANDER - MEIA-ATACANTE DO CHIANGRAI UNITED

Você chegou nesta temporada ao Chiangrai, da Tailândia. O que esperar desse primeiro ano no clube? A estreia será no domingo, contra o Osotspa. Como está a preparação para a partida?

Cheguei nesta temporada ao Chiangrai e estou muito feliz com o que vi até aqui. Fizemos uma boa pré-temporada, muito intensa. Nossa preparação foi a melhor possível em todos os sentidos. Estamos prontos para a nossa estreia oficial na temporada. Estou motivado e confiante para que este meu primeiro ano fora do Brasil seja perfeito.

O Buriram é tido como o time a ser batido nesta temporada após o tricampeonato nacional. Acredita que o Chiangrai ou outra equipe tem condição de desbancá-lo?

O Buriram é um grande clube, mas futebol é resolvido em campo. Nossa equipe está focada em fazer uma grande temporada e o objetivo é buscar o título nacional. Pelo elenco que temos, é possível e temos que acreditar nisso.

O que o atraiu a jogar no futebol tailandês? O que você pôde perceber nesse pouco tempo no país?

O futebol tailandês vem crescendo muito nos últimos anos. É só ver a quantidade de estrangeiros que estão chegando à Tailândia. É um país muito bonito, com um povo muito hospitaleiro. Estou feliz com tudo que vi no país. Ainda não vimos muita coisa, até porque a pré-temporada foi muito intensa, mas quero conhecer tudo quando sobrar um tempo.

O que você ouviu falar do futebol no país? Como avalia a estrutura e o elenco do Chiangrai?

Desde que chegou a proposta, procurei pesquisar bastante não só sobre o clube, mas também o país, os costumes, o povo. Fiquei impressionado com tudo que li e que estou vendo. O futebol vem crescendo muito nos últimos anos. O Chiangrai, por exemplo, tem uma estrutura muito boa, que dá condição ao atleta de desempenhar seu papel durante a temporada.

ANDERSON NICOLAU - PREPARADOR FÍSICO DO CHIANGRAI UNITED

É a sua segunda passagem pela Tailândia, depois de passar pelo Buriram em 2015 e 2016. O que você vê de diferença nestes anos no futebol do país?

Passei dois anos no Buriram e foi um período muito bom. O que eu vejo de diferença nesta temporada é que vai ser um campeonato ainda mais forte, já que as equipes se estruturaram mais, no aspecto de construção de novos estádios e centros de treinamentos e também no investimento de jogadores. O Chiangrai United, que eu trabalho hoje, foi ao Brasil e buscou atletas da Primeira e da Segunda Divisões. Jogadores ainda com mercado muito grande a ser explorado no Brasil, mas que decidiram vir ao mercado tailandês. Então as equipes estão se reforçando cada vez mais e há um envolvimento de todos os setores, da parte técnica, da federação, dos investidores e dos torcedores.

Você esteve no Buriram, que vem de um tricampeonato tailandês e domina o futebol no país. O que diferencia o Buriram dos demais times? No Chiangrai, o que lhe chamou a atenção para voltar ao país?

O Buriram viveu um período fantástico, quebrou o recorde de não perder uma única partida na Tailândia em toda a temporada de 2015. Fomos campeões do Campeonato Tailandês e das Copas (FA Cup e Copa da Liga Tailandesa) de forma invicta. Acho que a diferença do Buriram é que quando um profissional chega ao clube está tudo pronto para ele trabalhar, a estrutura é de primeiro mundo, tem uma base de jogadores identificados com o clube. Estava na última temporada na Arábia Saudita, junto com um grande treinador que é o Hélio dos Anjos e o que me chamou a atenção no Chiangrai United foi o convite do técnico Alexandre Gama, e pesou o fato de iniciarmos um projeto no clube. O Chiangrai é uma equipe que quer subir de patamar na Tailândia e na Ásia. Então, estamos participando de toda a construção disso. O Alexandre Gama na captação de jogadores tailandeses e estrangeiros, na construção do estádio, nos vestiários, enfim, tudo ele é consultado. E eu na parte física. O clube adquiriu novos equipamentos. É um projeto embrionário que estamos participando. Isso me chamou a atenção, além do fato de ser num centro que está crescendo. É um desafio enorme fazer uma campanha boa com o Chiangrai.

Você percebe o futebol tailandês em pleno crescimento e acredita que, um dia, pode se tornar o novo eldorado, como é a China atualmente?

Hoje o futebol tailandês está crescendo muito. No que se refere ao nível asiático, de jogadores, eu vejo os tailandeses à frente do nível dos jogadores chineses. Agora no que se refere ao aspecto financeiro, não. É muito difícil outro país pagar o que se paga na China atualmente. O futebol tailandês não caminha para isso. Ele caminha, sim, para bons salários, boa estrutura, nível de competição muito bom e plena evolução, tanto no aspecto técnico como no organizacional.

A Tailândia é o segundo país com mais brasileiros na Primeira Divisão na Ásia, mais até que a China. Qual principal motivo que atrai os brazucas para o país?

Eu acredito que esse crescimento se deve a alguns fatores. O primeiro é a vontade das pessoas que estão no futebol tailandês em contar com jogadores brasileiros. Isso se deve, em minha opinião, ao sucesso recente do Buriram. Aquilo que foi realizado lá, com os bons números do técnico Alexandre Gama e também do atacante Diogo, que hoje é o grande nome do futebol tailandês e um dos grandes nomes do futebol asiático, abriu o mercado. Todos os profissionais que saem do país têm uma responsabilidade grande. E como o Diogo foi muito bem, eles vão querer outros jogadores brasileiros. O Alexandre está indo bem, então novas comissões técnicas brasileiras poderão desembarcar aqui. Acho que isso é um fator que ajuda. Mas também tem o outro lado que é a qualidade de vida no país. A partir do momento que na Tailândia se paga um bom salário, se o jogador puder optar entre viver aqui ou em um país com uma cultura mais fechada, ele vai optar pela Tailândia, que é um país muito semelhante ao Brasil. Aqui você tem liberdade, é um dos países mais frequentados na Ásia em relação ao turismo etc. Então tudo isso conta para que novos brasileiros queiram atuar no futebol tailandês. E, claro, o crescimento do Campeonato Tailandês, que está a cada ano melhorando, é algo que desperta o interesse de outros jogadores.

A Tailândia também vem atraindo os treinadores brasileiros. Há menos pressão para trabalhar o time? A estrutura das equipes também favorece para dar condições aos técnicos e jogadores?

Não vejo dessa forma. Existe uma pressão muito grande aqui. Sempre há pressão em comissão técnica, ainda mais por sermos estrangeiros. O Alexandre Gama tem uma grande pressão, até pelo trabalho que fez no Buriram, as pessoas querem que ele faça um grande trabalho aqui no Chiangrai. É que infelizmente no Brasil a pressão é acima da média, anormal, não se pode comparar a nenhum outro lugar. Mas o grande lance aqui é que você consegue perceber que as pessoas têm um entendimento de até onde podem ir. Existem equipes que vão lutar para não cair, outras que vão lutar pelo título e aquelas que vão ficar na parte intermediária da tabela. Então as pessoas analisam com base em até onde cada equipe pode ir. Mas dizer que não tem pressão é mentira. Nós também colocamos nossa própria pressão. Não estamos aqui apenas pelo dinheiro. Queremos vencer, queremos mostrar que temos condições de fazer um grande trabalho. O Alexandre Gama se cobra muito e cobra muito de todos da comissão técnica para que não haja nenhum tipo de relaxamento. A estrutura das equipes na maior parte das vezes é boa. Há equipes que têm estrutura semelhante aos grandes clubes do futebol brasileiro e do mundo. O Buriram mesmo tem uma estrutura de primeiro mundo. O Muangthong, o Bangkok Glass e o Bangkok United têm estrutura pronta e não devem nada a nenhuma equipe em nível mundial. E o Chiangrai está caminhando para isso. Hoje nós temos um centro de treinamento muito bom, com aparelhos de última geração, tanto na área de treinamento quanto na área de recuperação pós-treinamento.

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