'Naufrágio de um Barcelona sem treinador'

O Barcelona caiu em Paris sem grandeza e sem desculpas. Foi uma queda alarmante, do primeiro ao último minuto. E o pior do naufrágio é que, mais que um acidente, se manifestou com uma acentuação de muitos problemas, alguns latentes e outros evidentes, que já tinham sido denunciados ao longo da temporada.

O Barça sangrou no Parque dos Príncipes principalmente pelo meio-campo, o mesmo local que o fez penar todo o ano, sofrido ontem (terça-feira) mais por Iniesta estar voltando de lesão, por Busquets estar perdido e André Gomes ter ficado à deriva e demonstrado que está totalmente despreparado para jogar no Barça, atualmente.

Com a sala de máquinas em colapso, a equipe blaugrana se transformou num artefato fantasmagórico, sem nenhum plano e na expectativa de invenções do trio MSN, que seria totalmente inofensivo se não fosse pelas tentativas isoladas de Neymar.

O Barça copiou outro defeito dos últimos meses, quando se acostumou com a genialidade de Messi. Contra o PSG, o argentino desapareceu, basicamente pelo meio desconectado, causando um isolamento tão angustiante como inevitável. Exceto Ter Stegen, que evitou que a equipe saísse com uma goleada maior na bagagem, ninguém se salvou atrás em uma partida que deixou diversos jogadores em péssima situação.

No entanto, o desastre real veio do banco, onde Unai Emery, ex-Sevilla, que só havia vencido uma partida nos últimos 23 jogos contra o Barcelona, deu um nó tático em Luis Enrique. A realidade da grande vitória do clube francês se deu pela posse de um plano bem definido.

O Barça, contudo, mostrou que já não sabe como atuar e que seu modelo de jogo está se perdendo de forma perigosa. Sua única ideia reduz a algo primário, rezando para que alguém do tridente ofensivo caricie a bola em uma jogada isolada.

Luis Enrique afundou precipitadamente, porém, mais uma vez, concentrou sua raiva em um repórter da "TV3", que recebeu um duro afronto do técnico do Barça, que teve uma atitude imperdoável, apesar de estar com a cabeça quente. O treinador está errado quanto tenta inventar inimigos que não existem, assim como faz José Mourinho.

A única preocupação de Lucho deve ser realizar uma auto-crítica profunda para corrigir erros e chegar ao jogo de volta (8 de março) com remontagens. É hora de pensar apenas no time. A equipe jogou em Paris sem um treinador, muito ativo ante os microfones, mas escondido em campo. A reversão só é possível se o banco voltar a assumir o comando.

* Ernest Folch é diretor do jornal catalão 'Sport'

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