Inspirado em Riquelme e R10, Cueva vê futebol brasileiro sem alegria

Quando decidiu entregar a camisa 10 para Christian Cueva no início do ano, o São Paulo confiava que o peruano poderia se firmar como protagonista da equipe. E a resposta até aqui é positiva. São seis jogos como titular, três assistências, dois gols e uma relação cada vez mais próxima com a torcida. Mas o armador ainda não está 100% feliz.

Na última quarta-feira, no clássico contra o Santos, o são-paulino foi cobrado pelos rivais e recebeu cartão amarelo por comemorar como faz há anos: levando a mão direita à orelha. O gesto é uma homenagem ao irmão Jorge Luis, fanático pelo ex-meia argentino Juan Román Riquelme, que costumava celebrar os gols da mesma forma, mas já foi punido pela arbitragem também no ano passado, quando marcou contra o Corinthians, em Itaquera.

- Eu celebro assim desde o tempo do México, Peru... Meu irmão sempre pediu que eu comemorasse assim, então passei a fazer isso.Lembro do meu irmão e de um jogador que gosto. E não se pode perder a alegria no futebol. Isso me deixa impotente, de levar cartão de novo. No Brasil todo mundo fazia gol e comemorava de distintas maneiras, mas isso se perdeu. Deveriam deixar que o jogador comemore como quer, como sente, mas sem faltar ao respeito com ninguém. Meus ídolos, por exemplo, são Ronaldo e Ronaldinho Gaúcho, monstros, gênios, que me faziam emocionar a cada jogo. Por isso falo das celebrações, eram jogadores que brincavam em campo. E Ronaldinho, o mais alegre de todos. E isso não pode se perder. Com tudo o que acontece na vida, a alegria não pode se perder e os dois me brindaram com isso - defendeu-se.

Cueva quer que essa alegria se espalhe no elenco e na torcida do São Paulo, mas não se empolga com os elogios. Perguntado se já se considera um dos melhores meias em ação no futebol brasileiro, disse apenas que briga para estar no topo. O segredo, segundo o camisa 10, está no ambiente proporcionado pelo Tricolor desde sua chegada, em julho de 2016.

- Não me considero o melhor, mas trabalho para chegar a ser. Tenho em minha cabeça que posso dar muito mais, me sinto em casa e isso torna tudo mais fácil. Me sinto igual a todos, uma pessoa que busca seus sonhos e grandes coisas pelo São Paulo. Isso importa mais do que se sou melhor ou não. Coletivo é sempre mais importante. Sabia que jogar aqui era um feito muito grande, encontrando jogadores de alto nível. Foi um desafio grande, estou me sentindo cada vez melhor, mas ainda não conquistei nada. E preciso disso para concluir meu sonho - projetou.

Confira outros trechos da entrevista coletiva de Cueva:

Como é encontrar um ambiente tão animado após o clássico?

?Importante a vitória, em um clássico que dá confiança. Mas além disso, essa confiança vem crescendo em treinos, com todos aplicados ao que Rogério Ceni quer. E aí conseguimos fazer o que treinamos nas partidas.

Já tinha alcançado números tão bons na carreira?

Nunca atingi algo como está sendo aqui. Nunca tive números como esses, mesmo fazendo gols e assistências. No México fiz mais gols, mas em um ano, aqui tenho seis meses. Vamos a passos lentos, mas firmes para atingir o que queremos, que são títulos.

Como encara essa evolução?

Cada um se propõe a algo na vida. E quando quis vir ao São Paulo, era para dar meu melhor. Quem me conhece sabe que adoro o futebol, ainda mais no país onde mais nasce futebol. Eu pude me adaptar rápido, mas quero mais. Todos aqui querem e trabalham para isso. Temos que ter tranquilidade e seriedade, comemorar os pontos que chegam, mas pensando nos próximos jogos.

Mas o time vai sempre precisar virar os jogos?

O ideal seria começar ganhando, e jogamos para isso, mas uma equipe grande como a nossa nem sempre vê o adversário sair de igual para igual. Tomamos o gol e o que mais gostei é que o grupo e a comissão técnica têm uma reação muito boa para dar a volta e ganhar. Isso é importante, mesmo que o ideal seja sair ganhando e controlar o resultado.

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