Boquita revê Corinthians e destaca ofensividade e "estilo Audax" do Brusque

  • Almeida Rocha/Folha Imagem

    Boquita quando jogava no Corinthians: reencontro com ex-time pelo Brusque

    Boquita quando jogava no Corinthians: reencontro com ex-time pelo Brusque

Embora modesto e com apenas 29 anos desde sua fundação, o Brusque, adversário do Corinthians desta quarta-feira, vem em grande fase e promete jogo duro na segunda fase da Copa do Brasil. A equipe quadricolor é vice-líder no Campeonato Catarinense e tem apresentado futebol surpreendente neste início de ano.

O time comandado pelo técnico Pingo (ex-jogador do Corinthians) se notabiliza pela ofensividade e por priorizar o toque de bola. O Brusque tem uma média de dois gols por partida e chama a atenção também por evitar chutões, característica que faz o volante da equipe Boquita, revelado pelo Corinthians em 2009, fazer uma comparação o Osasco Audax:

"Nossa maneira de jogar não vai mudar, é de marcar muito bem e atacar, sempre fazemos gols. Nos últimos três jogos fizemos sete gols, somos bens ofensivos, jogamos de pé em pé, mais ou menos no estilo do Audax. Sabemos da força do adversário, mas não podemos ser diferentes e mudar característica para essa partida", disse, ao LANCE!.

Há duas semanas, diante do Audax, "sósia" paulista do Brusque, o Corinthians teve dificuldades, mas conseguiu vencer fora de casa, por 1 a 0. Para isso, mudou seu estilo, abriu mão de ter a bola e chegou a sofrer pressão.

"Com certeza o Corinthians vai ver nossos vídeos e notar que o que goleiro toca para o zagueiro, tabela... Temos um jogo arriscado, mas que vem dando certo. Nosso time é bem ofensivo, trabalha a bola, nosso treinador cobra que fiquemos com a posse", completou Boquita.

O Brusque joga no 4-4-2 e tem Jonatas Belusso como uma de suas principais armas. O atacante já marcou cinco vezes nesta temporada, sendo o artilheiro dos catarinenses no ano.

O estilo ofensivo, entretanto, também proporciona espaços, sobretudo nos contra-ataques. Foi desta forma que o Brusque perdeu para o Avaí, campeão do primeiro turno do Campeonato Catarinense.

Sem vantagem de empate como na primeira fase da Copa do Brasil, o Corinthians também terá de superar a pressão da torcida local, que esgotou os quase 4 mil ingressos para o confronto no Estádio Augusto Bauer. Não se fala em outra coisa na cidade de Brusque, como conta Boquita:

"A cidade está mobilizada desde a passagem de fase, sobre o Remo. Nós, jogadores, vamos no mercado, na padaria e só se fala do jogo contra o Corinthians. O pessoal esqueceu o Campeonato Catarinense, mas nosso grupo, não. A gente vem de duas vitórias, isso dá confiança para esse jogo histórico da cidade e do clube", disse.

Bate-bola com Boquita, em entrevista ao LANCE!:

Como será reencontrar o Corinthians? Está ansioso?
Para mim, sem dúvidas, será um jogo especial. O Corinthians me formou desde os 14 anos até os 21, só tive momentos felizes lá. Mas a gente vai ligar essa chave da Copa do Brasil só agora, estamos bem no Catarinense, fazemos boa campanha para um clube considerado pequeno. Esperamos fazer um bom jogo e conseguir o resultado, para mim, para o clube e para a cidade de Brusque

Você pode ter a incumbência de marcar o Jadson justamente na reestreia dele. Como será?
Todo mundo conhece o Jadson, sabe como ele joga, que é decisivo numa bola, num chute... Mas nossa maneira de jogar não vai mudar por causa de um adversário. Essa fase da Copa do Brasil é em um jogo só, o que nos dá a oportunidade de conseguir um resultado positivo em casa, que seria especial.

Dos 22 relacionados do Corinthians para este jogo, 11 são da base. Acha que o clube tem dado mais espaço aos garotos do que na sua época?
Quando eu subi o time estava muito bem, era 2009, 2010 e para nós era mais difícil nos firmarmos como titulares. Graças a Deus fiz muitos jogos, mais de 60. Antigamente o time era muito encaixado, os titulares muito bons. Hoje, pela fase que o time atravessa, está um pouco mais fácil. Os três que se firmaram têm qualidade, senão não jogariam no Corinthians. Para ser titular do Corinthians tem que ser muito bom, temos de tomar cuidado com eles.

Por que acredita que não ficou mais tempo no Corinthians?
Não só eu, mas todo jogador tem um momento no clube, e o Tite e sua comissão preferiram me emprestar juntamente com outros meninos da base. Cada treinador tem uma filosofia, a do Tite foi emprestar. Para mim não foi ruim, aprendi muita coisa, tenho 26 anos, mas uma experiência muito grande. A minha fase no Corinthians foi muito boa, passou, agora é jogar e buscar a vitória para o Brusque.

O que você aprendeu desde que deixou o Corinthians?
Eu entrava como um segundo ou terceiro homem de meio, atacando muito. Depois aprendi a marcar mais por passar por times menores, aprendi outras filosofias de jogos. Antes era sempre o Corinthians que mandava no jogo, hoje eu tenho a experiência de saber o que o jogador do Corinthians está pensando, por exemplo. No Corinthians e na Portuguesa tive meu auge, por títulos e desempenho. Hoje eu tenho a experiência dos dois lados. Isso acrescenta para o jogador.

Você já teve outros reencontros com o Corinthians?
Um só, pela Portuguesa, em 2012, na Taça Sócrates, que reuniu o campeão das séries A e B. Vencemos por 1 a 0.

Ainda mantém algum contato com jogadores e funcionários do Timão?
Falo com o Roberto e o Edízio, roupeiros, e um dos meus melhores amigos é o Camacho. Espero que ele volte a jogar logo, voltar a fazer o que mais gosta. Ele é meu irmão, jogamos juntos no Bahia.

Vocês se falaram depois do momento difícil que ele passou, com a morte do pai?
Mandei mensagem a ele desejando força. Eu também já perdi meu pai. Ele conheceu o meu, eu conheci o dele... Desejei força, que ele possa superar essa fase difícil.

Como você superou a perda do pai?
Meu pai era fanático por futebol. Conversei com minha família bastante. A morte dele foi no sábado, e na segunda-feira já voltei a treinar. O que ele mais gostava era me ver jogando, então voltei logo, tentei esquecer um pouco e melhorar a cabeça.

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