'Último campeão' do Santos, Vladimir realiza sonho na Libertadores

Neymar e Ganso se foram, o Mundial passou, o Santos foi do glamour às ações trabalhistas e dívidas e finalmente voltou à Libertadores após quatro anos. Entre choros de alegria e lágrimas de tristeza, muitas coisas mudaram na Vila Belmiro e no CT Rei Pelé, mas muitos funcionários foram preservados. Entre os jogadores, só um foi capaz de aguentar tudo isso: Vladimir.

O goleiro era um dos três do Peixe na última conquista da Libertadores, em 2011, ao lado de Rafael e Aranha. Ele viu o primeiro ser vendido para o Napoli (ITA) e o segundo cobrar o clube na Justiça, além de presenciar a chegada de Vanderlei, quando enfim teria uma chance.

Mas nesta quinta-feira, às 21h45, no Estádio Nacional do Peru, contra o Sporting Cristal, tudo isso passará na cabeça de Vladimir em segundos, até ouvir o apito inicial. Ao fim deste som, ele estará realizando o sonho de estrear em uma Libertadores.

Nas últimas, ele chegou a ficar no banco de reservas, mas não a entrar em campo. Apesar disso, experiência ele garante que não falta.

- Pessoal fala que não tenho experiência na competição. A única coisa que passa na cabeça é que eu estava na maior parte dos jogos. Sei como é o ambiente, o clima, a partida, a viagem, a logística. Já estou sabendo o que pode acontecer e estou preparado - lembra, em entrevista ao LANCE!.

No Santos há dez anos, o goleiro chegou a ser emprestado para o Fortaleza em 2009. Desde então, o arqueiro de 27 anos tomou uma decisão: nunca mais deixar o clube no qual se formou. Em outras palavras, sua casa.

Mesmo na reserva, o camisa 12 chegou a ser sondado por Chapecoense e Ponte Preta, mas preferiu manter a decisão que tomou há sete anos.

- Estou no Santos há dez anos. Estou tendo a oportunidade de ficar marcado e, poxa, eu me sinto realizado! Eu quero acabar minha carreira aqui. Falo para todo mundo. Sair de onde eu sai e chegar até onde cheguei, para mim, é enorme. Eu pretendo ficar aqui o resto da carreira, o resto da minha vida. Tenho uma identidade muito grande com o clube, mas tem que fazer por onde e eu vou fazer - avisa.

Você recusou propostas em times que você poderia ser titular, mas preferiu ficar no Santos. Por que?

Um dos pontos mais forte para a minha permanência é saber que você está vestindo uma camisa de peso. A gente visa a final, estamos sempre chegando em uma final de uma competição. Com a camisa do Santos é algo que fica marcado positivamente na sua carreira. Eu fico na expectativa, posso acabar jogando uma competição. No futebol as coisas mudam rapidamente, se eu tivesse saído, não estrearia na Libertadores. Principalmente na minha posição, goleiro só joga um. Eu não posso me acomodar, é meu maior estimulo nos treinamentos. Mas não posso me desesperar e sair pra jogar em outro clube e talvez ficar com reserva em outro clube. Se for pra ficar de reserva, que seja no Santos.

O Santos foi do topo até uma situação calamitosa. Você viu tudo de perto. Como avalia isso?

Na verdade, a gente sabe como funciona hoje o futebol no Brasil, infelizmente os clubes grandes estão passando ou passam por esse momento. Eu já sabia do perfil do clube quanto a isso, seja pagamento de salário ou disputas. É difícil, complicado, mas ao mesmo tempo, costumo dizer que te fortalece. Acaba fortalecendo com esses acontecimentos negativos. Hoje é uma satisfação tremenda, você começar nas categorias de base, vai para o profissional. Fica naquela, né... Dá a volta por cima. Começar uma competição, e talvez ficar marcado na história do clube, é a gratificante.

Seu contrato foi renovado por diversas vezes e você disse que quer encerrar a carreira no Santos. Aceitaria um contrato "vitalício"?

Se o Modesto (presidente) quiser, eu estou ai (risos). Na mesma condição, está tudo certo. Vou ter o mesmo pensamento de continuar querendo ajudar. Por estar muito tempo no clube, às vezes você faz uma partida negativa e o pessoal fala que está acomodado, o pessoal não sabe que você vem aqui todos os dias, é complicado vir só pra treinar. Você desgasta mais. O pessoal que joga faz regenerativo. Você não está jogando, está treinando muito mais. Você tem que entrar melhor, ou na pior das hipóteses, dar o melhor.

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