Buffarini: 'Dizer na Argentina que Ceni é meu técnico é um orgulho'

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Julio Alberto Buffarini caminha para os 29 anos de idade, que serão completados em agosto. Até lá, espera ter da torcida do São Paulo a mesma confiança demonstrada pelos "hinchas" do San Lorenzo (ARG), onde foi campeão da Libertadores, por Edgardo Bauza, que lhe permite sonhar com uma Copa do Mundo, e por Rogério Ceni, que apostará no lateral argentino para deixar o Tricolor mais aguerrido no clássico das 16h deste sábado contra o Palmeiras, no Allianz Parque.

Será a primeira vez do camisa 18 contra os alviverdes, em confronto válido pela oitava rodada do Campeonato Paulista. Até aqui, no clube do Morumbi, foram quatro clássicos, com duas vitórias, um empate e uma derrota. Em sua passagem pelo San Lorenzo, também costumava levar vantagem sobre os rivais Boca Juniors, River Plate e Huracán. Foram 20 confrontos, com dez vitórias, dois empates e oito derrotas. Foi expulso duas vezes, é verdade, mas o que ele lembra mesmo é do gol sobre o Boca em 2013.

"São jogos diferentes, você não encara todos os dias, então precisa desfrutar. É meu primeiro contra o Palmeiras, então chego com muita gana. Joguei muitos clássicos pelo Talleres contra o Belgrano, pelo Atlético Tucumán contra o San Martín, pelo San Lorenzo contra Huracán, River e Boca, quando até marquei um gol. Costumo ir bem!", avisou o defensor, em entrevista ao LANCE! na última sexta-feira, no CT da Barra Funda.

O sonho de disputar a Copa de 2018 na Rússia move Buffarini, que aproveita até os momentos familiares para mergulhar no futebol e manter a forma física. Mentalmente, a preparação vem das longas horas de conversas com os amigos Diego Lugano e Lucas Pratto, que compartilham ambições, problemas e, claro, um bom mate. Onde há um dos três, há uma cuia e uma garrafa térmica prontas para uma "charla".

O que muda na preparação de um time para um clássico?

Todos os jogos são muito importantes, ainda mais estando em um clube tão grande como o São Paulo. Mas é claro que se trabalha de outra maneira na semana que antecede um clássico. A torcida vive de outra maneira. A gente percebe no dia a dia, nas redes sociais, então oxalá que tenhamos o privilégio de ganhar pela primeira vez no campo do Palmeiras.

Na Argentina você já conviveu com clássicos com torcida única e agora reencontra esse cenário no Brasil. É algo que te incomoda?

Não me incomoda, porque sabemos que temos o apoio de nossa torcida em distintos lugares. Óbvio que não no campo, mas há um montão de torcedores nos apoiando fora do estádio, em suas casas pela TV... Então precisamos ser fortes para manter nosso bom caminho.

É um momento especial para marcar seu primeiro gol no São Paulo?

Oxalá seja. Fiz 15 gols no San Lorenzo, algo nada fácil para um lateral. Quem sabe. Primeiro que ganhemos, mas se puder marcar um gol, parabéns!

E uma assistência para seu amigo Lucas Pratto?

É o que mais estou desejando! Oxalá possa fazer o melhor possível para o time e ganhar este clássico. Seria lindo quebrar esse tabu de vencer pela primeira vez no campo do Palmeiras.

Esperava ver Pratto adaptado tão rapidamente ao clube? Quais são as principais virtudes dele?

Sim, porque já veio de dois anos no Brasil. O São Paulo é um clube muito grande e exigente, mas eu sabia da qualidade e da importância que tem Lucas. Vem muito bem e oxalá que siga da mesma maneira, porque aí vai bem também o São Paulo. É um jogador muito resistente, protege bem a bola, gera muito espaço e, o mais importante para um 9: a possibilidade que tem para fazer os gols, ele faz os gols.

Pratto saiu do Atlético-MG para não revezar mais com Fred e ter mais chances de ir à Copa do Mundo. No São Paulo, você reveza com o Bruno e também tenta ser convocado. Isso te atrapalha?

Não me preocupa. Sou um jogador que se cuida muito, que nunca se machucou e espero seguir da mesma maneira. Nos treinos e nos jogos, entro para deixar tudo, para me sentir bem e ajudar a equipe. Depois, a decisão é do técnico por alternar. E na seleção o técnico me conhece, sabe como trabalho e me cuido, o que é muito importante.

A Copa do Mundo de 2018 é seu maior objetivo?

Sim, é o sonho de qualquer jogador poder estar em um Mundial com sua seleção. Trabalharei no dia a dia aqui no São Paulo, que é o mais importante. Fazendo bem as coisas, aumentarei essa possibilidade de cumprir o sonho.

Quais as diferenças de Edgardo Bauza e Rogério Ceni?

São dois estilos muito diferentes. Um trabalha de uma maneira e o outro de outra. Tanto de Bauza quanto de Rogério, o importante é tirar coisas positivas para si. No caso de Rogério, o trabalho é intenso, você vai muito à frente e tem muitas opções. Bauza é um técnico que conseguiu resultados em todos os times em que esteve, dando muita prioridade na parte defensiva. E, depois, pensa à frente. Os dois trabalham muito bem, e cada um precisa tirar o melhor dos técnicos de uma seleção e no São Paulo.

Durante a Florida Cup, você comparou Rogério a Jorge Sampaoli. Por quê?

Eu não pude trabalhar com Sampaoli, mas compartilhei time com companheiros que trabalharam e falavam dos treinos, do dia a dia. E do pouco que pude ver de Rogério na Florida Cup, imaginei que fosse parecido. E uma vez teve um encontro na Argentina com Sampaoli e muitos treinadores, eu tive a sorte de participar, e vi como o que ele falava eu vivo agora com Rogério. É importante como ele trabalha, com intensidade, a forma como vive. É tudo lindo e temos que aproveitar.

Esperava encontrar um técnico desse tipo na carreira?

Tive a sorte de trabalhar com Juan Antonio Pizzi (argentino que comandou o San Lorenzo entre 2012 e 2013 e atual técnico da seleção chilena). Não sei se trabalhava igual a Rogério, mas metia a mesma intensidade, a mesma ideia.

Foi o técnico que mudou sua posição, certo?

Sim, mudou minha posição de volante para lateral. E me disse algo que ficou gravado: "Se eu me adaptasse a essa posição teria a oportunidade de chegar à seleção argentina". E hoje dou razão e agradeço. Mas me surpreendeu muitíssimo como trabalha, vê futebol e analisa as outras equipes para dar informações. Tenho que agradecer e felicitar Rogério.

Fala-se muito de Rogério Ceni na Argentina pela história como jogador? Quando você soube que ele seria seu técnico contou para alguém?

Tive a sorte de enfrentá-lo e ainda trocar a camiseta, no jogo lá (em Buenos Aires, pela Libertadores de 2015), quando ganhamos de 1 a 0. Troquei com ele e Luis Fabiano, que também admirava muitíssimo por tudo o que gerou no São Paulo. Comentei com eles na época. Tenho a sorte agora de tê-lo como técnico e dizer isso na Argentina é um orgulho e um prazer muito grande.

Você é muito próximo de Lugano, um outro ídolo. Como é a relação e qual a importância dele para o grupo?

Temos uma relação muito boa, eu e Diego. Tanto aqui no clube como fora. As nossas mulheres ficaram muito amigas. Eu o admirava e admiro muitíssimo por tudo o que ganhou e pelo que provoca nos torcedores do São Paulo. É um exemplo ver, pela idade que tem, que ele é o primeiro a chegar e o último a sair. Trabalha como um menino da base. É algo admirável.

Qual peso tem de voltar a ser titular para marcar mais?

Sim, mas vestir a camisa do São Paulo já é uma responsabilidade. Aqui no Brasil dão mais prioridade aos laterais que passam. Na Argentina é algo mais tático, não dão tanta importância se você passa, mas sim se deixa bem protegido atrás. Na Argentina se vive de uma maneira e no Brasil de outra. Mas a responsabilidade em um grande é sempre, mesmo sem jogar.

Você é o líder de desarmes no Paulistão, com 19 em seis partidas. É algo que sempre teve ou foi algo que Ceni pediu, para ser mais agressivo?

Sempre trabalhei assim. Desde o primeiro dia de Rogério, ele ficou surpreso porque eu sempre vou até o fim recuperar a bola. Aqui há jogadores muito habilidosos, e na Argentina são mais táticos, nem tantos que desequilibram. E aqui isso me custou algumas coisas essa gana de recuperar a bola. Há muitos jogadores rápidos e hábeis. São sete meses aqui e são coisas que preciso aprender para melhorar.

O que pensa da greve de jogadores, devido a salários atrasados e reclamações da distribuição de cotas de televisão, que adiou o início do Campeonato Argentino? Você apoiou a decisão?

Sim. Estou em contato com meus ex-companheiros e me parece muito bom o que fizeram os capitães dos clubes grandes. Porque os grandes estão muito bem, quem sofre são os de série B ou categorias menores. Tenho que felicitar esses capitães que foram solidários com as equipes que passam tão mal.

Falta no futebol mais solidariedade dos clubes maiores?

Falta, todos deveriam ser menos egoístas. Jogadores famosos e equipes grandes, porque eu passei por essas situações ruins e é algo muito feio. E ver como eles foram solidários agora é para felicitar.

O Uruguai passa por algo semelhante. Conversou com Lugano sobre isso?

Sim, conversei bastante com Diego. É algo similar, mas lá tem mais a ver com patrocinadores e outros temas, com as referências da seleção trabalhando (os principais jogadores uruguaios lutam contra contratos firmados pela confederação local e considerados abaixo do mercado, além de não serem repassados aos clubes na proporção exigida). E também me parece que estão bem. É o ideal, que os jogadores cuidem de tudo. Todos jogadores passaram por divisões de base ou séries de baixo, então sabemos como é feio passar por esses problemas. Se temos um nome hoje, temos a possibilidade de nos juntar e lutar pelos que necessitam.

Soube que você gosta muito de história e resolveu trazer parentes para conhecer o Morumbi. Como é esse seu interesse?

Para mim, estar no San Lorenzo foi muito bom, mas passar para o São Paulo foi algo maravilhoso. É um clube muito grande, de muita história, e eu lutei muito para chegar ao São Paulo. Estar aqui e poder levar meus familiares às instalações do clube é um orgulho, tanto no CT quanto no Morumbi. A história que tem o Morumbi é impressionante, então cada vez que chegam familiares e amigos eu os levo para conhecer. As instalações que temos aqui não são encontradas na Argentina.

Por que falam tanto "o mítico Morumbi" na Argentina?

Eu joguei aqui em 2015 e sentimos, eu e meus companheiros, algo similar ao que sentimos quando jogamos no Maracanã (em 2014). Jogamos contra o Cruzeiro, contra o Grêmio, campos lindos, mas o que vivemos no Maracanã e no Morumbi é algo mais lindo. Pelo tamanho que têm, pela torcida que lota e pela história que têm tanto Morumbi quanto Maracanã. Tanto eu como meus companheiros desfrutamos muitíssimo.

Como é sua vida fora do São Paulo no Brasil?

Estou com minha mulher e minha família, sou de casa, sempre com eles. Saímos para correr, para caminhar, recebemos meus pais e amigos. Sou de ficar no apartamento com minhas meninas. Saio para jantar quando posso, mas minha menina vai à escola muito cedo, tem cinco anos, e precisa dormir cedo para levantar bem.

Tem algum restaurante favorito?

Sim, sim! Outro dia saímos com Luquita Pratto para comer no Corrientes 348 (restaurante argentino com franquias pelo Brasil). É muito bom. Tratamos de sair para jantar com a família e os amigos.

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