Tite analisa 'noite histórica' e diz que Seleção ainda pode evoluir mais

Não tinha como ser diferente. O técnico Tite era só satisfação após a goleada do Brasil sobre o Uruguai por 4 a 1 na noite desta quinta-feira em Montevidéu. No entanto, o comandante da Seleção Brasileira procurou não se empolgar nas declarações e, apesar de oito vitórias em oito jogos sob seu comando, diz que ainda há espaço para o time evoluir mais.

- Não posso te afirmar isso (Seleção pronta), são só oito jogos. Às vezes vamos pegar propostas diferentes de jogo. Daqui a pouco vai ter uma equipe que vai marcar mais baixo, será preciso ter posse de bola, ter que jogar contra a impaciência para furar o bloqueio... O time tem muito para crescer e não sei quanto. Só vou ficar alimentando, dando combustível para crescer cada vez mais - analisou o treinador, em entrevista coletiva.

O treinador também comentou sobre a atuação de Paulinho. O volante foi bancado pelo treinador, mesmo criticado por atuar no futebol chinês, e decidiu o clássico com três gols. Ele explicou o porquê de ter apostado no volante.

- A vida, a idade e o tempo servem para nos amadurecer. O tempo vai passando, a gente vai cometendo erros, vendo. Eu falei com o Edu Gaspar: todos os jogadores adquiriram capacidade de serem atletas na acepção da palavra. Não tem percentual de gordura, você vê o Paulinho atleticamente... A CBF nos proporcionou estar com o Fabio (Mahseredjian, preparador físico). O Diegou Souza entrou fininho, Willian estava voando, Fernandinho jogou com naturalidade - analisou Tite.

O treinador já entrou para a história. Pela primeira vez, uma Seleção venceu sete jogos consecutivos na mesma Eliminatórias Sul-Americana. O técnico tem oito jogos pelo Brasil, com oito vitórias, 22 gols marcados e apenas dois sofridos.

Confira mais trechos da entrevista do treinador:

PRIMEIRA VIRADA

Foi mais do que eu imaginava, este é o oitavo jogo, eu não tenho a real noção do potencial de crescimento. O que fizemos como comissão técnica foi antecipar aspectos para preparar a equipe contra um adversário que vem com um técnico há 11 anos. Fiquei feliz com o desempenho durante os 90 minutos, a capacidade de absorver o gol e jogar em cima de uma proposta e uma ideia. Às vezes não vai, você cria, domina, mas você tem uma ideia. E teve também a capacidade de fazer o gol de empate, e mais do que controlar, dominar, mesmo sabendo que o contra-ataque seria mortal. O Uruguai é vertical, em um lance decide. A equipe construiu mesmo saindo atrás, tendo cartões amarelos... Absorver tudo isso e continuar com padrão de desempenho me deixou feliz.

PLACAR HISTÓRICO?

Pela vitória, sim, não pelo placar. Vencer no Uruguai... Eu nasci bem perto daqui, no Rio Grande do Sul, onde temos hábitos parecidos, somos muito competitivos. Vencer aqui é muito difícil.

POR QUE O TIME ESTÁ TÃO BEM?

Um senso de equipe. Quando ela adquire confiança e tem o gosto de vencer, se fortalece, começa a repetir padrões. Sei que um dia vai perder, é inevitável, mas se perder jogando bem, é do jogo, da vida. A equipe tem essa batida, "tem que jogar bem, merecer, prevalecer fisicamente". Falei para o Sylvinho e o Cleber (Xavier) durante o jogo: quando pega a Seleção, não adianta fazer coisas do clube, como mexer, inverter jogador de lado, porque quebra mecanismos. O jogador tem que executar posições que tem dominadas, que tem confiança.

CLASSIFICADO?

Não faço conta, me atenho ao desempenho, o importante foi jogar de forma competitiva e leal. Falei que nem queria saber resultado dos outros, tabela, já para ter um álibi para responder, porque não quero. Se eles quiserem um técnico perfeito, vão procurar outro, porque eu vou errar. Depois do jogo falei: "Marcelo, você mostrou personalidade para caramba. Cometeu um erro, mas absorveu e foi jogar".

PAULINHO

Atuação e os gols falam por si só

ROBERTO FIRMINO

Teve uma pergunta sobre o que o Firmino emprestava em relação ao Gabriel e eu volto a repetir a resposta: ele tem menos profundidade, mas tem mais flutuação e tabela. Veja o segundo gol, ele faz o pivô, gira pelo lado contrário e deixa o Paulinho na cara para fazer o gol.

VOLTOU O JOGO BONITO

Jogar aqui e vencer o Uruguai é muito difícil, tem uma atmosfera e uma energia muito fortes. O nível de concentração tem que ser alto. Se o atleta se inibir de suas ações porque o torcedor está em cima, ele não vai jogar. A equipe tem que ser mentalmente forte, ainda mais jogando atrás. Mas o Uruguai perdeu muito com o Suárez, eu sei, mas isso não diminui o nível absurdo da equipe [...] No Brasil tem duas escolas, da bola mais longa e do jogo apoiado. É o momento da equipe, e os jogadores gostam desse jogo apoiado, eu também. Não tem fórmula.

TÁTICA

O sistema brasileiro não encaixa, ele marca setor. A linha de quatro defensiva tem responsabilidade de coberturas curtas. Quando fizemos o gol avisei o Neymar que precisaria de ajuda dele na sustentação, para não sobrecarregar o Marcelo. Os dois laterais tomaram cartão e isso inibe o Casemiro. Eles enfiaram um atacante de bola aérea, depois colocou outro... Aí chamei o Fernandinho para deixar o Casemiro mais plantado. Fazia lá e nós nos virando aqui.

TRABALHAR NA ARENA CORINTHIANS

Todos os torcedores de clubes, inclusive o corintiano, tem muito amor por seu clube. O são-paulino, o santista e o palmeirense são assim. Um dia eu pedi para a torcida do Corinthians ter paciência com a equipe caso ela ficasse com a posse de bola, que não apressasse os atletas. E eles me atenderam. Agora eu peço que ela apoie, dê carinho, que às vezes a bola vai voltar no goleiro... É uma forma de ajudar. Meu pedido é que a torcida ajuda.

O QUE A SELEÇÃO AINDA PRECISA?

Não sei o que vai acontecer ali na frente, mas posso dizer o que podemos fazer agora. Os jogadores ficaram muito felizes pelo desempenho, não falaram do placar. Ninguém pegou a bola e virou o rosto, não tinha firula, trejeito... futebol é ser melhor, fazer gol. Estamos pegando gosto pelo desempenho, isso é legal, isolar o placar e ver se joga bem, ter senso de equipe.

IDOLATRIA DA TORCIDA

Tenho uma porrada de defeito e as pessoas não sabem, mas tenho uma virtude, sou leal e digo as coisas pela frente. Isso o seu Agenor e a dona Ivone me ensinaram, eles são meus pais.

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