Abalo segue fazendo parte da rotina de familiares das vítimas em tragédia na Colômbia

Nem mesmo as homenagens proporcionadas pela Chapecoense e pelo mundo têm sido suficientes para confortar os familiares das vítimas da tragédia da Colômbia. Meses após o acidente com o voo da LaMia, parentes dos atletas que se foram não escondem seu abalo e até questionam um suposto descaso do clube catarinense.

Irmão de Bruno Rangel, Joelson revelou que, mesmo com boa parte de sua família fragilizada, não houve procura de nenhuma pessoa ligada à Chape:

- É claro que o clube tem que continuar sua história. Agora, a gente vê o pessoal gritando "vamo, vamo, Chape" e parece que tudo está às mil maravilhas. Eu sei que as pessoas não podem parar, mas fico um pouco entristecido. Eles (a diretoria da Chapecoense) tinham de procurar saber como as famílias estão. Muita gente vem dependendo de psicólogos, esta parte de extracampo não está nada bem - afirmou, ao LANCE!, ressaltando que não conseguiu ver o jogo devido à emoção.

Joelson, que mora no estado do Rio de Janeiro, disse se surpreender com a postura da Chape porque boa parte das vítimas era de fora de Chapecó:

- Não estou atribuindo uma culpa à Chapecoense por tudo. O que eles estão fazendo é muito bonito, comoveu o mundo todo. Mas fico triste porque eu achava que as pessoas de Chapecó iriam entrar em contato para saber como está o filho do Bruno, se a família está precisando de apoio psicológico. Porque boa parte das vítimas era de fora do estado.

Ao LANCE!, Viviane, irmã de Ananias e moradora do estado do Maranhão, lamentou que a lei seja restritiva quanto ao auxílio aos familiares:

- Família não é só esposa e filho. Minha mãe já havia passado pelo drama de perder uma filha em um acidente, e agora perdemos o Ananias também em um acidente. É muita coisa! A gente segue abalado, ainda mais porque o Ananias era uma pessoa maravilhosa, e merecia todas as homenagens.

Segundo o vice-presidente jurídico da Chape, Luiz Antônio Pallaoro, o clube catarinense teria deixado à disposição acompanhamento psicológico para todas as famílias:

- Demos todos os atendimentos psicológicos, e continuamos disponibilizando estes atendimentos até às famílias de fora de Chapecó, tudo por nossa conta. Mas, infelizmente, não podemos trazer os entes queridos de volta - disse, ao L!.

O advogado disse que compreende o abalo emocional dos familiares, mas apontou que a hora é de a vida da Chapecoense também continuar.

- Nós, daqui, perdemos 44 amigos. Eu mesmo, poderia estar no voo, desisti de última hora. A gente sabe do abalo, e tentamos fazer o possível.

Entre as 71 vítimas na tragédia de 29 de novembro de 2016, estavam 19 atletas e o técnico Caio Júnior, além de integrantes da delegação do clube catarinense.

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