Souza explica temporada ruim do Fenerbahçe, chance de título na Copa e fala das compações com ídolo Alex

Em quarto lugar no Campeonato Turco e longe da briga pelo título, o Fenerbahçe volta suas atenções para a Copa da Turquia. Nesta quarta-feira, a equipe entra em campo às 14h30 (de Brasília) contra o Kayserispor, no jogo de volta das quartas de final. A equipe de Istambul está bem perto da classificação, uma vez que venceu a ida, fora de casa, por 3 a 0.

Um dos destaques do time, o volante Souza afirmou que é obrigação do time vencer a competição, principalmente porque os principais rivais - Besiktas e Galatasaray - já estão eliminados.

- Hoje, ela é nossa prioridade, principalmente pela nossa distância do Besiktas, primeiro colocado no Campeonato Turco. Colocamos a Copa da Turquia como prioridade, pois já vencemos o primeiro jogo por 3 a 0, praticamente estamos classificados para as semifinais e nem o Galatasaray e nem o Besiktas estão mais na competição. É uma obrigação vencê-la para dar um pouco de alegria a nossa torcida e amenizar a má temporada que estamos fazendo. Temos que agarrar essa possibilidade de conquistar e não deixar escapar como no ano passado, quando perdemos na final - disse o brasileiro, em entrevista exclusiva ao LANCE!.

O Fenerbahçe está a 11 pontos do líder Besiktas no Campeonato Turco. Hoje, estaria classificado para a Liga Europa na próxima temporada. Souza explicou o motivo da campanha mediana no torneio.

- Essa temporada já começou difícil, pois não vencemos nas três primeiras rodadas do Campeonato Turco, coisa que não acontecia com o Fenerbahçe há muito tempo. E isso gerou uma desconfiança, ao contrário da temporada passada, que praticamente eram os mesmos jogadores e perdemos o título na reta final para o Besiktas, mas brigamos até o fim. Acredito que a desconfiança da torcida, dos jogadores, acabou fazendo com que a gente chegasse até este momento apenas em quarto.

Depois de cair na fase eliminatória da Liga dos Campeões, o Fenerbahçe jogou a Liga Europa e ficou em uma chave difícil, com Manchester United e o Feyenoord entre os rivais. Os turcos conseguiram a classificação para o mata-mata junto com os ingleses. Na fase seguinte, o adversário foi o Krasnodar, que surpreendeu. Souza explicou o que aconteceu na eliminação diante dos russos.

- Contra o Krasnodar, tivemos um apagão. Levamos um gol antes dos dez minutos nos dois jogos. O primeiro terminou 1 a 0 para eles e, no segundo, a gente estava muito bem na partida, mas levamos um gol cedo e teríamos que fazer três para avançar. O Fenerbahçe pressionou, tentou, mas eles se fecharam e ficou difícil de entrar na defesa deles e empatamos em 1 a 1. Então foi mais um descuido no início dos dois jogos que acabou nos tirando da Liga Europa - explicou.

CONFIRA A ENTREVISTA COM O VOLANTE SOUZA

Apesar da campanha mediana, você é segundo jogador da equipe com mais partidas na temporada e um dos destaques do Fenerbahçe. Como se sente sendo um dos homens de confiança do treinador?

Fico feliz, pois trabalho todos os dias para estar jogando e dando o meu melhor. Sempre entramos em campo para vencer, mas nem sempre é possível. Mas tento sempre dar o meu melhor, independente da vitória ou derrota, e tenho conseguido. Tenho feito uma ótima temporada. Apesar de o time não estar bem, eu me considero em um bom momento, tentando honrar tudo o que o clube tem feito por mim.

A Turquia vem passando por momentos turbulentos por conta das constantes brigas de torcida no estádio. O clima antes de um clássico, como os duelos com o Galatasaray, fica mais tenso entre vocês?

Entre os jogadores, não. Entramos em campo tentando dar o nosso melhor, mas as torcidas são apaixonadas, dão a vida pelos seus times. Graças a Deus vencemos todos os clássicos que jogamos e pretendemos continuar assim, temos mais dois clássicos fora de casa, contra Galatasaray e Besiktas, e podemos dar amenizada na temporada que fizemos.

Como é a saída dos jogadores de campo por conta desses conflitos nas arquibancadas?

Temos que tomar muito cuidado. Vencemos o Besiktas na casa deles pela Copa da Turquia, era um jogo só, e após o apito final, arremessaram muitas coisas no campo. Temos que sair rápido do gramado, nos proteger. Nosso diretor teve um corte no supercílio, pois a torcida jogou algo, não sei se foi um isqueiro ou celular, que o acertou e acabou o machucando. Esse cuidado nós temos que ter, mas já estamos acostumados aqui na Turquia.

Como vocês vêm lidando com esses problemas políticos pelos quais passa a Turquia, até com atentados terroristas? Passa uma sensação de insegurança?

O único problema que teve na Turquia foi o golpe que aconteceu aqui, que realmente trouxe um pouco de medo no momento, mas depois a Turquia voltou ao normal. Hoje, apesar da instabilidade política, o país anda normal, a gente não tem tido problema com isso. O governo está querendo aprovar um pacote de medidas e não sei como ficará depois disso. Mas, por enquanto, está tranquilo por aqui. Estou feliz, minha família gosta daqui, nos sentimos seguros. E penso em dar continuidade ao meu contrato, que vai até 2019.

Já pensou em sair do clube por conta desses problemas?

Sempre cogitamos, pela família, por tudo. Pensamos em chegar em um dado momento que precisaremos priorizar a família e a nossa segurança. Por enquanto o foco está em permanecer, mas se acontecer alguma coisa, tanto o clube quanto nossos empresários vão entrar em um acordo para que possamos ser liberados.

O fato do Alex ter marcado época aumenta a expectativa da torcida do Fenerbahçe com brasileiros que chegam aí?

Aumenta, sim. Sempre somos comparados ao Alex, mas é um absurdo. Ele é um fenômeno e a posição dele é diferente da minha e de outros brasileiros que jogaram por aqui. Eles acabam comparando, mas acho que é injusto, pois o Alex foi um fora de série no futebol e tem o carinho dos torcedores e da Turquia toda. A cobrança acaba recaindo sobre nós, mas sabemos lidar com isso. Demonstramos que, apesar de não ter aquela canhota e a qualidade que tinha o Alex, temos garra e tentamos honrar as cores do Fenerbahçe.

Você joga no Fenerbahçe com o Van Persie, atacante consagrado e que passou muito tempo no Arsenal e no Manchester United. Como é essa convivência, como ele é no dia a dia?

O Van Persie é um cara normal, como todos nós jogadores. Ele dá o seu melhor nos treinos e jogos, é uma boa pessoa, que conversa bastante com os mais jovens. E tenta ajudar da melhor forma. É óbvio que não é mais aquele Van Persie de anos atrás. Não tem mais aquele vigor físico por conta de muitas lesões que ele teve na carreira, mas quando está em campo tenta sempre dar o melhor e, muitas das vezes, conseguimos vitórias com gols dele.

O Tite parece ter encontrado a formação ideal na Seleção Brasileira. Você ainda sonha ser lembrado pelo treinador?

A gente sempre sonha, principalmente quem já esteve lá. O momento da Seleção é muito bom, a Turquia não é um mercado muito visado. Hoje, você vê que até o futebol chinês tem jogos transmitidos em canais de televisão fechada do Brasil, mas o turco não. Eu sei que é muito difícil, mas nunca deixo de sonhar. Trabalho sempre visando ao melhor, e o melhor é a Seleção Brasileira. Quem sabe um dia possa voltar, sou novo ainda e tenho oportunidade de brigar por essa vaga.

O fato de o time ter encaixado prejudica os jogadores que ainda não fazem parte do grupo?

Acaba prejudicando, mas o importante é que o Brasil consiga sempre manter esse bom nível, voltar a ser o Brasil de antigamente. Por mais difícil que seja entrar alguém no grupo, para mim vale muito mais o Brasil estar nas cabeças novamente do que não ser uma seleção tão boa e as oportunidades aparecerem. Prefiro que a equipe fique assim e, se pintar uma chance, a gente possa ir lá, dar o nosso melhor como fazemos no clube. Se não acontecer também, fico feliz porque hoje vejo uma seleção consistente, que as pessoas respeitam quando falam. É muito bom para o futebol brasileiro.

Você vê semelhanças do futebol turco com o brasileiro?

Sinceramente, não vejo muita semelhança. O futebol turco é de muita força física, o tempo todo contato, correria. O futebol brasileiro é mais cadenciado. Aqui é mais difícil parar para pensar, é muito complicado em um clássico. O jogo é muito pegado. Eu vejo muitas diferenças.

No Mundial Sub-20, em 2009, você foi um dos jogadores que desperdiçaram pênalti na decisão. Como foi superar a frustração e seguir jogando bem?

A gente sabe que pênalti é complicado. Eu fiz uma partida excelente naquela final, mas acabei desperdiçando a minha cobrança, assim como o Alex Teixeira. Apesar de jovem, eu jogava no profissional do Vasco e tinha maturidade suficiente para assimilar aquilo. Não nos afetou depois, continuamos jogando na Série B com o Vasco. O Alex foi logo para a Ucrânia defender o Shakhtar Donetsk e seis meses depois eu fui para o Porto. O fato nos deixou triste no momento, mas não afetou nosso rendimento pós Mundial-Sub-20. Foi uma experiência que levo para toda vida, foi o campeonato que me deu a oportunidade de jogar na Europa. Foi no Mundial que o Porto me viu e quis me comprar. Então, sou muito grato ao torneio. O detalhe de perder o pênalti é algo que acontece, já aconteceu com muitos craques, e comigo não seria diferente. Dei continuidade a minha carreira, havia muitas promessas no time que acabaram não vingando e estou muito feliz de ter seguido bem no futebol.

Você foi bem pelos clubes nos quais passou, como Porto, Grêmio, Vasco e São Paulo. Como foram essas passagens?

Cada clube que passei, tanto os três pelo Brasil, como aqui na Europa, eu tentei dar o meu melhor, sempre procurei manter uma regularidade, procurar trabalhar muito forte nos treinos e nos jogos. Às vezes, tecnicamente as coisas não acontecem, mas na minha posição nunca deixei de correr e ajudar as equipes. Acho que isso ficou marcado em todos os times por quais passei, como Vasco, Grêmio, São Paulo, Porto e hoje no Fenerbahçe. As pessoas conhecem o Souza pela vontade, pela entrega em campo. Tirando o Porto, todos os times em que joguei sempre fui titular, dificilmente iria para o banco. Não porque eu sou um craque, mas porque me entregava dentro de campo. E isso me fazia uma pessoa querida, não somente para os torcedores, mas também para os técnicos.

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