Especial: certificado protege a base, mas apenas 36 times estão na lista

Uma das principais formas de proteção que os clubes brasileiros têm para segurar seus talentos é o certificado de formador, regulamentado pela CBF em 2012. Quem possui este selo, além de receber porcentagens em futuras negociações de seus ex-jogadores, tem a garantia de que um atleta entre 14 e 16 anos só pode sair mediante indenização. É algo que faz parte da realidade dos principais clubes do Brasil, mas que atualmente só tem 36 contemplados (veja na galeira de fotos acima), muito pouco no universo de quase 800 filiados à entidade que comanda o futebol brasileiro.

Para se ter uma ideia, três integrantes da Série A não possuem o certificado: Atlético-GO, Chapecoense, além do Vasco, um dos 12 pesquisados pelo LANCE! nesta especial sobre as divisões de base.

Para obter o certificado, o clube tem que atender a uma série de exigências, tais como apresentar a relação dos técnicos e preparadores físicos, comprovar a participação em competições oficiais, detalhar os programas de treino e proporcionar assistência médica e educacional aos atletas. Quem cumpre todos os requisitos recebe o certificado na categoria A, com validade de dois anos. Os clubes que atendem apenas uma parte das exigências são classificados na categoria B, por um ano.

Para muitos, as exigências são pesadas. Para outros, bastaram algumas adequações e a certeza de que o investimento vale a pena.

- O certificado foi um grande passo para a formação de jogadores e a evolução dos clubes. É algo muito positivo e deveria ser até mais rígido - opina Klauss Câmara, diretor de futebol do Cruzeiro.

A lista dos clubes que possuem o certificado de formador é divulgada periodicamente pela CBF. A última atualização foi feita em fevereiro deste ano, quando também a entidade anunciou a criação do Regulamento de Licença de Clubes, que, entre outras coisas, exige que os participantes da Série A tenham o documento a partir de 2018, sob o risco de serem impedidos de disputar as principais competições. A medida ligou o alerta no Vasco, um dos três integrantes da elite que não o possuem.

- Estamos muito próximos de conseguir o certificado. Já demos entrada em toda a documentação e agora aguardamos o comunicado oficial para recebê-lo. O Vasco hoje possui tudo que é necessário para a realização de um bom trabalho nas categorias de base. Não falta nada para os meninos, isso posso garantir. Temos dificuldades? Algumas, assim como todos os clubes, mas nada que prejudique a execução do trabalho - afirmou Álvaro Miranda, diretor geral da base.

As sanções aos clubes que não cumprirem os itens do regulamento são advertência, multa, retenção de cotas e premiações, proibição de registro e transferência de atletas, vedação de registro de novos contratos e, por fim, revogação da licença para disputar competições nacionais e da Conmebol.

A primeira lista de clubes formadores foi divulgada pela Diretoria de Registro e Transferência da CBF em outubro de 2015, com 43 integrantes. Ou seja, sete a menos do que a atual. Não há notícia de que a inspeção, feita na maioria das vezes pelas federações de futebol dos estados, tenha ficado mais rigorosa no período.

- O certificado dá respaldo ao clube, aos pais. É um grande passo. Cuidamos do nosso jogador, que é nosso patrimônio. E no mercado selvagem usamos a legislação a nosso favor - disse Rodrigo Leitão, ex-coordenador geral da base do Corinthians, em entrevista concedida antes de ser demitido na última terça-feira.

Procurada para falar sobre o certificado, a CBF não respondeu às perguntas enviadas pelo LANCE!.

QUEM TEM O CERTIFICADO

CCF A: Validade de dois anos

Atlético Mineiro

Atlético Paranaense

Audax (SP)

Bahia

Botafogo

Botafogo-SP

Ceará

Corinthians

Coritiba

Criciúma

Cruzeiro

Flamengo

Fluminense

Fragata (RS)

Goiás

Grêmio

Internacional

Juventude

Mirassol (SP)

Nova Iguaçu (RJ)

Novorizontino

Palmeiras

Paraná

Ponte Preta

Porto (PE)

Red Bull (SP)

Santos

São Caetano

São Paulo

Sport

Vitória

CCF B: Validade de um ano

Avaí

Figueirense

Guarani-SC

XV de Piracicaba (SP)

EXIGÊNCIAS PARA SE OBTER O CERTIFICADO

I - apresentar relação dos técnicos e preparadores físicos responsáveis pela orientação e monitoramento das respectivas categorias de base, com habilitação para o exercício da função;

II - comprovar a participação em competição oficial da categoria;

III - apresentar programa de treinamento, detalhando responsáveis, objetivos, horários e atividades, compatíveis com a faixa etária, atividade escolar dos atletas e período de competição;

IV - proporcionar assistência educacional que permita ao atleta frequentar curso em horários compatíveis com as atividades de formação, em qualquer nível (alfabetização, ensino fundamental, médio, superior, ou ainda curso técnico, profissionalizante, de capacitação ou de idiomas) mediante matrícula em estabelecimento de ensino regular ou através de professores contratados, mantendo controle sobre a freqüência e o aproveitamento escolar do atleta;

V - proporcionar assistência médica aos atletas, através de profissional especializado contratado, terceirizado ou mediante celebração comprovada de convênio com instituições públicas ou privadas.

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