Corinthians monta estratégia para decisões e planeja 'rodar' elenco

  • Marcello Zambrana/AGIF

O Corinthians deve ter sua escalação ideal neste domingo, contra o Botafogo-SP, na Arena, em partida que vale vaga na semifinal do Campeonato Paulista. Contudo, isso não será rotina para o técnico Fabio Carille durante o mês de abril, quando o Timão pode realizar até nove partidas de mata-mata. A comissão técnica alvinegra está ciente de que os titulares não aguentarão sequência tão dura e já se prepara para "rodar" o elenco.

A fim de prevenir lesões, fisiologistas, preparadores físicos e outros profissionais do Corinthians apostam em uma estratégia que combina exames detalhados, treinos específicos e alimentação individualizada para cada atleta.

Em entrevista ao LANCE!, o preparador físico Walmir Cruz detalhou como será a rotina do Timão neste mês com jogos decisivos do Campeonato Paulista, da Copa do Brasil e da Sul-Americana. Confira:

Qual será o maior desafio ao Corinthians em abril sob o aspecto físico?

Se formos prosseguindo nas competições, o que eu mais reputo é a logística, porque não jogaremos só em São Paulo. Teve Ribeirão Preto, terá Porto Alegre... Esse deslocamento prejudica. Fizemos mais de 20 jogos nesse ano desde a nossa apresentação, e essa sequência acarreta uma série de coisas. Tem que recuperar, treinar e depois jogar, mas nessa sequência só se joga e recupera, e o condicionamento vai caindo. É como se fosse um carro: vai gastando o combustível e diminuindo a reserva. Você tem que parar e abastecer. Quando a gente tira um atleta, não é para ele descansar, e sim para ele treinar um pouco para elevar a condição dele. Em outras palavras, "reabastecer".

Como monitorar quem precisa "reabastecer"?

Nosso planejamento é em cima de informações da fisiologia, nutrição e própria fisioterapia para ver como o atleta está. Temos que avaliar o rendimento. Temos uma tabela de quantos minutos cada jogador atuou até agora. Em cima disso, quantas ações fez nas partidas. Ações motoras são deslocamentos rápidos, de 15, 10 metros, sem necessariamente ter a bola. Ficamos em cima de todos esses dados para controlar o atleta em cima de desgaste. Temos aparelho que nos ajudam, e traçamos um perfil de como o atleta se encontra, se está muito desgastado, com dor muscular, demorando para recuperar, CK muito alto, reclamando de dor... Todas essas informações servem para a gente montar como se fosse um dossiê do atleta para ele sempre manter o rendimento em alto nível.

O Corinthians terá de poupar titulares em algumas dessas decisões?

É difícil atuar todos os nove jogos. É um jogo de xadrez, você precisa saber mexer as peças. Se você mexer uma peça errada, pode ter prejuízo mais para frente. Isso é conversado inclusive com o atleta, que pode estar desgastado mentalmente com as viagens, concentrações, pressão nos jogos. Isso acarreta um estresse. É necessário que tenha essa condição de ouvi-lo para poder se programar. A recuperação do atleta é feita após o jogo já. Terminou a partida, entramos com proteína, carboidrato, um faz massagem, outro vai para a banheira de água quente. Tudo isso para a gente acelerar esse processo para o jogador "encher o tanque" novamente.

Será cada vez mais frequente termos apenas os reservas treinando no gramado do CT Joaquim Grava neste período, não é?

O atleta precisa treinar. Nem que fique 15 minutos no campo, ele precisa fazer alguma coisa. Só não vai se tiver um espaço muito curto de recuperação, daí não tem como, fazemos uma atividade lá dentro (da academia) mesmo. Mas treinos efetivos em campo mesmo vão ter poucos.

Você falou de alimentação e suplementação. Como isso funciona no Corinthians?

Cada atleta tem o seu cardápio que leva para casa. O cara que joga, o que está necessitando algum ingrediente em especial... Cada um tem seu cardápio específico. A suplementação, também. Cada um tem a sua. Esse é um fator primordial. Tem que fazer alimentação e repouso corretos. Temos todos esses controles. Monitoramos a diferença de cada um.

Isso não só na alimentação, mas também em relação ao condicionamento, certo?

Isso. Tem atleta que já sente no dia seguinte da partida, enquanto outros sentem alguns dias depois. Como temos muitas pessoas aqui, a gente conversa, temos reuniões praticamente diárias, eu faço com o pessoal da preparação física para depois passar tudo para o treinador. Esses aspectos de sono, alimentação, repouso e estímulo de treino a gente controla.

E como é o trabalho com quem não está jogando?

O cara banco do banco é que mais treina, menos joga. Daqui a pouco colocamos ele para jogar e ele vai sentir. Essa é uma das nossas preocupações também, e acredito de todos os times. Pegar esse pessoal do banco, fazer os treinos para que eles cheguem ao nível do pessoal que vem atuando, para estar bem próximo das condições quando entrar.

Apesar de todos esses cuidados, o Corinthians teve algumas lesões musculares neste começo de ano. Por que?

A gente tenta se cercar por todos os lados, mas mesmo assim sempre tem alguma coisa que foge das nossas mãos. Às vezes tem noite mal dormida, o filho estava febril, por exemplo, e o atleta não passa para a gente, vem cansado para cá. Nossa função é prevenção. Fazemos muitos trabalhados para prevenir, mas em esporte de alto rendimento tem coisas que fogem das nossas mãos.

Você mencionou um controle feito pela comissão técnica. Pode explicar melhor?

Classificamos por prioridades: força, potência e depois ganho de velocidade. As avaliações nos dão esses números. Aí fizemos um quadro que está lá dentro que eu chamo de "metodologia das cores". Marcamos com cores vermelha, amarela e azul. Vermelha é que está em condições abaixo, amarela é no nível do grupo e azul é quem está acima. Isso, no mínimo, em oito quesitos. A gente criou cores para a leitura ser muito fácil. Nós classificamos como prioridade primeiro equilíbrio muscular, depois a força, a potência, a estabilização. É um trabalho minucioso que tem que ser feito. O resultado sempre acontece lá dentro, mas as pessoas muitas vezes não sabem do trabalho, não sabem o apoio da comissão técnica toda. Conseguimos aqui no Corinthians colocar isso em prática. Tinha até feito isso no Santos com o Fabio Mahseredjian, quando ele trabalhava como fisiologista, e acabei desenvolvendo e aplicando isso. Tem dado um resultado fantástico.

Em que essa metodologia ajuda?

Um exemplo: pego você, faço todas as avaliações e priorizo o que você está mais precisando dentro da nossa expectativa. Você precisa de trabalho de força, de equilíbrio muscular? Então a gente vai agir em cima disso, não esquecendo do resto. Com essa base que você vai ganhar, consegue desenvolver as outras. Os trabalhos são individualizados com cargas especificas para cada um. Tem as repetições, séries, pesos... Cada um tem o seu. Tem exercícios de postura também, que cada um já sabe qual exercício tem de fazer. Com esse modelo temos uma praticidade muito melhor e resultados satisfatórios. Os atletas estão melhorando as deficiências e aumentando a capacidade.

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