Fabinho comemora boa fase no Monaco e diz como melhorou seu recorde de gols

  • Henio kalis/Reuters

O Monaco vem despontando nesta temporada como uma das sensações da Europa. Com um futebol envolvente e ofensivo, tem o melhor ataque do continente: somente no Campeonato Francês, são 88 gols em 31 jogos. E ainda se mantém vivo na disputa de três competições: está na semifinal da Copa da França, lidera a Ligue 1 com três pontos a mais que o PSG e vai encarar o Borussia Dortmund nesta terça-feira, no primeiro jogo das quartas de final da Liga dos Campeões.

Um dos pilares da equipe é o volante Fabinho. Lateral direito de origem, foi deslocado para o meio de campo nesta temporada pelo técnico Leonardo Jardim e mostrou qualidade em sua nova função, assumindo a titularidade absoluta no setor. Até o momento, são 46 partidas e 11 gols, número expressivo para um jogador que tem como prioridade dar suporte ao sistema defensivo.

Em entrevista exclusiva ao LANCE!, o brasileiro falou sobre o bom momento do Monaco na temporada, o convívio com a joia Mbappé e o experiente Falcao García, e revelou os segredos do ótimo ataque da equipe.

O Monaco vem fazendo uma excelente temporada e está vivo em todas as competições em que disputa. A que você credita esse bom momento da equipe?
O planejamento para a equipe desde o começo da temporada foi bom e diferente dos outros anos. O clube conseguiu segurar os principais jogadores, aqueles que chegaram acrescentaram muito, como os dois atacantes (Falcao e Germain) que estão sendo muito importantes. Os dois laterais (Mendy e Sidibé) estão sendo uma das armas do Monaco. Chegou também o Glik, que vem fazendo uma dupla de zaga excelente com o Jemerson. Tudo contribuiu para que a equipe venha tendo sucesso até agora.

O Monaco tem o melhor ataque da Europa. Somente no Campeonato Francês, são 87 gols em 30 jogos. Qual o segredo para tantos gols? Como o estilo de jogo da equipe contribui para esse número expressivo?
O treinador Leonardo Jardim mudou um pouco a forma de o time jogar, adotou um esquema novo e aproveitou a volta desses dois atacantes de área, o Falcao e o Germain, para implementar esse esquema. Ficamos com mais presença na área, nossos meias abertos são muito habilidosos, conseguem chegar bastante no fundo - assim como nossos laterais - e fazer muitos cruzamentos. Sempre levam perigo à equipe adversária. A gente joga em uma intensidade muito grande, pressiona a saída de bola. Muitas vezes, a recuperamos no ataque, o que facilita para pegar o adversário desprevenido. Essas têm sido as forças para que o time venha marcando tantos gols.

Quais foram as diferenças adotadas pelo técnico Leonardo Jardim das últimas temporadas para a atual?
A nossa pressão tem sido diferente nesta temporada. Tínhamos muita dificuldade em pressionar o adversário e éramos pressionados com facilidade. Esse ano tem sido diferente, estamos conseguindo fazer um posicionamento mais avançado, pressionar bem as equipes adversárias. Demonstramos isso diante do Manchester City, pois era algo que poderia fazer diferença, e fez. O momento dos jogadores do Monaco também ajuda. O treinador colocou um esquema novo, mas se os jogadores não assimilassem, seria difícil, mesmo sendo um time jovem. O esquema do ano passado era 4-3-3, agora estamos jogando no 4-4-2.

Vocês estão acompanhando de perto o surgimento de um grande jogador, que é o Mbappé, de apenas 18 anos e que já está sendo chamado para a seleção francesa. Como vocês veem essa joia do Monaco? Ele não está vislumbrado com esse sucesso repentino e com gigantes em busca de seu futebol?
O Mbappé é o nome mais falado no futebol atualmente. É uma coisa nova para ele, com o talento que tem enfrentaria isso, mais cedo ou mais tarde. Sempre mostra bastante tranquilidade, com a gente no vestiário não mudou nada, continua o mesmo 'molecão', os mais velhos ainda 'deitam nele'. Até nas entrevistas percebemos uma maturidade muito grande para um menino de 18 anos. Ele tem um talento enorme, demonstra ser um jogador diferenciado, que pode ser o principal jogador de uma equipe. Nesse momento, tem ajudado muito o nosso time, mas acredito que ainda não é o principal nome do Monaco. Mas se continuar na próxima temporada, tenho certeza que tem tudo para ser, pois pode fazer a diferença a qualquer momento. Foi muito importante para a gente descobrir um jogador como ele nesta temporada. É o momento em que as lesões mais aparecem e ele mostrou que podia dar conta do recado desde que passou a receber oportunidades.

Ao lado de Mbappé, vem atuando Falcao García, que vinha mal nas últimas temporadas e não havia dado certo no futebol inglês, no Manchester United e no Chelsea. Quando ele retornou, vocês acreditavam na volta por cima dele?
A gente sabia que o Falcao vinha de duas temporadas difíceis, que tinha jogado pouco nas equipes por onde passou, e também que estava voltando para o Monaco para jogar, ganhar sequência e mostrar que ainda era o Falcao que poderia fazer muitos gols. Na pré-temporada, já percebemos que ele seria importante para o Monaco nos campeonatos, já estava muito bem, mostrando muita vontade e marcando muitos gols. E quando as competições começaram, ele apresentou bom futebol. Foi muito importante para o Monaco na fase eliminatória da Liga dos Campeões, principalmente no primeiro jogo contra o Fenerbahçe. Na segunda partida, sofreu uma pequena lesão, ficou um tempo fora, mas voltou fazendo muitos gols. Ele ainda tem umas pequenas lesões, algo que o impede de ter uma sequência maior, às vezes nem são lesões físicas, mas pancadas, como a última contra o Bordeaux. Mas já esperávamos que ele seria um dos principais jogadores da equipe na temporada.

Ele também foi fundamental contra o Manchester City, nas oitavas de final da Liga dos Campeões, marcando dois gols no jogo de ida...
Depois daquele jogo que a imprensa mundial começou a ver que o Falcao tinha voltado a um grande nível, algo que já sabíamos pelo o que ele mostrava no futebol francês. Talvez os olhos da imprensa não esteja tanto na Ligue 1, mas a equipe no geral teve uma apresentação muito boa. Ficamos tristes com aquele resultado na Inglaterra, pois foi um dos nossos melhores jogos no ano. O Falcao, com toda inteligência e frieza, marcou aqueles dois gols, principalmente o segundo, que foi um dos principais desta edição da Liga dos Campeões. Infelizmente, ele não jogou a segunda partida, mas conseguimos a classificação para as quartas de final, que foi muito importante para a gente.

Você está no Monaco desde 2013. O Campeonato Francês está mais equilibrado, sem o domínio do PSG, como ocorreu nos últimos anos. O que contribuiu para esse maior equilíbrio?
Nas três temporadas que estou aqui, o PSG ganhou as três competições aqui na França: a Ligue 1, a Copa da França e a Copa da Liga Francesa. E dá para perceber que havia um desequilíbrio muito grande. O PSG é uma equipe montada para ganhar a Liga dos Campeões. Tem o melhor elenco da França, com jogadores experientes e de grande qualidade. No início das temporadas, colocávamos na cabeça que iríamos brigar pelo título, mas infelizmente esquecíamos rápido, pois o PSG já tinha disparado. E a nossa briga passava a ser pelo segundo lugar. Nessa temporada, para o bem do Campeonato Francês, está muito mais disputado. Não só o Monaco e o PSG, mas o Nice também vem fazendo uma grande competição. Estamos na liderança por apenas três pontos em relação ao Paris Saint-Germain. E vamos continuar lutando para acabar com essa hegemonia deles.

E não tem mais confronto direto. Só depende do Monaco...
Não tem mais confronto direto, mas isso não quer dizer que será fácil. Temos sete jogos e serão sete finais. Cada jogo terá uma importância muito grande. Se não enfrentarmos um time que está no topo da tabela, vamos encarar algum que briga contra o rebaixamento, que às vezes é mais difícil. Mas estamos preparados, o elenco é bom, o técnico sabe que pode confiar em todos.

O Monaco, além do técnico, tem muitos jogadores portugueses e brasileiros. Isso ajuda na convivência e no desenvolvimento do jogo do time?
Sempre bom ter jogadores da nossa nacionalidade na equipe. A gente consegue lidar de uma maneira diferente com os outros. Conseguimos conversar com os demais, mas sabe que conversar com alguém que fala a nossa própria língua é melhor, a gente fica mais junto, o que é normal. Para quem chega, por um lado é bom porque consegue se comunicar mesmo em um país que não fala a sua língua. Como acontece com o Jorge, que chegou agora e conversa com a gente, o treinador consegue passar o que ele quer em português. Talvez ele demore um pouco mais a falar francês, pois não precisa utilizar tanto dentro do clube. Mas é sempre bom ter alguém falando a mesma língua que você.

Em 46 jogos oficiais na temporada, você já tem 11 gols e quatro assistências. Apesar de atuar como volante, o técnico lhe dá essa liberdade para atacar?
O treinador deixa dois volantes para fazer a cobertura dos laterais e dos meias, pois a equipe é muito ofensiva. Eu e o Bakayako estamos ali para fazer a proteção da zaga, mas também temos liberdade para aparecer no ataque, de arriscar com um chute de longe ou até dentro da área, como elemento surpresa. Aconteceu algumas vezes comigo nesta temporada, apareci na área para finalizar. O gol contra o Manchester City foi dessa maneira, cheguei sem marcação, como elemento surpresa. Por ter muita bola lançada na área, sempre acaba sobrando uma para a gente que vem de trás.

Esse número expressivo é surpreendente para você?
Ano passado eu havia marcado muitos gols. Por ser um dos batedores de pênalti do Monaco, isso também me ajuda. E sempre quero aumentar o número da temporada anterior. Na última, fiz dez gols, contando todas as competições. Até cheguei a brincar com meus companheiros de que queria bater essa marca e ser melhor do que na temporada passada. A gente é otimista, mas não sabe como será a campanha. O time tem marcado muitos gols, pois às vezes sobra para quem não está sempre no ataque, como é o meu caso, do Bakayoko e dos defensores. Tinha o otimismo de fazer muitos gols, mas não sei se esperava ter esses números. Mas é bom e importante para mim e vou procurar aproveitar as oportunidades que eu tiver.

Como vem sendo a adaptação do Jorge no Monaco?
Está sendo parecida com a do Jemerson. Ele chegou no final da pré-temporada no Brasil, estava trabalhando mais a parte física. Agora ele já está muito bem fisicamente, nos treinos está no mesmo ritmo dos outros jogadores. Começou o jogo contra o Olympique de Marselha, atuando até em uma posição diferente e ficou mais de 90 minutos em campo, pois a partida foi para a prorrogação. Atuou também contra o Lille. E ele está trabalhando, terá outras oportunidades para jogar. Teremos um mês cheio de partidas. Hoje ainda não é titular, mas é parecido com o caso do Jemerson. O treinador tem uma facilidade com os atletas que chegam do Brasil nos primeiros seis meses. E o Jorge está trabalhando bem e com certeza importante para o Monaco.

Ele tem uma concorrência pesada no Monaco, uma vez que o Mendy está na seleção francesa...
O Mendy tem feito um grande ano com a gente, é a primeira temporada dele no Monaco. Tem sido um dos destaques da equipe, ele tem uma excelente presença ofensiva. O Jorge terá uma pedreira, mas será uma disputa boa. Será bom também para o treinador, que terá esse 'problema' com dois excelentes laterais pela esquerda.

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