"Gidão" e "Micha" contam detalhes da parceria no dia a dia do Palmeiras

  • Luiza Oliveira/UOL

Michel Bastos e Egídio estão sempre juntos. Nos treinos, na concentração, na consulta com o podólogo do Palmeiras, nas viagens de ônibus, em restaurantes... Até parece que a dupla nutre uma amizade de longa data, mas a parceria foi formada no início deste ano e começou justamente porque há pouco tempo eles eram rivais.

"Teve um jogo que ele levou quatro cocos e eu dei três passes para gol! Um lateral dar três passes para gol? Ele é o meia, então era ele que tinha de me marcar, né? Eu até mostrei um lance para ele em que saí do meio, fui dando tapa, dando tapa, e ele correndo atrás de mim. Ele teve de dar um carrinho para colocar para escanteio. Eu mostrei uma foto para ele que postei no meu Instagram antes de a gente jogar junto, eu com o pé por cima, ele por baixo. Ele tomou um sufoco bonito!", lembrou "Gidão", como os colegas chamam o lateral esquerdo, em bate-papo com o LANCE!.

"Esses tempos a gente estava vendo uns lances de jogos que jogamos contra. Acho que tanto eu quanto ele demos trabalho. Eu dei um pouquinho de trabalho para ele, mas o safado também me deu trabalho (risos)", emendou o meia, que é chamado de "Micha" na Academia.

Michel Bastos chegou ao Palmeiras após viver um calvário no São Paulo, onde foi perseguido pela torcida e chegou a ser apontado como "ruim de grupo". De tanto ser ofendido, ele desativou as redes sociais no ano passado. Neste ano, voltou ao Instagram principalmente para tirar sarro de Egídio.

"Agora a gente está com uma mania de um filmar o outro dormindo, então a galera fica esperando quem vai ser a próxima vítima. Mas nenhum dos dois está dando mole. A galera está curtindo, mas a gente faz naturalmente, nem é para chamar a atenção. É que a gente está sempre zoando, então é legal compartilhar isso com os torcedores. Eles acabam vendo a nossa rotina, então é legal, a gente curte", contou o camisa 15.

"Eu durmo mais (risos). Mas eu peguei ele dormindo com o telefone ligado na mão e com um palitinho de café na boca. Apagou! Na verdade está 1 a 1, ou 2 a 1 para ele... Eu também já deixei ele passar batido, mas agora ele decretou a guerra. Agora não tem brecha", rebateu Egídio.

O "Koé, Micha!" usado pelo camisa 6 para saudar o amigo já caiu no gosto dos torcedores nas redes sociais e virou uma espécie de bordão. Na semana passada, Egídio arrancou risos dos palmeirenses ao gravar um vídeo de agradecimento para o cantor Justin Bieber, que vestiu uma camisa do Palmeiras com o número 6 em seus shows no Allianz Parque, e iniciá-lo com "Koé, Justin!".

Dono de inúmeros títulos na carreira, incluindo dois Brasileiros pelo Cruzeiro e um pelo Palmeiras, onde também faturou uma Copa do Brasil, Egídio conta vantagem sobre Michel Bastos, mas espera comemorar muito ao lado dele em 2017.

"Desde 2006, quando me profissionalizei, o único ano que não ganhei título foi 2007. Em 2017 tem que ser no mínimo dois títulos, com um elenco forte desse jeito... Nesse assunto aí não dá para ele, não. Mesmo ele contando os lá de fora. Eu falei que ele tinha que vir para cá para a gente ser campeão juntos, porque vamos em busca de títulos grandes. No time anterior dele (o São Paulo), ele não ganhou nada. Lá fora ele falou para mim que também não teve muitos títulos, então meus números são maiores", disse Egídio.

E quem bate melhor na bola? "Vou dar uma moral para o meu parceiro. E se ele não der moral para mim eu retiro o que eu disse", brincou Michel.

"Os dois batem muito bem na bola, é difícil falar. Ele tem uma chapada firme, melhor que a minha. O meu sai de três dedos, uma curva mais bonita. A chapada eu deixo para ele, e a batida de três dedos comigo", respondeu Egídio, sendo político.

Confira um bate-bola exclusivo com a dupla:

LANCE!: De onde surgiu essa grande amizade de vocês?
EGÍDIO: Quando ele chegou a gente trocou uma ideia normal, como trocamos com todo mundo. Aí ficamos perto, eu gostei do jeito dele de ser, ele gostou do meu jeito. Ele foi se soltando um pouquinho mais. Eu sou um dos que mais zoam, já coloquei ele no bololô das brincadeiras. Aí surgiu nossa parceria, de ir na casa um do outro, conversar com as esposas. É uma amizade legal.

MICHEL BASTOS: O grupo inteiro me acolheu super bem. O Egídio é um cara que gosta das mesmas coisas que eu, temos afinidade em algumas coisas extracampo. É um cara brincalhão como eu. Então a gente está sempre junto, sempre brincando, sempre zoando. Mas o que ajudou foi que o grupo me acolheu desde a minha chegada. Isso foi bom para a minha adaptação, até porque vim de um rival, já joguei contra, fui expulso contra o Palmeiras (risos). Quando é assim, pode ser que tenha um pouco de rejeição, mas aqui não teve.

LANCE!: Como foi quando vocês viram que o Justin Bieber usou a camisa 6 do Palmeiras nos shows?
EGÍDIO: Estávamos eu, Michel e Alecgol no quarto quando chegou a mensagem dizendo que o Justin estava usando minha camisa. Aí foi chegando foto, um monte de gente conhecida mandando. Eu achei bem maneiro, sensacional o cara usar meu número.

LANCE!: Michel, a parceria com o Egídio te animou a voltar para as redes sociais?
MICHEL BASTOS: Eu vou ser bem sincero. Eu voltei para as redes sociais devido aos torcedores que me acompanham, que me apoiam. Em um certo período eu não via nenhuma razão de me expor. Há seis meses, qualquer coisinha que eu escrevesse em um Instagram era motivo para insultos. Eu não tinha motivo para passar por isso, então acabei decidindo desativar um pouco, mas sempre com a intenção de voltar quando a poeira baixasse. A grande maioria dos meus seguidores sempre me deu força, então voltei. É uma minoria que está lá me insultando, então não tem porque esquecer esses que me apoiam.

LANCE!: Além do Egídio, quem mais ajudou na sua adaptação?
MICHEL BASTOS: O Gidão, o Alecgol, o Jailson, o Tchê Tchê, o Thiago... Sinceramente, o grupo do Palmeiras vive super bem. Outro dia fizemos uma brincadeira sadia com o Vinicius (Silvestre, goleiro que faltou a um churrasco do grupo e foi amarrado pelos colegas no treino), e isso é bom para o convívio. A gente passa a maior parte do tempo aqui, longe das nossas famílias, então ter um bom ambiente é bom. Aqui é espetacular.

LANCE!: Como está a guerra de quem dorme mais?
EGÍDIO: A guerra continua, mas eu não vou me limitar, não. Se tiver que tirar um soninho no ônibus eu vou tirar mesmo (risos).

 

 

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