"Quando convoquei o Guerrero levei muita porrada", diz Autuori

  • REUTERS/Andres Stapff

Em setembro de 2004, o técnico Paulo Autuori resolveu apostar em um garoto de 20 anos ao convocar o Peru para os jogos contra Bolívia e Paraguai, válidos pelas Eliminatórias Sul-Americanas para a Copa do Mundo da Alemanha. O jovem havia deixado o país aos 18, após se destacar nas categorias de base do Alianza Lima, clube comandado pelo brasileiro em 2001. Foi simplesmente o início da era Paulo Guerrero pela seleção peruana.

Treze anos depois, Autuori reencontrará o antigo pupilo, agora com status de maior artilheiro da seleção do Peru em todos os tempos, no duelo entre Flamengo e Atlético-PR, pelo equilibrado Grupo 4 da Libertadores. Em entrevista exclusiva ao LANCE!, o treinador revela ter sido criticado, à época, pela decisão:

"Quando convoquei o Guerrero, ele estava no Bayern B. E eu convoquei mesmo assim. Tomei porrada e ouvi o seguinte: "Como você vai convocar um cara que joga no time B do Bayern?" Aí eu fui duro na resposta: "É lógico que eu vou. A segunda divisão lá é muito mais competitiva do que a primeira aqui no Peru. Só isso". Paolo já mostrava muita qualidade", comenta Autuori.

Guerrero passou em branco em estreia pela seleção, no dia 9 de outubro. Foi titular na derrota para a Bolívia por 1 a 0, em La Paz. O primeiro gol saiu no terceiro jogo, no dia 17 de novembro de 2004, na vitória por 2 a 1 sobre o Chile. Guerrero entrou aos 26 minutos do segundo tempo no lugar de Pizarro. Aos 40, marcou o gol da vitória por 2 a 1.

Autuori também deu a primeira oportunidade na seleção peruana para Farfán, que se transformaria na sequência em parceiro de ataque de Guerrero. Ao definir o centroavante do Flamengo, ele é direto: "Paolo tem muita personalidade. O Pizarro também era intelectualmente acima da média".

Hoje, como adversários, Guerrero e Autuori fazem o sexto encontro. O último aconteceu pela última rodada do Brasileirão do ano passado. O empate sem gols, na Arena da Baixada, garantiu o Furacão na Libertadores. Para o treinador, o duelo no Maracanã tende a ser tenso pela situação do grupo: Universidad Católica (CHI) e Atlético somam quatro pontos, com o Flamengo na sequência com três. O San Lorenzo (ARG) ainda não pontuou. Cada clube ainda fará quatro jogos até a definição dos dois classificados.

"Em dezembro, eu e Paulo conversamos um pouco. Foi bom revê-lo bem. Sobre o jogo, temos toda a obsessão do Brasil por Libertadores, pois aqui se valoriza o Mundial de Clubes muito mais do que na Europa. E o carimbo destes dois jogos é eliminatório, pela situação do grupo e por termos dois jogos seguidos com o Flamengo. Esses dois jogos podem ser determinantes sim para o futuro da temporada. E nós temos ido neste ano nos jogos de eliminatória (Furacão eliminou Millonarios-COL e Deportivo Capiatá-PAR nas fases preliminares da Liberta). Vamos ver! O Flamengo tem uma grande equipe, grandes valores, o Maracanã estará lotado. Para nós é mais uma oportunidade de criar casco", completa Autuori.

 

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