Borja busca união de talento com aplicação sem bola para deslanchar

  • Eduardo Anizelli/Folhapress

Miguel Borja tem quatro gols em dez jogos pelo Palmeiras. A média está longe de ser ruim, mas o atacante colombiano ainda não é unanimidade no clube. Enquanto alguns torcedores reclamam de uma suposta apatia do centroavante, a comissão técnica tenta instigá-lo a ser mais participativo sem a bola. Com a bola, ele é considerado "um monstro", para usar o mesmo termo de uma pessoa do clube.

Eduardo Baptista detectou que o atacante praticamente não participava do jogo quando o time estava sem a bola. No dia do duelo de volta contra o Novorizontino, pelas quartas de final do Paulistão, o técnico chamou Borja para uma conversa reservada e apresentou a ele um vídeo com seis jogadas em que poderia ter colaborado mais, recuando para cercar o volante adversário, brigando mais pela segunda bola, sendo mais um na marcação...

O próprio Borja disse ao treinador que no Atlético Nacional (COL) praticamente não tinha obrigações quando a equipe estava sem a bola. Lá, o time funcionava para que ele recebesse em condição de definir. O técnico explicou que no Palmeiras será preciso entrar na sintonia dos companheiros, até para ganhar a confiança deles.

"Com a bola não precisa ensinar nada, mas sem a bola ele precisa nos ajudar um pouco mais", disse o treinador, na ocasião.

Naquele jogo contra o Novorizontino, a avaliação foi positiva. Borja incomodou mais o adversário na saída de bola e marcou um gol no segundo tempo. Nas duas partidas que vieram depois disso, ele não foi feliz.

Na vitória por 3 a 2 sobre o Peñarol, pela Libertadores, o colombiano foi substituído por Michel Bastos aos 22 minutos do segundo tempo, após perder um pênalti e outras duas chances claras. Willian assumiu a função de centroavante. Na derrota por 3 a 0 para a Ponte Preta, deu lugar a Alecsandro logo aos 12 minutos do segundo tempo.

Os números ajudam a entender as virtudes e os defeitos que Borja tem apresentado. Ao mesmo tempo em que é o atacante palmeirense que mais finaliza no Paulistão, com média 3,7 tentativas por jogo, ele é um dos que menos fica com a bola no pé (média de 29 segundos por jogo, superior apenas às médias de Alecsandro e Erik). Enquanto Willian fez 20 desarmes em 15 jogos no Estadual, Borja roubou quatro bolas em sete partidas.

No Palmeiras, Borja é considerado um atleta de enorme potencial, mas ainda em evolução e em adaptação ao futebol praticado pela equipe. Uma das premissas que guiam a "visão de futebol" do Palmeiras é ter "11 com a bola, 11 sem a bola". Isso não foi implantado por Eduardo Baptista ou qualquer outro treinador. É uma espécie de regra do clube desde que Alexandre Mattos e Cícero Souza assumiram a gestão do futebol, no início de 2015.

O Palmeiras está em situação confortável na Libertadores, com sete pontos após três rodadas e liderando o Grupo 5. No Paulistão, tem uma missão complicada no próximo sábado, às 19h, no Allianz Parque: terá de bater a Ponte Preta por três gols de diferença para levar a semifinal para os pênaltis, ou vencer por quatro ou mais gols de vantagem para ir à final.

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