Time forte, marketing e arena: o projeto da Ponte para se fixar como 'quinta força do estado'

A Ponte Preta eliminou o Santos nas quartas de final e, depois de vencer o Palmeiras por 3 a 0 no jogo de ida, tem grandes chances de deixar o Allianz Parque classificada para a decisão do Campeonato Paulista neste sábado. A chance de conquistar o título estadual pela primeira vez na história é real. E a Macaca não quer parar por aí.

O clube campineiro quer se consolidar como quinta força do estado, logo atrás dos quatro gigantes, e para isso montou um projeto que mistura marketing e futebol. A cereja do bolo seria a construção de uma arena no Jardim Eulina, onde hoje fica o centro de treinamento do clube. No último mês, sócios-torcedores participaram de uma pesquisa sobre o que esperavam ou desejavam de um novo estádio.

Os resultados do trabalho têm sido bons, tanto que os cinco representantes de São Paulo no Brasileirão deste ano serão justamente São Paulo, Corinthians, Palmeiras, Santos e Ponte Preta.

Veja abaixo os pilares do projeto pontepretano:

Time forte

A Ponte Preta terminou o Brasileirão do ano passado em oitavo lugar, o que configura a melhor campanha de sua história na competição. Neste ano, apesar da queda diante do Cuiabá na Copa do Brasil, a equipe está se mostrando competitiva mais uma vez no Campeonato Paulista.

O clube conseguiu manter destaques como Clayson e William Pottker - artilheiro do Brasileirão ao lado de Diego Souza e Fred, com 14 gols - e ainda repatriou o volante Fernando Bob e o meia Renato Cajá.

- A Ponte tem uma grande particularidade, uma grande vantagem, que é ter as contas em dia, ter uma gestão enxuta. Mas tem também um ambiente muito bom de trabalho, um estafe que está há muito tempo na Ponte, uma diretoria que já conhece bem o clube e está há bastante tempo. As contas são pagas em dia, temos uma torcida muito apaixonada, então tudo isso acaba levando o atleta a ter interesse em estar conosco, continuar conosco - disse o vice-presidente do clube, Giovanni Dimarzio.

Competir com os grandes clubes é difícil. Pottker, por exemplo, dirá adeus após o Paulistão para defender o Internacional. Por outro lado, a diretoria foi buscar o meia Xuxa no Mirassol. Ter um elenco competitivo é fundamental.

Curiosamente, o técnico que conduziu a Ponte na boa campanha de 2016 foi Eduardo Baptista, hoje no Palmeiras. Este ano começou com Felipe Moreira efetivado no cargo, mas Gilson Kleina retornou em março e, até agora, faz trabalho muito bom.

- O Eduardo Baptista é excelente treinador, deixou um legado muito grande aqui na Ponte, foi responsável direto pela excelente campanha do ano passado. É um amigo meu, tenho respeito e admiração por ele. Claro que o reflexo ainda existe. O Gilson Kleina está no comando hoje, está muito bem, é o grande responsável pela atual campanha da Ponte, mas o Eduardo fez um grande trabalho aqui também - elogiou Dimarzio.

Arena

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A torcida da Macaca é apaixonada pelo Moisés Lucarelli, inaugurado em 1948, mas a diretoria acredita que a construção de uma nova arena será fundamental para a consolidação do clube como a quinta força de São Paulo.

- Existem conversas já avançadas, o projeto já está na Prefeitura, já temos o "ok" da Prefeitura. Estamos agora em negociações com os possíveis investidores. Estamos em processo de finalização do projeto para poder iniciar as obras. Essa é a situação de momento da arena - explicou Giovanni Dimarzio.

Arenas inauguradas recentemente, como o Allianz Parque e a Arena Corinthians, servem de espelho.

- Nós temos uma equipe que trabalha em cima disso e obviamente tem contatos, está visitando várias arenas, está sempre acompanhando, vendo vantagens e desvantagens de cada uma para tentar fazer o melhor projeto possível. Existe um contato bem próximo com o Allianz Parque, com a Arena Corinthians. Mas cada arena tem sua particularidade e a nossa não vai ser diferente. Iremos de acordo com as necessidades da nossa torcida, da nossa região.

Patrocinadores

O departamento de marketing da Ponte Preta tem sido seletivo na hora de fechar contratos de patrocínio, sobretudo os pontuais. A ordem é se associar apenas a marcas consolidadas no mercado.

- No fim do ano passado contratamos uma pessoa para o comercial, para ir em busca de patrocínios pontuais. Hoje, a gente não fecha contratos fixos para o omoplata e nem para o espaço master nas costas da camisa, porque negociamos essas propriedades de forma pontual. E a gente busca marcas consolidadas, porque a Ponte é uma marca consolidada - explica Fabiana Fantini, do marketing da Ponte Preta.

Os últimos grandes acordos pontuais foram com a Cabify e a Alcatel para o jogo contra o Palmeiras pela primeira fase do Paulistão. Antes, contra o Corinthians, o clube já tinha feito um acordo pontual com as Casas Bahia. No primeiro jogo contra o Palmeiras, usou como pontuais Hospital Paulista e Viapol. Pizza Hut e IBF também já colocaram suas marcas na camisa.

Atualmente, seis marcas são parceiras fixas da Ponte Preta: Brasil Kirin, Pilot, Caixa, Minerva Foods e AM4. A Adidas é a fornecedora de material esportivo, com contrato renovado recentemente até 2020.

Sócios-torcedores

A Ponte Preta tem quase 20 mil torcedores e ocupa o 15º lugar no Torcedômetro, ranking do Movimento Por Um Futebol Melhor. O líder é o Palmeiras, com mais de 126 mil. Trata-se de uma fonte de receita importante, por isso o clube se preocupa em atrair novos sócios.

- A gente tem o Rota da Macaca, que é um projeto em que levamos cinco sócios-torcedores para ver os jogos fora de casa. Agora no Paulista, com todos os jogos dentro do estado, foi tranquilo executar. A gente faz o sorteio, dá o ingresso, leva os torcedores com a van e às vezes fazemos alguma ação com um patrocinador. A Pizza Hut fez pontual para os jogos contra São Paulo e Botafogo-SP, e lá em Ribeirão nós passamos na pizzaria, os sócios comeram e depois fomos para o jogo. A gente está pensando em fazer algo para o Brasileirão, talvez não nos mesmos moldes, devido às distâncias - conta Fabiana.

Redes sociais

Segundo pesquisa do Ibope Repucom, a Ponte Preta cresceu 12% nas redes sociais de janeiro a abril (Facebook, Instagram, Twitter e YouTube). É um incremento maior do que o obtido pelos quatro maiores clubes de São Paulo: Corinthians, São Paulo, Palmeiras e Santos.

- Nosso crescimento só não foi maior que o da Chape. A MP4, que está no nosso uniforme, é nossa empresa digital, faz nosso site, redes sociais e tudo mais. Desde o ano passado está sendo feito o projeto de reestruturar as mídias. Foram contratadas pessoas para cuidar disso. Eu, por exemplo, fico com o Twitter - explica a profissional do marketing.

O bom humor é uma marca das redes sociais da Macaca. Ao anunciar o volante Fernando Bob e o técnico Gilson Kleina, o departamento de marketing e comunicação usou gifs de desenhos animados do Fantástico Mundo de Bobby e dos Flinstones (com personagem Fred Flinstone).

Ações sociais

A Ponte Preta tem trabalhado com diversas ações sociais. Neste ano, por exemplo, o clube já promoveu diversas atividades para celebrar o Dia Internacional da Mulher, o Dia Internacional da Síndrome de Down, o Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo.

Além de ações antes das partidas, o clube promove palestras, eventos, além de outras atividades fora do campo para conscientizar os torcedores sobre todos esses assuntos.

- A nossa parte social é muito forte. Temos um projeto chamado Macacos do Futuro, em que trazemos as crianças para conhecerem o estádio ou fazemos o inverso, vamos a instituições e ONGs, levamos a Macaca, revistinha, levamos lanche. No jogo passado, o pessoal do (Centro Infantil) Boldrini estava precisando de medicamento para crianças com câncer e colocamos uma faixa que passou até no Fantástico - conta Fabiana.

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