'O problema da violência não são as organizadas', diz ministro do Esporte

  • Kleiton Amorim/UOL

As torcidas organizadas do futebol brasileiro podem ficar tranquilas. No que depender do ministro do Esporte, Leonardo Picciani, a extinção dessas organizações não é uma opção em estudo. De acordo com o ministro, o principal problema da briga entre os torcedores no futebol brasileiro são as pessoas que se infiltram nas torcidas organizadas. Picciani discorda que as torcidas promovam a violência dentro e fora dos estádios.

"O problema da violência não é a torcida organizada. O problema são os marginais que se infiltram nas torcidas organizadas para criar baderna, confusão, praticar violência e atos de vandalismo. Tenho a convicção que é a minoria de torcedores. Mas é uma minoria que causa um prejuízo muito grande para a sociedade e a maioria dos torcedores como um todo", considerou o ministro.

Para acabar com as brigas entre torcedores, Picciani disse que um grupo de trabalho foi criado e envolve as pastas de Esporte e Justiça. Ele destacou que seu ministério não tem autonomia para executar punições. O ministro contou que tem procurado cumprir o papel do ministério com campanhas de conscientização e contra a violência entre a torcida. Mas reconheceu que somente elas não surtirão o efeito desejado.

"Aqueles que causam tumulto, brigam e até matam pessoas nos estádios são uma minoria específica de arruaceiros. São pessoas que não respeitam as normas de convivência, não respeitam a lei. Na verdade, é um crime que se comete. Elas têm de ser tratadas como pessoas que cometem crimes. É preciso identificar e não é difícil. E ter medidas que impeçam eles de praticar esse tipo de violência", disse Picciani.

Segundo o ministro do Esporte, as medidas que podem ser tomadas para punir os agressores ainda estão em estudo. Picciani afirmou já ter passado informações ao poder judiciário e Ministério Público para que possam estabelecer as penas. A expectativa do político é a de que o Judiciário determine a melhor forma de restrição aos estádios para os vândalos. Punição que pode ser um banimento, com a apresentação em delegacias ou fóruns nos dias de jogos.

BATE-BOLA - Leonardo Picciani - Ministro do Esporte

A CBF, sob o argumento de se ajustar ao Profut (programa de modernização da gestão e responsabilidade fiscal para o futebol), promoveu uma mudança em seu estatuto mas beneficiou as federações estaduais em detrimento dos clubes. O que achou da manobra?

Creio que é importante dar voz aos clubes. Sobretudo os clubes que movimentam um grande número de torcedores e são verdadeiros patrimônios do Brasil. Evidentemente que o futebol brasileiro tem uma característica importante e não podemos desprezar que é a participação das federações. O Brasil é uma fábrica de jogadores e nem todos os atletas começam ou têm sua oportunidade em um grande clube. Temos de encontrar uma forma de equilibrar essa equação. Acho que os dois devem ter voz ativa, tanto federações quanto clubes. Mitigar a participação de um em benefício do outro não é o melhor caminho.

Vai fazer algo sobre esse novo embate dos clubes com a CBF?

Vamos tomar conhecimento do que ocorreu. O nosso posicionamento político é que o objetivo deva ser sempre o fortalecimento do futebol. Então, a ótica que analisaremos essas questões será a do fortalecimento do futebol. Ouviremos todos que participam dessa relação e, com equilíbrio, buscaremos uma solução.

O ministério pode fazer algum tipo de intervenção na CBF?

Não há um fundamento legal para que o ministério faça alguma intervenção em qualquer entidade que seja. O direito à livre associação é uma garantia constitucional e as experiências anteriores em que se pretendeu fazer intervenção em entidades esportivas mostram que a própria justiça não permitiu. O que o ministério deve fazer, com o seu papel regulamentador, é ajudar a disciplinar essa relação de forma eficiente. E ao defender isso, não falo só a CBF. Temos de ter uma regra única e efetiva para todas as entidades esportivas.

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