Fla-Flus dos títulos - Capítulo 2: Duas vezes Flamengo!

Após o Fluminense levar a melhor nos dois primeiros embates com o Flamengo em finais (em 1936 e 1941), as decisões seguintes tiveram alegria em vermelho e preto no Carioca. Diante do jogo de maior público oficial da história do Maracanã, o Rubro-Negro deu a volta olímpica em 1963. E, nove anos depois, o gringo Doval e Paulo Cesar Caju garantiram o aguardado fim de jejum da equipe no Estadual.

1963 - FLAMENGO CAMPEÃO - 0x0

O Carioca de 1963 se desenhava para o bicampeão Botafogo de Garrincha & Cia. Ou para o Bangu, que teve um início excepcional. Mas a regularidade na competição levaram Flamengo e Fluminense para a última rodada como os únicos candidatos ao título. Era dia 15 de dezembro. O Rubro-Negro tinha 38 pontos, o Tricolor. 37.

O interesse pela partida era gigantesco e prova disso foi que o público que compareceu ao estádio - 177.020 - até hoje só é oficialmente superado pelo jogo Brasil x Paraguai pelas Eliminatórias de 1969 e ostenta a marca de jogo entre clubes com a maior audiência da história do futebol brasileiro.

O jogo em si foi bem truncado, com o Flamengo jogando pelo empate e cadenciando a partida, até porque estava com seu principal volante, Nelsinho, jogando no sacrifício, o que fez seu companheiro Carlinhos (Violino, que depois se tornaria técnico de sucesso no Fla) se desdobrar. O Fluminense, embora tenha buscado o ataque, parou nas mãos do goleiro Marcial, o herói da partida e a torcida lamentou muito um gol feito perdido por Escurinho.

Foi um triunfo da superação para um time que perdeu sua maior revelação (o 'Canhotinha' Gérson, que, às turras com a diretoria, acabaria sendo negociado para o Botafogo) e tinha Dida, maior ídolo do clube (até o surgimento de Zico) em fim de carreira.

FLAMENGO 0x0 FLUMINENSE

LOCAL: Maracanã, Rio de Janeiro (RJ)

PÚBLICO: 177.020

ÁRBITRO: Claudio Magalhães

FLAMENGO: Marcial; Murilo, Luis Carlos, Ananias e Paulo Henrique; Carlinhos e Nelsinho; Espanhol, Aírton, Geraldo e Osvaldo T: Flávio Costa

FLUMINENSE: Castilho; Carlos Alberto Torres, Procópio, Dari e Altair; Oldair e Joaquinzinho; Edinho, Manoel, Evaldo e Escurinho. T: Zezé Moreira

OS DESTAQUES

NO FLAMENGO

Embora o elenco do Flamengo de 63 tivesse ídolos do porte de Carlinhos,

Nelsinho e Dida (este em reta final de carreira e na reserva), a final de 1963 teve um herói: o goleiro Marcial. Suas defesas salvaram o Flamengo. Aquele 15/12 foi o dia da sua vida.

NO FLUMINENSE

O elenco tinha Carlos Alberto Torres (para muitos, o maior lateral-direito da história) em início de carreira e hoje é o Capita do Tri o nome de maior relevância daquele elenco. Mas, na época, não havia dúvidas. O mítico goleiro Castilho era o cara. Amargou o vice, (mas em 64 seria campeão).

'Suspense em jogo lotado'

Trecho extraído do livro 'Fla-Flu - O Jogo do Século', de Roberto Assaf e Clóvis Martins, da Editora Letras & Expressões

O Maracanã recebe 177.020 pagantes, maior público da história dos Fla-Flus, em época de crise no país. Ao Flamengo, basta o empate para findar o jejum. Para o Fluminense, o duelo começou mal: um dia antes, o time foi passear em Teresópolis e o ônibus enguiçou.

O tricolor toma as rédeas, assusta. Aos 40 da etapa final, quando a torcida do

Flamengo ensaiava uma comemoração, Escurinho chuta para a mais importante defesa de Marcial. Fim do suspense. Desabafos, e a torcida canta o sucesso "Marcha do Remador".

1972 - FLAMENGO CAMPEÃO - 2x1

O Fla-Flu de número 215 da história definiu o campeão carioca de 1972. Era o último jogo de um triangular final que contou com o Fla (campeao do turno), Flu (campeão do returno) e Vasco (campeão do terceiro turno). O vencedor levaria o caneco e se ocorresse empate, haveria uma partida extra.

Os dois times tinham muitos astros. O argentino Doval comandava o ataque do Rubro-Negro, mas quem arrebentava era Paulo Cesar Caju, tricampeão de 1970 e recém-contratado ao Botafogo. O Fluminense não ficava atrás com Gérson Canhotinha, que finalmente defendia o clube de seu coração.

A decisão foi no feriado de 7 de setembro e levou mais de 136 mil ao Maracanã. A torcida rubro-negra foi ao êxtase no primeiro tempo, com os gols de Doval e de Caio Cambalhota. Com 2 a 0 no placar, o Rubro-Negro foi bem menos ousado na etapa final e, quando levou o gol de Jair aos 15 minutos, em um lance que começou num cochilo do ex-júnior Vanderlei (Luxemburgo, que viria a ser técnico renomado).

O jogo ficou emocionante, com o Fluzão lançado no ataque e o Flamengo conseguindo segurar o resultado e fazer a alegria da sua torcida, que desde 1965 não festejava o título estadual.

FLAMENGO 2x1 FLUMINENSE

LOCAL: Maracanã, Rio de Janeiro (RJ)

PÚBLICO: 136.829 pagantes

ÁRBITRO: Oscar Scolfaro

GOLS: 23' 1T Doval (1-0); 38' 2T Caio (2-0); 15' 1T (2-1)

CARTÕES VERMELHOS: Moreira

FLAMENGO: Renato; Moreira, Chiquinho, Reyes (Tinho), e Vanderlei; Liminha e Zé Mário; Rogério (Vicentinho), Caio, Doval e Paulo Cesar Caju T: Zagallo

FLUMINENSE: Félix; Oliveira (Toninho), Ari, Hercílio, Assis e Marco Antônio; Denílson (Ivair) e Gérson; Cafuringa, Didi, Jair e Lula T: Pinheiro

OS DESTAQUES

NO FLAMENGO

Paulo César Caju foi o cérebro da equipe e Zico (com 18 anos) começou a ser

lançado aos poucos. Mas o cara foi Doval. O atacante, que voltara ao Rubro-Negro depois de um período no Huracán, só deixou de jogar uma partida e foi o artilheiro do time com 16 gols.

NO FLUMINENSE

O excelente time do Fluminense tinha os tricampeões com a Seleção de 1970, Félix, Gérson e Marco Antonio como seus astros. Nos Fla-Flus, o atacante Jair apareceu bem: fez gols nos três dos quatro clássicos que ocorreram naquele Estadual.

Drama e 'superstição'

Trecho extraído do livro 'Fla-Flu - O Jogo do Século', de Roberto Assaf e Clóvis Martins, da Editora Letras & Expressões

Mesmo com a TV em cores como novidade, não houve transmissão, e 137 mil pessoas foram ao Maracanã. O Flamengo fez 2 a 0. Na etapa final, o técnico tricolor mandou explorar o setor esquerdo. Wanderley Luxemburgo deu de graça a Gérson, que lançou Jair, e o atacante diminuiu.

O Flamengo resistiu e venceu o título após fim dramático. Vice de futebol, Flávio Soares de Moura, explicou o "segredo": ''Não deixei que o presidente André Richer raspar a barba depois do título da Taça Guanabara. A superstição vingou".

Não perca! Nesta quinta-feira, o LANCE! continua a contar a saga das finalíssimas do Fla-Flu, trazendo as conquistas do Fluminense em 1973 e em 1984.

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