Menos atletas, mais oportunidades: base aumenta influência no São Paulo

  • Felipe Espindola/saopaulofc.ne

    Militão (no centro) foi promovido no São Paulo

    Militão (no centro) foi promovido no São Paulo

Falta de dinheiro, justificativa para os investimentos em Cotia e filosofia de jogo de Rogério Ceni. Esses são alguns dos fatores que fizeram o São Paulo intensificar o uso dos produtos de suas categorias de base nesta temporada. Nos últimos dois anos, as crias do CFA Laudo Natel cavaram cada vez mais espaço e agora se consolidam como armas do time tricolor.

No atual elenco, são 12 atletas com passagem pela base do clube: o goleiro Lucas Perri, os zagueiros Breno, Rodrigo Caio e Lucão, o lateral-esquerdo Júnior Tavares, os volantes Wellington, João Schmidt, Araruna e Militão, os meias Lucas Fernandes e Shaylon e o atacante Luiz Araújo. Perri e Militão são os únicos que ainda não jogaram, enquanto Foguete e Lyanco atuaram uma vez cada, mas foram transferidos - Vila Nova, por empréstimo, e Torino (ITA), respectivamente.

Como em outros anos, a comissão técnica profissional também observou jovens talentos durante os treinamentos. Em 2017, as oportunidades foram dadas a nomes como Caique, Léo Natel, Oliveira, Roni e Tom. Tudo cumprindo uma promessa de Ceni e seguindo o histórico do auxiliar inglês Michael Beale, oriundo das bases de Liverpool e Chelsea.

Mas para provar que Cotia e Barra Funda estão integrados de vez é preciso comparar os dois últimos anos, quando o São Paulo mergulhou em problemas políticos e financeiros e passou a apontar a base como salvação. Neste ano, que começou a ter jogos em 19 de janeiro e soma 25 partidas disputadas, já foram registradas 129 participações de atletas formados em Cotia, com seis gols marcados e dez assistências.

Na temporada passada, 15 atletas da base foram utilizados ao longo de 11 meses de competições e o número de participações de pratas da casa foi de 192, com 13 gols e nove assistências. Já em 2015, foram 159 participações, com seis gols e seis assistências durante todo o ano.

A melhora dos números pode ser explicada pelo aumento da experiência dos garotos, calejados pelos maus momentos do clube. Há ainda o respaldo da torcida, sempre favorável a mais espaço para Cotia. E, claro, o de Ceni. Basta ver que Araruna e Júnior, promovidos em janeiro, já somam 17 e 23 partidas, respectivamente. Confiança do chefe e sequência para desenvolver o talento.

O treinador chegou a promover outros nomes, como os zagueiros Tormena e Kal, mas optou por emprestá-los para ganhar experiência em outras equipes. Além deles, foram cedidos o zagueiro Maidana, os volantes Banguelê e Artur, o lateral-esquerdo Matheus Reis e o centroavante Pedro. E todos sabem: quem se destacar certamente estará no radar da equipe principal do Tricolor.

Ainda assim, há cautela de Ceni. Preocupado com a falta de ritmo de Lucas Fernandes, recém-recuperado de duas lesões, pediu que o meia fosse aproveitado pelo sub-20 no Campeonato Paulista da categoria. Shaylon, com dificuldades para enfrentar a concorrência no setor ofensivo, pode ser emprestado a um clube da Série A. Preocupação com o futuro.

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