Cícero esclarece polêmica, defende Ceni e pede humildade no São Paulo

O volante Cícero negou nesta quarta-feira que haja qualquer problema dele com Rogério Ceni. O camisa 8 saiu em defesa do treinador, disse que confia absolutamente no seu trabalho e destacou que o maior incentivador de sua volta ao São Paulo foi justamente Ceni.

Cícero pediu para conceder entrevista após a ESPN noticiar um possível entrevero entre ele e o técnico. O episódio relatado aconteceu no intervalo do primeiro jogo da semifinal do Paulista, contra o Corinthians, no Morumbi. Irritado com o time, que perdia por 2 a 0, Ceni entrou furioso no vestiário e uma das reações teria sido atirar uma prancheta no chão. O objeto teria acertado Cícero. O volante minimizou deu detalhes diferentes sobre o caso.

- No intervalo do jogo, a gente estava chegando no vestiário. Coisa natural que acontece em vários outros lugares. Eu estava sentado. E o Rogério deu um chute, não numa prancheta, e, sim, num quadro. Falaram que pegou na cara, não tem nada a ver. O quadro caiu na minha direção, resvalou no pé, nem chegou a pegar em mim direito. Isso é coisa normal, vários treinadores falam de dar uma chacoalhada no vestiário e realmente voltamos melhor - afirmou Cícero.

Cícero criticou a forma como o assunto foi abordado. Segundo ele, deram margem maior ao episódio. E, em vários momentos da entrevista, ele falou em boa relação com Ceni e apoio irrestrito ao trabalho do treinador.

- Falaram até que tinham tido uma confusão entre eu e o Rogério. O Rogério que brigou para eu estar aqui. Ele é um mito, temos de aprender com ele. É mais fácil eu sentar com ele para jogar um baralho, do que ter uma discussão com ele. Ele é uma referência, acho que a gente tem de ter a gana que ele teve, para ter os resultados em campo - disse o camisa 8.

Na partida contra o Corinthians, que venceu por 2 a 0, Cícero começou no banco mas entrou ainda no primeiro tempo por conta da lesão de Wellington Nem. Depois, foi titular contra o Cruzeiro no Mineirão, pela Copa do Brasil, e também contra o Corinthians, no jogo de volta, na Arena. Após 17 dias, o time voltou a jogar contra o Defensa y Justicia (ARG), pela Copa Sul-Americana, mas Cícero não jogou porque estava com febre. Ele ficou no banco no último domingo, contra o Cruzeiro, também no Mineirão.

De fato, foi Rogério quem brigou pela contratação de Cicero. Os dois foram campeões da Copa Sul-Americana em 2012 e o treinador sempre falou sobre a admiração que tem pelo volante.

Na entrevista, Cícero também pediu humildade para o São Paulo sair do momento difícil, criticou o vazamento de informações, e disse que gostaria de saber quem foi o responsável. Veja os principais trechos abaixo:

A polêmica

Ontem eu estava chegando ao treinamento. Eu não sabia disso, fiquei sabendo por mensagem no meu celular. Quando vi, estranhei. Foi uma situação que eu não estava entendendo nada. No momento eu pensei: "Que notícia é essa? Isso é uma mentira". O que aconteceu, quando alguém de uma emissora me procurou para dizer isso, falou que foi numa quinta-feira, e nem na quinta eu estava no Morumbi por causa da febre. E falou que por causa disso, eu não joguei contra o Cruzeiro. E no sábado, eu ainda não estava bem da febre. Tomava remédio, ia e voltava. Conversei com o doutor Sanchez e tomei antibióticos. Eles iam até me deixar fora da viagem, porque não tinha condições. E partiu de mim, porque como tomei antibiótico no sábado, achei que poderia estar melhor. Então eu falei que era momento de jogar, conturbado, e eu pedi para viajar. Fiquei como opção. E depois, 30 minutos de programa, a pessoa desmente o caso, falando que aconteceu no clássico contra o Corinthians.

Relação com Rogério

Na minha visão criaram uma situação sem pé nem cabeça, por causa de algo que caiu no meu pé, nem caiu direito. E já começaram a falar de time de Cícero e Rogério. Quem sou eu para confrontar com o maior ídolo do clube? A gente tem muito a aprender com ele. O trabalho dele, sendo sincero, é bom. Todo mundo falava isso no começo da temporada, do futebol pra cima. Mas as eliminações pesam muito nisso. Hoje realmente não estamos bem. É o momento de calçar as sandálias da humildade, pés no chão. A gente está com ele, o trabalho é bom, são só cinco derrotas. E eliminações, as pessoas começam a fuçar algumas coisas, para achar culpado, dizer que fulano brigou com beltrano. Temos de parar com isso. Trabalhar aqui, chamar os torcedores para apoiarem, que precisamos. Blindar os mais novos, que não precisam aparecer numa situação dessas. Não podemos falar que está bom, porque não está, mas temos tempo ainda no Brasileiro para fazer uma grande temporada. E o Rogério, dentro da linha de raciocínio dele, a longo prazo vai dar muito o que falar ainda. Mas vai depender de nós, jogadores, continuar esse trabalho

Vazamento não é um problema?

É coisa natural. Porque as coisas quando não dão certo, as pessoas começam a fuçar as coisas para encontrar culpado, encontrar alguma coisa. Mas nós aqui temos que estar unidos para sair dessa situação. Eu tive um ambiente muito bom em 2012, fator primordial para ser campeão. E o grupo de hoje é um dos melhores que eu trabalhei em toda minha vida. Todo mundo fala com todo mundo, sem vaidade, sempre brincando. Então temos tudo para sair dessa situação. E as pessoas começam a falar essas coisas para achar um culpado

Quem foi o responsável?

Eu gostaria de saber quem foi. Soltar uma coisa dessas, que não é verdade, não tem cabimento. Não condiz com a situação. A minha gripe permanece até hoje, está no final, estou até treinando normal pelo meu corpo. Às vezes, as coisas entram na sua cabeça a mais, como aconteceu comigo quando eu era mais novo. Mas às vezes você tem que calçar as sandálias da humildade. E na minha carreira eu cheguei aqui pela regularidade. E se deslumbrar, com pessoas mais novas, acaba acontecendo. E tem de ter pessoas para falarem, "ainda não ganhamos nada". Então essas coisas podem até partir de nós, jogadores, para tentar mudar

Ceni chamou jogadores para conversar?

Estou sabendo agora, se chamou jogadores para conversar. Escutei que chamou sete jogadores para falar, eu não presenciei isso. A conversa que eu tive foi do último jogo, da situação gripal que eu estava. Isso eu confirmo. Ele conversou comigo, é melhor você ficar, mas eu fiz questão de viajar para Belo Horizonte. Mas, no campo, às vezes você conversa alguma coisa de esquema tático, do jogo. Não teve nada de grupal, que chamou jogadores para conversar. Às vezes, quando as coisas não estão encaixando, as pessoas procuram coisas para aumentar.

Se essa informação vazou, o grupo então não está tão unido?

Mas será que foi de jogador? A gente não pode dizer. Você lida com várias pessoas, então não dá para cravar. Quem pode cravar é quem passou essa informação. Aí vamos encontrar a verdade dessa história.

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