Chape não pode ser punida sem comunicação oficial, diz especialista

Após a vitória épica na noite da última quarta-feira por 2 a 1 contra o Lanús , na Argentina, a Chapecoense pode se complicar na Conmebol. O clube catarinense foi informado que o zagueiro Luiz Otávio havia sido suspenso pela entidade minutos antes de a bola rolar. A confusão começou quando os jogadores das duas equipes estavam prontas para entrar no gramado de La Fortaleza. O delegado da partida verificou a checagem de jogadores que constavam na súmula e contestou o clube por manter o zagueiro que estava escalado de forma irregular.

A Chapecoense, por meio de sua diretoria, disse que foi surpreendida com a notícia e declarou que o clube foi comunicado verbalmente pela Conmebol somente dois minutos antes da partida. Revoltado, o presidente Plínio David de Nês, o Maninho, decidiu bancar a escalação do defensor. A Conmebol puniu o atleta com três jogos de gancho por expulsão diante do Nacional, porém a Chapecoense diz desconhecer a suspensão.

Os brasileiros, porém, argumentam que ele já cumpriu a pena na final da Recopa Sul-Americana. A Chape diz ainda que sequer foi notificada da suspensão pela CBF. Diante dos fatos, a posição de manter a escalação inicial foi confirmada. Ao saber da confusão envolvendo o zagueiro da Chape, o Lanús protestou no intervalo. Os dois clubes aguardam um posicionamento oficial ainda nesta quinta-feira.

A reportagem do LANCE! ouviu o advogado especialista, João Henrique Chiminazzo para explicar o que pode acontecer com o time brasileiro. Para ele, o clube catarinense não poderá ser punido, caso fique comprovado que a Conmebol não o tenha notificado. O advogado ressalta que o caso precisa ser investigado mais detalhadamente:

- Um dos princípios gerais do direito é o da publicidade, ou seja, os atos devem ser públicos e seus efeitos devem surtir efeito após essa publicação/intimação da parte interessada. Portanto, se o clube não foi intimado, não há como ser punido. O que precisa ser verificado é se o clube e o atleta saíram intimados no momento do julgamento - esclareceu o advogado.

Chiminazzo comentou que o fato da Conmebol ter avisado verbalmente à Chape antes do jogo não tem nenhuma relevância. O advogado reforçou que a entidade sul-americana não agiu de maneira correta ao informar à Chapecoense minutos antes do jogo. Ele acredita ainda que a Conmebol não será punida pela Fifa.

- Essa comunicação verbal de dois minutos antes do jogo não tem força probatória nenhuma. Se ocorreu da maneira relatada, não. A intimação do clube não poderia ser dois minutos antes da partida. Não acredito em punição da Conmebol pela Fifa. Creio que se a Chapecoense comprovar que não houve a devida intimação, ela não será penalizada - complementou.

A Chape realizou as buscas pelo email oficial se a punição imposta pela Conmebol havia chegado ao clube e nada foi encontrado. Depois o clube entrou em contato com a CBF e a entidade do futebol brasileiro também afirmou que não comunicado pela instituição Sul-americana. Após o encerramento do embate diante da equipe argentina, o mandatário do time catarinense esclareceu a situação e tranquilizou os torcedores.

- O jogador que entrou em campo estava dentro do regulamento. Nós não temos nada a declarar além disso, além da nossa convicção. Estamos tranquilos. O que mais importa para nós é termos jogado, vencido e estar conscientes da nossa responsabilidade diante do nosso torcedor e do futebol brasileiro. Defendemos aqui o futebol brasileiro. Não houve aviso oficial em nenhum momento - disse o presidente, em coletiva depois do jogo.

- Temos provas disso. Tanto é que estamos tranquilos por essa razão. A decisão foi minha, como presidente do clube, de entrar em campo com os jogadores que estavam programados para jogar. Dois minutos antes recebemos um aviso e que nos foi dado sem nenhuma legalidade maior, a não ser verbal - completou.

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