Ao L!, Roger lembra do dia que calou São Januário e Abel foi demitido

O clássico desta tarde contra o Vasco, em São Januário, será um teste de fogo para os garotos do Fluminense. Do provável time titular, sete jovens nunca fizeram uma partida profissional no estádio. Mesmo assim, Abel Braga sabe do que os moleques de Xerém são capazes. Em 2000, quando estava o outro lado, sentiu na pele.

Como treinador do Vasco, há 17 anos, enfrentou o Tricolor na Colina por uma vaga nas quartas de final da Copa do Brasil. No jogo de ida, empate por 1 a 1 no Maracanã. Quem vencesse, garantia a vaga e o empate por 0 a 0 era do time da casa. Na defesa vascaína, Alexandre Torres, hoje dirigente nas Laranjeiras. E o Fluminense foi pra cima logo no começo: com um minuto de jogo, Magno Alves, com 23 anos, abriu o placar.

- Lembro, lembro. Tinha o Magno Alves no ataque... Mas o que o Roger Flores fez no jogo foi um absurdo - lembrou Abel, no CT Pedro Antonio.

- Abel disse? Tive uma atuação individual espetacular - comentou Roger, ao LANCE!.

- Eu lembro que tinham provocado o Fluminense. Falei: 'Não provoca os caras, deixa eles'. Fomos eliminados ali - revelou o treinador, que foi demitido do clube logo após o resultado negativo.

Com 21 anos, o garoto revelado em Xerém fez uma de suas maiores atuações da carreira. Muito disso se deve às declarações do presidente vascaíno, Eurico Miranda, que ameaçou multar a própria equipe se perdesse para um 'time de segunda divisão' - o Fluminense voltou a disputar a elite naquele ano, após conquistar a Série C em 1999. Segundo o meia, a torcida adversária e as provocações o motivavam em campo. Mesmo com um time inferior, Roger brilhou na Colina e criou o segundo do Fluminense, praticamente eliminado o rival da Copa do Brasil.

- O Vasco tinha uma seleção, um time muito superior. Eu lembro de algumas declarações do Eurico, dizendo de bicho, que não aceitava perder, que era time de segunda divisão e realmente foi uma das grandes noites minhas. Tive uma atuação individual espetacular - disse o ex-jogador, antes de relembrar alguns lances.

- Lembro que domino uma bola no meio de um monte e depois faço uma jogada, tiro da cartola uma mágica onde todo mundo achava que a bola ia sair. Não tive espaço com a perna direita e toquei com a esquerda em cima da linha de fundo pra Agnaldo fazer o segundo gol. Logo depois faço outra jogada, driblo o goleiro, bato, ela corre em cima. Tivemos alguns problemas, o Zetti não estava em um bom dia. Levamos um gol contra, outro de falta com falha nossa. Teve uma briga com Viola, César, Régis... jogo foi uma loucura

Jogar em São Januário é realmente difícil pela pressão da torcida vascaína? Vira um caldeirão?

- É muita pressão. Naquela época devia ter 40 mil pessoas no estádio, hoje cabem 20. Era o dobro. A pressão era muito maior. Como a gente começou ganhando e o Vasco precisava virar, a torcida cresce, empurra.

Você acha que o time jovem do Fluminense pode sentir nesta tarde?

- Acho que não. Vão encontrar a mesma atmosfera que encontraram no Independência (contra o Atlético-MG), por exemplo. Eu sempre fui bem diferente, preferia jogar com torcida contra. A molecada está muito bem pro jogo, incorporaram o espírito. O Abel sabe bem como motivar o time e acredito não vão sentir a pressão

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