Inquérito: Agente de Victor Ramos alterou e-mails usados pelo Inter

A confusão gerada pelo vazamento dos e-mails das conversas entre CBF e Vitória e o uso do conteúdo por parte do Internacional no processo envolvendo o zagueiro Victor Ramos tem como pivô o empresário Francisco Godoy. Ele cuida da carreira do defensor e, segundo o inquérito do STJD, foi o autor das alterações do conteúdo das conversas entre dirigentes da diretoria de registro e transferências e o clube baiano.

A história começou quando o Monterrey entrou em contato com os representantes de Victor Ramos para buscar uma alternativa face o esquecimento do clube em solicitar o retorno do ITC (Certificado de Transferência Internacional, sigla em inglês) através do sistema de transferências da Fifa, o que era obrigatório. Os advogados do jogador também foram contatados (Breno Ramos Tannuri e André Ribeiro).

Diante da abertura do processo disciplinar na Fifa, que viria a resultar em multa ao Monterrey, Antonio Gutiérrez, representante legal do clube mexicano, solicitou documentos que pudessem auxiliar na defesa do clube. Entre eles estão os e-mails da conversa entre Vitória e CBF. Gutiérrez informou e comprovou no inquérito que o envio foi feito por Francisco Godoy, empresário de Victor Ramos.

Godoy afirmou ao STJD que recebeu as conversas de Anderson Barros, então gerente de futebol do clube baiano. Os conteúdo da mensagem Barros-Godoy é o mesmo que consta nos servidores da CBF. Só que nos e-mails encaminhados por Godoy a Gutiérrez há as mesmas alterações do conteúdo juntado pelo Internacional no processo.

Questionado pelo STJD, Godoy alegou que fez as alterações "para resumir as informações para facilitar o entendimento dos mexicanos" e que jamais teve a intenção de alterar o contexto das coisas. "O objetivo foi sempre regularizar a situação do atleta" e "ninguém solicitou as mudanças.

António Gutiérrez transformou os e-mails em arquivo PDF e encaminhou para Décio Berman, no dia 6 de dezembro de 2016. Berman passou o conteúdo, então, ao advogado André Ribeiro. No dia seguinte, Ribeiro passou o arquivo adulterado a Felipe Baumann, advogado do Inter. Do clube, a mensagem chegou ao escritório de Rogério Pastl e Diego do Canto. Eles enviaram ao STJD, em uma petição, juntando o conteúdo ao processo do Caso Victor Ramos. Segundo o inquérito, o intervalo entre o recebimento pelos advogados do Inter e a juntada foi de 81 minutos.

Francisco Godoy, Antonio Gutiérrez, Décio Berman e André Oliveira não estão sob a jurisdição do STJD e, portanto, não podem ser julgados pelo caso na corte desportiva. No entanto, o inquérito será enviado ao Ministério Público Federal para apuração de eventual ilícito criminal.

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