Jobson é suspenso de torneio amador após agredir adversário e árbitro

  • Vitor Silva / SSPress

Rodovia TO-080, entre Marianópolis e Divinópolis, região oeste do Tocantins. Eram 16 horas na última sexta-feira quando Jobson levou o maior susto de sua vida. Dentro de um carro com mais quatro amigos, o atacante estava como passageiro. De repente, o motorista tentou desviar de uma saliência na pista e o automóvel capotou. Na "roleta russa", Jobson sofreu apenas ferimentos leves. Um amigo não teve a mesma sorte. Foi parar embaixo do veículo e não resistiu. De acordo com a Polícia Militar de Marianópolis, latas de cerveja e um litro de uísque estavam no carro. Jobson, de 29 anos, ficou "por um fio" de partir deste mundo suspenso do futebol. Não só do futebol profissional, mas também do amador. O LANCE! obteve detalhes deste gancho inusitado na várzea, mais uma polêmica insólita com o atleta. O motivo da punição? A gente explica...

Suspenso do futebol profissional pela Fifa até março de 2018, por não fazer um exame antidoping no dia 25 de março de 2014, quando jogava no Al-Ittihad, da Arábia Saudita, Jobson decidiu jogar o torneio amador de sua cidade natal, Conceição do Araguaia (PA). O atacante ingressou no Cangussu, da segunda divisão do Campeonato Conceicionense. Em 1º de maio, no jogo entre Cangussu e Vila Rio, Jobson acertou o rosto de um rival que chegava por trás em uma tentativa de desarme. Expulso, o centroavante partiu para cima do juiz. A confusão foi grande, resultando em suspensão de 180 dias. Em entrevista ao LANCE!, o presidente da Liga Esportiva de Conceição do Araguaia, Everaldo Lisboa, deu detalhes do episódio.

"O Jobson estava com a bola no pé. O adversário veio por trás e o Jobson deu um tapa, jogou a mão para trás, com intenção. Pegou na cara do adversário, que caiu. O juiz aplicou o cartão vermelho e então o Jobson partiu para cima dele. Foi um tapa no peito, tipo um empurrão, mas batendo firme. Aí o juiz se defendeu. Só que o juiz era mais forte que o Jobson, então segurou ele e o dominou. Os jogadores tiveram que apartar. O Jobson foi julgado pela nossa comissão disciplinar e pegou a pena mínima por agressão a árbitro e jogador, que é de 180 dias - disse Everaldo, contando a tristeza de Jobson pelo gancho.

"Quando ele era juvenil, começando aqui na cidade, aconteceram várias brigas dele dessa mesma forma. Ele ficou chateado com a suspensão, pediu para diminuir o gancho. Mas como já era a mínima para o artigo, não teve como. O time dele estava ganhando por 1 a 0, com gol do próprio Jobson, quando aconteceu a confusão. E o time dele ainda venceu por 2 a 0", comentou.

Everaldo Lisboa conhece o atacante há muito tempo: ele foi o primeiro técnico de Jobson. Comandou o talento ainda jovem, em uma escolinha de futebol em Conceição do Araguaia. São muitas as lembranças do habilidoso rebelde.

"Ele treinou comigo dos 10 aos 15 anos. Sempre teve muito potencial, joga muito, desde pequeno. Ele apareceu lá no treino uma vez perguntando como fazia para conseguir uma vaga para jogar. Eu disse: 'Você leva certidão de nascimento, faz a ficha, pede para sua mãe autorizar'. Quando ele voltou e foi para o treino... Aí eu vi que o bichinho era craque. Mas sempre enfezado, qualquer coisinha já queria brigar. É de pequeno, é de nascença. Se o cara chegava duro nele, ele deixava a bola e ia para cima do adversário", falou.

Por mais incrível que possa parecer, o tumulto em campo não foi o primeiro problema de Jobson na Liga de Conceição do Araguaia. No ano passado, o atacante faria sua estreia na primeira divisão local, mas acertou com dois times diferentes ao mesmo tempo. Como a dupla filiação não é permitida, o jogador ficou barrado da edição do torneio. O caso gerou atrito com Everaldo Lisboa.

"Jobson assinou com duas equipes e acabou não jogando por nenhuma. Ele ficou chateado comigo, achou que fomos rígidos. Nunca mais falou comigo. Hoje eu não tenho mais nenhum contato com ele", destacou Everaldo, relatando também o declínio de um jogador que já vestiu as camisas de grandes clubes e atuou em palcos ilustres do futebol brasileiro:

"Ele é de um time da segunda divisão, fez a escolha para acompanhar os amigos de bairro, que são da equipe. Todo mundo achou até esquisito ele escolher jogar na segunda divisão. A primeira divisão joga no gramado, a segunda divisão joga em campo de terra. Ele preferiu jogar com os amigos".

Receba notícias pelo Facebook Messenger

Quer receber notícias de esporte de graça pelo Facebook Messenger?
Clique aqui e siga as instruções.

UOL Cursos Online

Todos os cursos