Um ano da transformação: Tite faz aniversário no comando da Seleção

Foi em 20 de junho de 2016 que a CBF emitiu o comunicado oficial: Tite fora confirmado como novo técnico da Seleção Brasileira. Um ano depois daquele esperado anúncio - até porque na semana anterior a cobertura fora ostensiva sobre a reunião e as idas de Tite à CBF -, muita coisa mudou. O Brasil já está na Copa do Mundo, os jogadores mostram confiança e desempenho elevado com a camisa amarela e a Seleção voltou a ser temida pelos adversários.

O cenário encontrado por Tite era de uma Seleção chacoalhada por duas eliminações seguidas na Copa América sob o comando de Dunga, sendo a segunda logo na primeira fase. E o mais preocupante: o risco real de, pela primeira vez, ficar fora da Copa do Mundo, já que o Brasil estava na sexta colocação, fora até mesmo da vaga para a repescagem.

- Fosse início do trabalho, era uma coisa. Estruturar como técnico da Seleção sem ter um tempo de adaptação, assumir uma equipe com uma margem de erro muito pequena para reconduzir a uma classificação é desafiador, mas é temeroso. Eu sabia da dificuldade do trabalho. Eu iria trabalhar com algo que não tinha trabalhado. Eu tinha medo sim de ser o técnico que não classificaria o Brasil pela primeira vez para uma Copa do Mundo - disse Tite, em entrevista ao site da CBF.

O presidente Marco Polo Del Nero e seus pares viu em Tite a solução para amenizar uma crise que não parava de crescer. Além dos problemas políticos, gerados pelas acusações de envolvimento em esquemas de corrupção, a Seleção Brasileira não dava alegria. A soma dos fatores deixava Marco Polo em sérios problemas.

Mas a vinda de Tite resolveu a parte relacionada ao campo. Primeiro veio a conquista do ouro olímpico pelo time sub-23, quando o treinador já estava contratado, e depois começou a guinada nas Eliminatórias da Copa. Com Tite, o Brasil ainda não sabe o que é perder na rota rumo à Rússia (a primeira derrota só veio no amistoso contra a Argentina, dia 9 de junho).

Contando todos os 11 jogos sob a batuta de Tite, são 10 vitórias, 29 gols marcados e apenas três sofridos. No Ranking da Fifa, o Brasil chegou a ocupar o nono lugar logo após a demissão de Dunga, no período sem partidas oficiais. Mas bastou o início da sequência com Tite para que a Seleção voltasse a figurar no topo da classificação.

- Eu me cobro, me exijo, fico encontrando elementos para que eu faça o meu melhor no jogo. A grande diferença é a grandeza, a representatividade. É inimaginável. Só estando aqui para ver. Mas a minha cobrança interna é igual ao tempo do Guarani de Garibaldi - comentou o treinador.

CADA UM NO SEU QUADRADO

Na montagem da equipe, Tite repete o mantra: usar o jogador na posição em que ele se sente mais confortável, aquela que ele executa no clube. Parece simples, né? Usando o 4-1-4-1 como sistema, que eventualmente pode virar 4-2-3-1, o Brasil de Tite decolou. A execução das jogadas de perigo não se concentra apenas em Neymar. O Brasil é muito mais do que o camisa 10.

Hoje, o Brasil tem jogadores com cacife para dividir a responsabilidade do protagonismo. Gabriel Jesus já é uma realidade. Coutinho cresce de rendimento a passos largos, nosso meio-campo tem uma consistência ímpar. Os laterais são considerados os melhores do mundo, acompanhados por uma zaga raramente superada.

RODÍZIO DE CAPITÃES

Quem é o capitão da Seleção Brasileira? A resposta não pode ser dada com apenas um nome. Desde que assumiu a equipe nacional, Tite repetiu a prática adotada nos tempos de Corinthians de fazer um rodízio do responsável para capitanear o time em campo. Até agora, foram nove capitães diferentes. O que auxiliou a implementação da medida foi o técnico ter encontrado um vácuo na função, já que Neymar renunciou à faixa logo após a conquista do ouro olímpico e o período com Dunga, quando sofreu críticas pelo comportamento em campo.

Philippe Coutinho foi o capitão mais recente e Neymar também já voltou a usar a faixa, mas a função já passou também por Miranda, Daniel Alves, Thiago Silva, Filipe Luís, Renato Augusto, Fernandinho e Robinho.

RUMO À RÚSSIA

Com a classificação em mãos, resta a Tite e todo staff da Seleção Brasileira planejarem a reta final da preparação para a Copa do Mundo de 2018. Além do intenso trabalho de observação dos jogadores brasileiros e dos adversários, o Brasil já sabe que, além dos quatro jogos restantes pelas Eliminatórias (Equador, Colômbia, Bolívia e Chile), fará amistoso contra a Alemanha. A CBF também negocia jogos com franceses e russos.

A esperança da torcida brasileira é que o presente de aniversário pelos dois anos de Tite à frente da Seleção seja a taça da Copa do Mundo, o tão aguardado hexacampeonato.

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