Galiotte se defende sobre Mustafá e vê relação igual a que Nobre teve

  • Cesar Greco/Fotoarena

Maurício Precivalle Galiotte sempre foi conhecido no Palmeiras por ser um sujeito conciliador, que prefere o diálogo ao confronto, mas assim que se sentou na cadeira da presidência viu-se obrigado a tomar partido em meio a uma guerra política - e de egos. De um lado, estava seu antecessor, de quem ele foi vice e braço direito por quatro anos. Do outro, a dona da empresa que mudou o significado da palavra patrocínio no Palestra Itália. O mandatário, então recém-eleito, ficou ao lado de Leila Pereira e viu Paulo Nobre se transformar em opositor.

De lá para cá, a candidatura de Leila foi aprovada por aclamação, a empresária foi eleita conselheira com recorde de votos, a Crefisa despejou mais alguns milhões nas contas do clube, Nobre afastou-se completamente do dia a dia e o ex-presidente Mustafá Contursi, padrinho de Leila no Palmeiras, ganhou ainda mais força política. Tudo isso em seis meses.

Apesar de toda a efervescência, Galiotte faz uma avaliação positiva de seu início de mandato. Na última quarta-feira, antes de ir ao Allianz Parque para assistir à vitória por 1 a 0 sobre o Atlético-GO, o presidente conversou com a reportagem do LANCE! por mais de uma hora na sala da presidência, localizada no primeiro andar do clube social - e não na Academia de Futebol, como na era Nobre - e falou sobre Nobre, Mustafá e Leila. Mas também sobre a procura por um atacante e a postura do clube na negociação por Richarlison.

"Pensamos em mais um atacante. Nós tivemos a saída do Gabriel Jesus, a saída do Alecsandro, do Rafael Marques e do Barrios. Saíram quatro atacantes e chegou o Borja, então a gente pensa em um atacante", disse.

"O Palmeiras teve interesse no jogador, levou uma proposta ao Fluminense e ponto final, da mesma maneira que fizemos com o Jean. No futebol não existem só os clubes, existem outros envolvidos, mas te garanto que a posição do Palmeiras foi absolutamente legítima. O próprio presidente do Fluminense, uns dias depois, fez esse comentário", completou.

Sobre as questões políticas, ele disse: "A forma que o Mustafá acompanha minha gestão é idêntica à foma como ele acompanhou a gestão do Paulo, absolutamente igual. Às vezes as pessoas falam o contrário disso, mas por total falta de conhecimento. A questão da impugnação da candidatura da Leila é muito pontual e aconteceu nos últimos dias de mandato do Paulo Nobre. Esse é um tema claro em que o Paulo não concordou com o Mustafá, mas te garanto que foi praticamente o único, porque o Mustafá esteve ao lado do Paulo Nobre durante quatro anos", analisou.

Ele também falou sobre o cerco da Polícia Militar ao Allianz Parque a promessa de zerar a dívida do Verdão, as punições aplicadas pela Conmebol na Libertadores e outros assuntos. Leia tudo abaixo:

LANCE!: Depois de seis meses, qual é o balanço que você faz do seu mandato?
Maurício Galiotte:
O Palmeiras vive um momento diferente ao dos anos anteriores. Nós temos um clube financeiramente equilibrado, uma equipe com potencial de ganhar títulos, um clube social reformado, com instalações modernas, temos processos sendo implementados. Eu enxergo o Palmeiras com muito otimismo, acho que o Palmeiras tem tudo para ser um clube com uma classe internacional. Acho que está muito bem encaminhado.

Por que você decidiu quitar logo a dívida com o Paulo Nobre, sendo que era possível alongá-la por 15 ou 20 anos?
Um dos meus objetivos é quitar a dívida do Palmeiras, é um compromisso que já assumi. Em mais um ano eu quito a dívida do Palmeiras. Antes do término do meu mandato, o Palmeiras não vai ter mais dívida depois de muitos anos. Vai ser uma notícia muito positiva para o nosso torcedor. A iniciativa de pagar a dívida é exatamente para cumprir aquele nosso objetivo traçado de responsabilidade financeira. Se existe possibilidade, vamos pagar a dívida do clube e posteriormente faremos novos investimentos para aprimorar cada vez mais. O pagamento da dívida é nossa prioridade.

Todas as dívidas?
Todas as dívidas. Bancos, nós já quitamos. O Palmeiras não tem mais dívida bancária. Temos uma dívida com o Fundo (referente aos empréstimos de Nobre), que dentro de um ano estará quitada também. O que vai ficar, na verdade, é parcelamento futuro que já existe, do Refis, mas que é coisa de 20 anos, com mensalidade muito pequena. O importante para nós, a dívida bancária e a dívida com os fundos, vamos zerar.

NOTA DA REDAÇÃO 1: O Palmeiras estava pagando a dívida com Paulo Nobre em duas frentes: uma de R$ 43 milhões, com parcelas mensais de R$ 800 mil e depois de R$ 400 mil, e outra de R$ 103 milhões, paga mensalmente com 10% da receita bruta do clube. Essa primeira dívida, de R$ 43 milhões, foi quitada em março com o dinheiro das luvas pelo acordo com o Esporte Interativo para transmissão do Brasileirão em TV fechada a partir de 2019. A segunda já caiu de R$ 103 milhões para menos de R$ 60 milhões.

NOTA DA REDAÇÃO 2: O Palmeiras aderiu a dois programas para renegociação de dívidas em impostos federais: a Timemania e o Refis. A previsão é de que sejam mais cinco anos pagando parcelas mensais via Timemania e 13 anos via Refis. O Verdão considera que o débito estará sanado após este período, desde que os impostos continuem sendo pagos em dia. Até por esse motivo, o clube não aderiu ao Profut.

Qual é o valor total da dívida?
Nossos números estão expostos no balanço. A dívida do Palmeiras hoje está na ordem de R$ 60 milhões, com o Fundo. O resto são tributos, mais ou menos nessa ordem também, mas em um parcelamento de Refis.

Daqui um ano, então, o clube vai poder depender menos da patrocinadora para fazer contratações?
A questão não é depender menos. Hoje, 10% das receitas do clube são canalizados para o pagamento da dívida que temos com o Fundo. Em um ano, vamos zerar essa dívida. E aí, sim, todas as receitas, de maneira integral, virão para o caixa do Palmeiras, dando total liberdade ao clube para investir e trabalhar com 100% das suas receitas.

A WTorre voltou a pagar os valores devidos? Aluguel do Allianz Parque para shows, porcentagem da renda dos jogos que o clube é obrigado a fazer fora do Allianz, etc...?
Estão sendo discutidos judicialmente. O Palmeiras ainda não está recebendo e esse assunto é um dos temas da arbitragem, mas acreditamos que em breve terá um encaminhamento bem razoável.

A construtora também já cobrou alguns valores do Palmeiras. Isso também continua?
Está em discussão. É um tema integralmente discutido na arbitragem.

Apesar dessas dívidas, o que se diz é que a relação com a WTorre melhorou após a sua chegada à presidência. Melhorou mesmo?
Minha obrigação é defender os interesses do clube, zelar pelo patrimônio do clube. Temos algumas diferenças em relação à construtora que estão sendo discutidas judicialmente. Paralelamente a isso, acho que temos que ter um bom relacionamento, porque é um parceiro de mais 28 anos. Então busco o diálogo entre nossos executivos e os executivos da WTorre para que possamos evoluir em assuntos que podem ser bons para nós e para a parceira. Discutir agenda de shows? Acho que sim. Discutir melhor possibilidade para gramado? Também. Enfim, o que a gente puder fazer para ser bom para as duas partes, vamos fazer.

NOTA DA REDAÇÃO: A WTorre diz ter recusado propostas para receber três grandes shows para não tirar o Palmeiras do Allianz Parque nos mata-matas da Libertadores. Uma das atrações seria em outubro, em data que poderia coincidir com a semifinal da competição, e as outras duas em novembro, mês em que será disputada a final. Apesar do esforço, o clube ainda terá alguns transtornos neste ano. No dia 1º de julho, o Allianz Parque receberá um show de Ariana Grande. É a mesma data do jogo contra o Grêmio, pelo Brasileirão, que será no Pacaembu. Se for às quartas da Libertadores, o Verdão também terá de sair de seu estádio: o clube fatalmente seria mandante no jogo de volta, previsto para 19, 20 ou 21 de setembro. Nos dias 21, 23, 24 e 26 de setembro, o estádio será palco de um festival de rock, agendado pela construtora há cerca de um ano, antes da divulgação do calendário. A diretoria já está avisada.

Grama sintética continua sendo uma possibilidade descartada?
Essa nova tecnologia que eles usaram (troca completa de gramado) teve aceitação imensa, praticamente não tivemos mais problemas neste ano. Não vou descartar totalmente a possibilidade, mas acho remota a chance de trabalhar com gramado sintético.

Na primeira discussão com a WTorre na arbitragem, vencida pelo clube, determinou-se que o Allianz Parque precisa ser adequado ao padrão Fifa. Essas obras já começaram?
Em relação a padrão Fifa, existem algumas iniciativas que já estão em andamento. Em relação aos símbolos, estamos discutindo com eles.

E por que não colocam os símbolos?
Na minha opinião, além de uma prática esportiva, a arena é muito usada para shows. Acho que, a casa sendo neutra, pode facilitar para eles. Mas é uma pergunta que tem que ser feita a eles. Para nós é importante que tenha os símbolos, por isso a gente solicita.

Agora um assunto muito abordado pela torcida: o cerco da Rua Palestra Itália nos dias de jogos no Allianz Parque. Qual é a posição do Palmeiras? Há chance de reverter isso?
Olha, eu fui tratar o assunto do cerco assim que assumi, no início do ano. Tive uma reunião na Secretaria de Segurança Pública para entender melhor o assunto. A responsabilidade de segurança do evento é do poder público, os responsáveis são a Secretaria de Segurança Pública e a Polícia Militar. O cerco é uma determinação do órgão público, uma exigência da Polícia Militar, para que eles consigam dar a proteção necessária ao torcedor. Os números foram apresentados. Nós tínhamos antes do cerco ao redor de 100 ocorrências por partida, entre roubos de celular, carteira... Depois do cerco, reduziu para três, quatro, um número muito pequeno. Eu, como torcedor que já veio várias vezes ao Palestra, lamento. É uma festa da torcida antes do jogo, é um momento bacana, de muita alegria, empolgação. Então, como torcedor, gostaria que não tivesse aquilo. Como presidente, eu entendo e sou obrigado a respeitar as normas do poder público.

Eles explicaram o motivo de isso acontecer só no estádio do Palmeiras?
O posicionamento do poder público é que a característica, o local geográfico do estádio do Palmeiras, é muito desfavorável ao trabalho da Polícia Militar. Há uma concentração muito grande de pessoas em um espaço pequeno, esse é o argumento que eles usaram conosco. Argumento usado também para justificar o índice de ocorrências.

Por que o Palmeiras tem usado aporte da Crefisa em todas as contratações?
Não é só assim. Veja bem, quem compra é o Palmeiras, quem paga a aquisição é o Palmeiras. A Crefisa e a FAM adquirem propriedades de marketing, geram recursos, e com esses recursos o Palmeiras pode comprar jogador, reformar o clube social ou que achar prioridade no momento. Nós temos essa possibilidade de, com a venda de propriedades, usar o recurso até para compra de atletas, que é o que temos feito. É uma oportunidade que contribui muito para a saúde financeira do clube, e é exatamente por isso que fazemos.

Dê um exemplo prático de propriedade que vocês negociaram com a Crefisa.
Imagem de atleta, placas na Academia, TV Palmeiras... Várias.

Seria possível zerar a dívida, como vocês pretendem fazer, e montar um elenco forte, como vocês fizeram, sem essa ajuda da Crefisa?
O apoio da Crefisa é fundamental e tem interferência muito positiva nessas duas questões. Eu te disse, nós pagamos 10% das receitas ao fundo. Quanto maior a receita, mais dinheiro para o fundo, mais rápido a gente consegue pagar a dívida. Quando eu tenho venda de propriedade de marketing, eu consigo adquirir jogador.

Há um limite de propriedade de marketing? Uma hora acabam as propriedades a serem comercializadas?
Não, isso é infinito. Nós temos a imagem dos atletas que são contratados, que é uma propriedade, e você comercializa essa imagem com campanhas, eventos, uma série de situações. A partir do momento em que você faz a contratação, essa propriedade é gerada automaticamente.

Logo no primeiro dia do seu mandato, você teve que optar entre Paulo Nobre e Leila Pereira. Dependendo da sua opção, esse patrocínio poderia ir embora. O quanto patrocínio e política se misturaram nessa decisão?
Em nenhum momento a Leila ou o José Roberto (Lamacchia, marido de Leila, também dono da Crefisa e também eleito conselheiro) condicionaram o patrocínio à participação na política do clube. O que aconteceu no fim do ano passado foi que o presidente Mustafá endossou uma situação de que a Leila poderia ser candidata, e eu achei que aquele assunto deveria ser tratado no Conselho Deliberativo, achei que traria mais legitimidade. E foi o que eu fiz, não tratei de forma monocrática, levei ao Conselho. O assunto foi debatido, foi discutido, e ela hoje é conselheira do clube. Mas eu sempre acreditei que a Crefisa iria renovar o contrato conosco. Como nós tivemos este encaminhamento, acabou de vez com qualquer tipo de dúvida.

Como foi para você, recém-eleito, ter que decidir entre Nobre e Leila?
O fato determinante foi a impugnação da candidatura da Leila pelo Paulo Nobre, na véspera da saída dele. Eu o procurei, tratei o assunto com ele, disse que acreditava que aquele tema tinha que ser discutido no Conselho e que não iria tratar de forma monocrática, preferia que o debate fosse feito. E foi assim que encaminhei. Obviamente, e já é uma questão pública, as pessoas já sabem, o Paulo não concordou com a minha decisão de levar ao Conselho, até imaginando que ela pudesse ter uma votação expressiva no Conselho, que foi o que ocorreu. No meu entendimento foi democrático, foi legítimo, então por isso que encaminhei o assunto de certa maneira.

Você ficou chateado por ele ter deixado uma bomba na sua mão logo no último dia de mandato?
Não, não fiquei chateado com o Paulo. Respeito muito o Paulo, respeitei a decisão dele e ele respeitou a minha também. Só que naquele momento eu tinha que tomar uma decisão e pensei na Sociedade Esportiva Palmeiras, pensei na melhor maneira de administrar o clube. Tive uma decisão contrária a ele, mas não fiquei chateado. Respeito muito, ele tem uma lista de serviços prestados muito grande, acompanhei o trabalho dele por quatro anos, até antes, quando nós perdemos a eleição para o Tirone. Todo palmeirense tem uma dívida de gratidão com o Paulo Nobre, mas nós tivemos uma leitura diferente em uma situação.

Houve, então, um rompimento...
Um distanciamento. Ele não tem a mesma leitura que eu nessa situação.

Você o considera um potencial adversário nas próximas eleições?
Claro, pode ser um candidato, sem dúvida. Mas não sei se nós vamos disputar as eleições, ainda temos tempo pela frente. O Paulo está com um projeto, voltou ao rali. É muito difícil falar algo que vai acontecer daqui um ano e meio.

Quando foi a última vez que falou com ele?
Falei há algum tempo, mandei mensagem, ele me respondeu. Tenho muito respeito pelo Paulo e acredito que a recíproca seja verdadeira. Nós, juntos, conseguimos muita coisa pelo Palmeiras. O Palmeiras era um clube antes da nossa entrada e hoje é outro, em vários aspectos.

Quando saiu, o Paulo se colocou à disposição para colaborar com o seu mandato. Mas isso acabou nunca acontecendo, não é?
Não, o Paulo hoje está distante. Devido ao entendimento diferente que nós tivemos, ele se distanciou do clube e eu respeito. Inclusive hoje ele está com compromissos, correndo rali, e não tem participado de reuniões. É uma decisão dele e a gente tem que respeitar.

Você está tendo de lidar também, com o afastamento dos seus vice-presidentes, correto? Genaro Marino, Victor Fruges e José Carlos Tomaselli ficaram ao lado do Nobre...
Todos que querem ajudar o Palmeiras, independentemente do cenário político, têm a obrigação de ajudar. Todos que estão na política, os conselheiros... Estamos aqui porque queremos. Vocês têm a informação de que três vices, dos quatro, também tiveram a leitura do Paulo Nobre em relação à candidatura da Leila Pereira, o que eu respeito, e disse a eles. O Antonino Jesse Ribeiro, não. Foi um voto como o meu. Mas isso faz parte do espaço democrático. Entendo de maneira natural.

Como manobrar isso? Há alguns dias, você viajou e o Genaro assumiu a presidência....
Com diálogo. O Genaro está aqui para colaborar, como eu também estou. Quando estive afastado, o Genaro assumiu a presidência e nada mudou. Estamos aqui para trabalhar pelo Palmeiras, mesmo com leituras políticas diferentes.

Você acha que essa situação pode culminar na renúncia deles?
Da minha parte, não. E eles nunca trataram esse assunto comigo. Não sei como eles pensam, mas da minha parte, não.

A relação com eles já foi mais distante, assim que aconteceu o episódio?
Segue a mesma coisa. Foi uma situação pontual, específica. Respeito a posição deles, da mesma maneira eles respeitaram a minha, e a gente está aqui para prestar serviço ao clube, cada um na sua área, cada um da sua maneira. Quem não pode perder com isso é o clube.

Uma outra figura importante no cenário político do clube é o Mustafá Contursi. Ele tem mesmo muita influência nas decisões do clube?
O presidente Mustafá é um líder político muito respeitado no clube e fora do clube, na Federação, na CBF, na Conmebol, na Fifa. Ele tem uma história vencedora e merece nosso respeito. A forma como o Mustafá atua na minha gestão é exatamente a mesma da gestão Paulo Nobre. Ele foi o responsável pela candidatura do Paulo Nobre, pela eleição do Paulo Nobre, apoiou o Paulo, esteve junto com o Paulo, e comigo da mesma maneira. A forma que o Mustafá acompanha minha gestão é idêntica à forma como ele acompanhou a gestão do Paulo, absolutamente igual. Às vezes as pessoas falam o contrário disso, mas por total falta de conhecimento. O Mustafá apoiou o Paulo, o Mustafá me apoiou, colocou-se à disposição dele, colocou-se à minha disposição.

Mas você não é mais aberto a ouvir o que ele diz do que o Paulo?
Da mesma maneira. O Paulo também era aberto. Ele encontrava o presidente Mustafá constantemente, dentro do Palmeiras, às vezes fora. Presenciei várias reuniões. E comigo da mesma maneira, absolutamente igual, não tem diferença. As pessoas às vezes fazem uma outra leitura, mas é outra leitura absolutamente distorcida.

Mas no caso Leila, por exemplo, o Paulo foi totalmente contrário à opinião do Mustafá.
Mas essa é uma questão muito específica, é uma questão muito pontual, e aconteceu nos últimos dias de mandato do Paulo Nobre. Esse é um tema claro em que o Paulo não concordou com o Mustafá, mas te garanto que foi praticamente o único, porque o Mustafá esteve ao lado do Paulo Nobre durante quatro anos.

O fato de o Mustafá se posicionar ao lado da Leila Pereira, inclusive com ela integrando a chapa dele na eleição para o Conselho, influenciou sua decisão?
Eu achei que o Conselho Deliberativo deveria participar do assunto. Foi isso que eu achei e foi o que eu fiz. Óbvio que o assunto passou pelo Mustafá.

E você votou pela não impugnação da candidatura dela...
Sim, eu votei favorável à eleição dela, sem dúvida.

Dá para governar sem o apoio dele?
O Mustafá é um líder político, ele tem muita força política. É importante que ele esteja ao lado da gestão, como é importante que estejam ao lado da gestão Afonso Della Monica, Seraphim Del Grande, Carlos Facchina... Várias pessoas que têm um passado no clube, serviços prestados, experiência. Quando você consegue unir as pessoas, trabalhar junto, você tira deles o que têm de melhor, e é o que tento fazer o tempo todo. Gestão de pessoas, relacionamento, união... Acho que assim você agrega muito mais, enriquece e tem muito menos chance de errar.

E está sendo bem-sucedido?
Acredito que sim.

Mudando de assunto, a CBF ajudou o Palmeiras a se defender das penas aplicadas pela Conmebol na Libertadores?
A CBF me passou toda a orientação em relação ao formato do recurso, à maneira como deveríamos nos defender, os prazos. Tanto CBF como Federação Paulista estiveram ao lado do Palmeiras em relação ao que ocorreu no Uruguai. Eu também me dediquei pessoalmente, estive na Conmebol tratando do assunto com o presidente, mostrei detalhadamente o que ocorreu, com vídeos, com fotos. No segundo momento, quando a Conmebol apresentou as penas do Felipe e do clube, procurei o presidente da Conmebol, disse que não entendia como legítimo, expliquei os motivos, solicitamos uma audiência... Já tivemos a redução da pena do Felipe e teremos a audiência agora na semana que vem para tentar defender o clube, defender a nossa torcida, que passou por momentos muito difíceis por total falta de segurança. Esse é o nosso argumento principal, total falta de segurança do estádio. Nossa torcida foi obrigada a se defender para evitar uma situação muito pior. Não achamos justo tirar o torcedor do estádio por uma situação em que ele foi vítima.

Você vai junto?
Vou atender a orientação dos advogados. Se eles acharem que devo participar, estarei com eles.

Como você recebeu as críticas por chefiar a delegação da Seleção Brasileira na Austrália enquanto o time patinava no Brasileirão?
Uma das obrigações do presidente é definir objetivo, estratégia, proporcionar condições de trabalho, estrutura, equilíbrio financeiro, ter bons profissionais... Tudo isso já existe no Palmeiras. Então, esse processo já estando em andamento, a dependência do presidente fica muito pequena. O presidente tem obrigação de aumentar a probabilidade, a chance de conquista, contratando, oferecendo recursos, estrutura... Mas o presidente não entra em campo. Acredito que todas essas críticas vieram devido ao resultado do jogo. Mas o importante é que temos total confiança nos nossos profissionais, o trabalho está bem planejado e temos convicção do que fazemos. Se por algum motivo o presidente não puder estar distante, aí eu vejo problema, aí é motivo de preocupação.

É por isso que você aparece menos no dia a dia do futebol?
São duas coisas diferentes em relação ao ano anterior. Primeiro que eu despacho aqui no clube, venho para cá todo dia a partir das 16h, 17h. E passo na Academia todos os dias também, a diferença é que não vou a campo todos os dias. Mas também assino documentação lá, faço reunião com o Cícero, com o Mattos, com a comissão quando há necessidade. Eu tenho a agenda dividida, todos os dias vou à Academia e venho ao clube. Em alguns momentos vou a campo e em outros não vou, essa é a diferença.

Na sua opinião, então, não é tão necessário o presidente estar sempre em contato com o elenco? Há quem defenda que a presença do líder máximo pode servir para deixar o grupo mais concentrado.
Eu acho acredito que o presidente tem que ter uma linha única. Se frequenta vestiário, tem que frequentar sempre, na vitória e na derrota, tem que fazer parte do grupo. Se não frequenta vestiário, não frequenta e ponto final. Caso contrário, não acredito que tenha sucesso entrar no vestiário em momentos específicos para fazer algum tipo de pressão. Não leva a lugar nenhum. Você tem que ter grandes profissionais, estratégia definida, grandes objetivos, e manter o trabalho em alto nível.

E como você costuma trabalhar? Vai muito ao vestiário?
Muito pouco. Particularmente, vestiário não é lugar para presidente. É minha opinião. Muitas vezes estamos próximos ao vestiário, principalmente em jogos fora de casa, quando não tem lugar para ficar, mas não compartilho a opinião de que presidente tem que estar no vestiário.

Recentemente, nos momentos de instabilidade do time, aumentou o volume das críticas de conselheiros ao Alexandre Mattos, inclusive alguns bem importantes, como o próprio Mustafá. Isso chegou até você?
Para mim, diretamente, não chegam. O torcedor, muitas vezes no calor do resultado, tem essa postura, é passional. Assim que eu assumi a presidência, o primeiro contrato que renovei foi o do Alexandre Mattos. E por quê? Porque eu enxergo que é um profissional que tem qualidades, um profissional vencedor, um dos principais do Brasil na sua área de atuação, e achei que seria muito importante para o Palmeiras. Por isso eu renovei. O Mattos é uma pessoa da minha confiança, uma pessoa que tem o meu apoio. Quando renovei o contrato dele, eu renovei com muita convicção, até porque trabalhei com ele durante dois anos. Eu estou muito seguro em relação ao Alexandre Mattos, ele tem contrato até o fim do ano que vem, vai ficar conosco até o fim do ano que vem. O ponto é que nós, em dois anos, ganhamos dois títulos, e isso a gente tem que considerar.

Como funciona? Ele toma a decisão e te comunica? Pede autorização? Vocês decidem juntos?
A decisão é tomada sempre pelo presidente do clube, quem define é o presidente. Tudo, absolutamente tudo. O responsável sou eu, sempre. O Alexandre Mattos tem o planejamento, tem alguns nomes, e quando existe necessidade ele me traz e a gente discute cada nome, discute valores, debate, e aí sim a situação pode ser que encaminhe ou não. Mas a última palavra é a do presidente, até porque sou responsável por qualquer tipo de resultado que venha a ocorrer.

Aproveitando a deixa, o que realmente aconteceu na negociação com o Fluminense pelo Richarlison?
Olha, nós temos um relacionamento muito bom com o Fluminense. Temos o Lucas emprestado para eles, compramos o Jean há pouco tempo. O Fluminense sabe exatamente como o Palmeiras trabalha. Nós temos uma conduta e eles nos conhecem. O Palmeiras teve interesse no jogador, levou uma proposta ao Fluminense e ponto final, da mesma maneira que fizemos com o Jean. No futebol não existem só os clubes, existem outros envolvidos, mas te garanto que a posição do Palmeiras foi absolutamente legítima. O próprio presidente do Fluminense, uns dias depois, fez esse comentário.

O Palmeiras ofereceu 12 milhões de euros pelo Richarlison, R$ 44 milhões. Por que você consideram que ele vale tanto? E esse dinheiro pode ser usado em outra contratação para o ataque?
O dinheiro não está disponível, não é assim que funciona. O Richarlison tem características pelas quais temos muito interesse, força, velocidade, gols... O Palmeiras teve interesse nele, o negócio não deu certo e está encerrado.

Vocês seguem em busca de um atacante? É a peça que falta para fechar o elenco?
Pensamos em mais um atacante. Nós tivemos a saída do Gabriel Jesus, a saída do Alecsandro, do Rafael Marques e do Barrios. Saíram quatro atacantes e chegou o Borja, então a gente pensa em um atacante.

Para você, o Borja ainda está devendo?
Ele precisa ter um período de adaptação. É um jogador de potencial enorme, de seleção, que foi eleito o melhor jogador das Américas no ano passado. Então nós temos que ter paciência, temos que dar tempo para que ele se adapte ao país, às diferenças que está encontrando aqui, a língua, posicionamento, treinamento. Isso tudo demanda tempo, mas temos total convicção no potencial do jogador, e acreditamos que em um curto espaço de tempo ele vai estar dando alegrias.

O Avanti pode passar por mudanças em breve?
Nós pensamos em evoluir na qualidade dos serviços prestados. Estamos trabalhando nesse sentido. Existe um projeto com esse objetivo.

No último fim de semana, os palmeirenses sofreram muito para comprar ingresso na Fonte Nova, com enormes filas, cambistas... Muitos sócios-torcedores se sentiram prejudicados por não terem privilégio nenhum. Isso pode mudar?
Não, não tem como. O programa de sócio-torcedor só funciona quando o Palmeiras é mandante, porque aí eu tenho como proporcionar facilidade na compra, localização, desconto. Quando sou visitante, não tenho absolutamente nenhum elemento para oferecer ao meu torcedor. O programa de sócio-torcedor é exclusivamente para jogos dentro de casa, e isso está muito claro nos planos, o sócio sabe disso.

Mas o Palmeiras não pode solicitar uma carga e ele mesmo efetuar a venda?
Isso é uma ideia que eu tenho e que já coloco em prática em algumas situações. Sempre que for possível, que o clube adversário possibilitar, eu trago os ingressos para São Paulo e vendo aqui, com mais segurança para nossa torcida, para que nosso torcedor tenha um pouco mais de conforto e segurança. E falo torcedor de maneira geral.

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