Após dez anos, Timão vive nova volta por cima em visita à cidade onde caiu

Nenhum torcedor do Corinthians que tenha vivido o dia 2 de dezembro de 2007 conseguirá tirá-lo da memória. Por mais que os anos seguintes tenham marcado conquistas históricas e consagrado uma volta por cima pouco vista na história do futebol, o rebaixamento no Campeonato Brasileiro é uma mancha inesquecível. Mas no ano em que se completa uma década do acontecimento, o Timão está perto de consolidar outra retomada marcante. O torneio? O mesmo. O adversário? O mesmo. O palco? Ah, esse mudou.

Rebaixado à Série B do Brasileirão com um empate em 1 a 1 diante do Grêmio, o Corinthians não precisará voltar ao estádio Olímpico, desativado desde a inauguração da moderna Arena do Grêmio, há cerca de quatro anos. Apesar da cidade ser a mesma, o palco é novo e também marcará a última visita do Timão à cidade de Porto Alegre em 2017 - isto porque o Internacional está na Série B e nenhum clube gaúcho disputa a Copa Sul-Americana.

O Olímpico deixou de receber partidas no início de 2013, quando o Grêmio começou a utilizar sua Arena. O grande problema é que os projetos de demolição que previam a construção de torres residenciais e comerciais, escritórios, shopping e uma praça na área do estádio não saíram do papel até hoje, e o Olímpico virou um prédio em ruínas. O impasse consiste no seguinte: a construtora OAS, responsável pela compra do Olímpico e construção da Arena, ainda não "entregou" a obra (o Corinthians vive algo parecido com a Arena Corinthians e a Odebrecht). Como a OAS não entrega a Arena de vez, o Grêmio também não pode entregar o Olímpico e ainda hoje continua como responsável pela manutenção do local.

Hoje há 11 seguranças contratados para realizar a vigilância em cinco turnos, mas não existe qualquer outra movimentação no Olímpico. Por isso é que existem paredes derrubadas pela força do tempo, matagais nas antigas áreas de circulação, ferrugem por todos os lados e um cenário de ruínas que causa uma onda muito forte de insegurança nas redondezas - já foi verificada invasão de moradores de rua e usuários de drogas nas dependências do estádio, que é um colosso abandonado e sem previsão de demolição - o envolvimento da OAS na Operação Lava Jato só criou mais entraves para o caso.

- Depois que parou de ter jogos ainda teve pelo menos mais um ano em que o Grêmio manteve uma estrutura por aí, até mudar de vez. Quando eles saíram acabou nossa paz. Virou terra de ninguém, né? Os bares do entorno faliram todos, os imóveis ficaram desvalorizados e agora está uma onda de violência forte. Não saio de casa depois de 21h por nada. Infelizmente - desabafa Luís Antônio Reis, morador do bairro do Azenha, onde fica o Olímpico.

Segundo o Grêmio, a demolição tem um custo muito alto e que o clube não pode assumir, por ser responsabilidade da OAS. O Grêmio tenta acelerar o processo para encerrar o acordo e comprar a gestão da Arena, mas o caso é arrastado. Enquanto isso, o Olímpico segue com portões fechados para jornalistas e curiosos e completamente sucateado.

Neste domingo, dez anos e 12 km distante do hoje agonizante palco de sua queda, o Corinthians do técnico Fábio Carille espera fazer Porto Alegre ser sinônimo de boas lembranças.

Pela última vez na cidade em 2017, o Timão entra em campo para sacramentar a campanha invicta que já chega a 22 partidas (inclusive as nove primeiras rodadas do Brasileirão) e abrir distância do próprio Grêmio na liderança do Campeonato Brasileiro. Assim como ninguém esperava a retomada do Timão pós-rebaixamento, que rendeu alguns dos títulos mais importantes de sua história, poucos também imaginavam que o time dirigido por um auxiliar efetivado fosse alcançar feitos tão marcantes em tão pouco tempo.

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