Fã de Lugano, zagueiro revelado no São Paulo volta e pode ser opção

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    Hugo Gomes (2º esq) quando jogou pelo São Paulo em 2015

    Hugo Gomes (2º esq) quando jogou pelo São Paulo em 2015

Um velho conhecido do São Paulo voltará ao clube nos próximos dias. O zagueiro Hugo Gomes, que ganhou destaque como capitão nas categorias de base e disputou três edições da Copinha pelo time, está de volta ao Brasil. O jovem defensor passou os últimos dois anos emprestado a clubes da Espanha. Agora, mais maduro e experiente, chegará ao CT da Barra Funda na próxima quinta-feira e pode se tornar mais uma opção para Rogério Ceni na zaga.

Natural de Campo Grande (MS), Hugo jogou oito anos na base do Tricolor e foi destaque em Cotia. Em 2015, ano de estreia como profissional, foi emprestado ao Mallorca (ESP), e depois para o time B do Granada. O vínculo chegou ao fim, e o garoto de 22 anos poderá ficar à disposição de Ceni. Ele tem contrato até o fim de 2018 e ainda não sabe se vai treinar com os profissionais ou será novamente emprestado, mas deseja permanecer no clube para "retribuir" tudo o que o Tricolor fez por ele durante sua formação como atleta.

"Passei as últimas semanas de férias na minha cidade. Chego amanhã (quarta) em São Paulo e volto a treinar na quinta. O que o clube passou para o meu empresário é que eu ficaria treinando na Barra Funda, só não sei se é com o restante do elenco. Acho que não vou pra Cotia, a não ser que eu chegue lá e eles mudem os planos", disse, ao LANCE!.

"Os dois anos que eu fiquei na Europa foram muito bons. Fiquei feliz com a experiência que tive, amadureci. Mas, por ser cria da base do São Paulo, ter morado lá desde os 13 anos, por ter sido capitão muito tempo e por ter me formado na faculdade bancado pelo clube, tenho vontade de defender o clube para devolver tudo o que apostaram e acreditaram em mim. Se tiver essa oportunidade, meu sonho vai ser jogar no São Paulo", assegurou Hugo, que também teve passagens pelas categorias de base da seleção brasileira.

Fã de Lugano, o jovem defensor é muito identificado com o camisa 5 do Tricolor. Segundo Hugo, as semelhanças vão do estilo de jogo à aparência física. Ele era chamado pelo nome do uruguaio quando jogava nas categorias inferiores, e espera aprender na convivência com o ídolo.

"Meu ponto forte é a bola aérea. Sempre fui caracterizado pelo bom jogo aéreo. Dava muita assistência e fazia muito gol assim. Sou um zagueiro forte, mais físico, de muita raça. Me identifico muito com o Lugano. Quando cheguei no São Paulo já estava construindo história ali dentro, sempre fui ídolo para mim. Nunca tive contato com ele, mas, se eu ficar no profissional e compartilhar vestiário com ele, será um sonho", disse.

Apesar da pouca idade, Hugo espera ganhar uma oportunidade do treinador, que recentemente levou o atacante Brenner do time sub-17 para o time principal. Ele era artilheiro da equipe no Paulista da categoria, com 28 gols em 11 jogos, e fez a estreia como profissional contra o Atlético-PR. Denílson, vindo do Avaí, e o meia Lucas Fernandes, prata da casa, também são tratados como apostas e têm ganhado chances.

O defensor tem a seu favor o "espírito de liderança" que mostrou nas categorias de base, e quer usar a qualidade para enfrentar a pressão e ajudar a tirar o Tricolor da má fase. A equipe não vence há cinco partidas e está a um ponto da zona de rebaixamento no Brasileiro, com 12 pontos em dez rodadas.

"Não é fácil você jogar no momento em que o São Paulo está, mas é só uma fase. Para mudar só depende dos jogadores, da comissão técnica, de quem está no clube. Eu sou um zagueiro jovem, ainda tenho muito o que aprender, mas esses dois anos fora me serviram muito para ganhar experiência, para agregar. Se eu puder estar lá para ajudar, quero estar, trabalhando muito para mudar a situação", explicou o atleta.

Hugo Gomes pode ser o sexto do elenco tricolor atualmente, ao lado de Lugano, Rodrigo Caio, Douglas, do recém-contratado Arboleda e do volante de origem Éder Militão, Lucão foi afastado e não veste mais a camisa do São Paulo, enquanto Maicon foi negociado com o Galatasaray. O diretor executivo Vinícius Pinotti disse na terça-feira que o clube ainda busca mais um atleta da posição. As negociações com Aderlan Santos ainda não avançaram - um motivo a mais para o garoto ser testado na equipe do Morumbi.

"Mesmo sendo novo, tenho muito a agregar ao grupo pela motivação. Tenho o perfil e a capacidade, e trago da Europa a obediência tática. Ceni parece ser um treinador muito estudioso, e essa obediência é essencial. Quinta irei para a Barra Funda, onde vão me dizer onde e que horas eu treino. Ainda não sei. Mas, se Rogério quiser contar comigo, estou preparado", completou.

Bate-bola com o zagueiro Hugo Gomes:

Atletas do Brasil geralmente querem ir para a Europa. Você faz o caminho inverso ao querer jogar no São Paulo. Por que esse desejo de ficar?
Eu saí muito novo, não tive oportunidade de jogar por um clube brasileiro profissional. Tive a chance de ir para o Marllorca, fiz o caminho inverso. Fui para a Europa e adquiri experiência, mas, como ainda tenho contrato com o São Paulo, quero retribuir para ajudar o clube no momento ruim que está.

Chegou a jogar com Lucão em Cotia? Como vê a situação que ele passou?
Joguei muito com Lucão, fomos dupla de zaga. Para mim, entrar teoricamente na vaga dele porque ele está saindo não é o que eu quero. Tenho muita amizade com ele, é muito gente boa, joguei sete anos com ele, então fico triste pela situação como ele saiu. Mas, tenho certeza que pelo potencial que ele tem, vai se dar bem em qualquer clube que for.

Você disse que o São Paulo bancou sua graduação. Em que se formou?
Fiz licenciatura em educação física dos 17 aos 20 anos. Eu treinava de manhã e de tarde e ia para a faculdade à noite. No começo eu era o único atleta da base a fazer faculdade, mas, com o tempo, incentivei alguns amigos que até começaram, mas não terminaram o curso. Até hoje sou o único formado em Cotia que tem nível superior.

Caso você fique no time principal, acha que conseguirá levar as características que te fizeram capitão na base para um vestiário bem mais experiente?
Essa coisa de ser capitão está dentro da pessoa, o espírito de liderança. Sempre fui capitão pela minha raça, determinação e estilo de jogo. Isso não muda. No dia a dia, quem consegue transmitir isso para os companheiros é visto como líder, não é só quem usa a braçadeira. Estou pronto para jogar no São Paulo.

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