Steven Caulker admite problemas com vícios e diz que tentou se matar

Em entrevista ao jornal inglês "The Guardian", o ex-jogador do Liverpool, Steven Caulker, admitiu que não soube lidar com a ascensão no futebol. Ele falou sobre seu vício em jogos, alcoolismo e que já pensou muitas vezes em se suicidar, discutindo sobre a dificuldade que o esporte tem em entender problemas psicológicos.

- Fiquei aqui por anos me odiando e nunca entendi porque eu não podia ser como todo mundo. Esse ano foi quase o fim para mim. Durante muito tempo, eu não enxergava a luz no fim do túnel - disse ele, que está sem fazer apostas desde dezembro do ano passado e não ingere álcool desde março deste ano.

Revelado pelo Tottenham, Caulker passou por times como Southampton, além dos Reds. Ele, que hoje está no Queen Park Rangers, da segunda divisão, participou, inclusive, das Olimpíadas de Londres pela seleção inglesa. O atleta reconheceu que seu talento é "um presente, mas também uma maldição".

- Você sempre acha que pode ganhar de novo e o dinheiro te dá uma falsa sensação de segurança. Quando estava no Southampton, percebi que, mentalmente, eu tinha ido embora. Não estava jogando, minha carreira não estava indo a lugar algum e eu precisava falar com alguém. O médico tentou me ajudar, mas outras só diziam para ir para o campo e "me expressar".

O jogador ainda admitiu que é viciado desde o início de sua carreira e, de acordo com ele, cerca de 70% do dinheiro que conquistou com o futebol, foi perdido em apostas.

- Eu sou viciado em vencer, e isso é uma coisa que as pessoas admiram no futebol, mas com certeza não se aplica aos jogos de apostas. Da última vez que joguei, em dezembro, perdi muito dinheiro. Esse foi o meu último fracasso e cheguei a um ponto onde finalmente aceitei que não conseguiria ganhar. Pensei muito no suicídio. Foi uma época bem obscura da minha vida - contou.

Com a divulgação de seus problemas, Steven Caulker disse que espera tornar esse tipo de discussão mais frequente, além de enviar uma mensagem para os jovens atletas que também estão sofrendo com isso. O jogador não entra em campo desde outubro de 2016.

- Seja corajoso e peça ajuda, antes que seja tarde demais. Para combater a ansiedade você sempre acaba procurando algo a mais. Quando eu era novo, o futebol era a minha escapatória, mas isso mudou quando me tornei profissional, e o esporte acabou virando uma pressão. Meu jeito de lidar com isso, mesmo no começo da minha carreira, foi apostando - falou.

- Talvez isso esteja mudando, mas os mecanismos de ajuda não estão lá. Eu já falei com inúmeros jogadores que foram mandados para clínicas esportivas e acabaram recusando, pois eles sabem que se tirarem um tempo para melhorar, vão perder o seu lugar no time.

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