Bravo x Ter Stegen: duelo de goleiros na final tem ingrediente pessoal

Que grandes seleções começam por grandes goleiros é um fato indiscutível. E não por acaso, levando esse critério em conta, que Chile e Alemanha estão na final da Copa das Confederação. Mas o duelo entre Claudio Bravo e Ter Stegen vai além da "mera" busca pela taça na Rússia. Há um ingrediente pessoal na história.

Ambos chegaram na mesma temporada ao Barcelona e travaram uma rivalidade interna que gerou faísca. Agora, os goleiros se reencontram neste domingo (Bravo não jogou no duelo pela fase de grupos), em São Petersburgo, na decisão do segundo mais importante torneio de seleções da Fifa.

- O aporte de Bravo é independentemente da parte futebolística. Ele não esteve no campo no primeiro jogo, na fase de grupos. Mas sempre esteve perto de nós, esteve aqui desde o início da concentração. Os goleiros quanto os jogadores de campo sentem o respaldo e o apoio que tem de uma das referências da seleção. Todos conhecemos a capacidade que ele tem como goleiro - disse o técnico do Chile, Juan Pizzi.

No Barça, Bravo e Ter Stegen compartilharam o vestiário por duas temporadas. Com tanta qualidade à disposição para substituir o período Victor Valdés, o técnico Luis Enrique optou pelo famigerado revezamento. Enquanto o chileno cuidou da meta nas partidas do Campeonato Espanhol, o alemão entrava em ação nas partidas da Liga dos Campeões e Copa do Rei. O resultado? Nenhum dos lados ficou satisfeito. Bravo queria jogos decisivos. Ter Stegen buscava maior número de partidas.

A corda acabou estourando no lado do mais velho. Claudio Bravo foi parar no Manchester City de Guardiola. Problema resolvido? Longe disso. Na primeira e única temporada pelo time inglês até o momento, muito mais tempo fora do que dentro de campo.

Na Premier League, por exemplo, Bravo entrou em campo 22 vezes e só em cinco jogos saiu sem levar gols. Com 26 gols sofridos, a estatística é de pouco mais de um gol por jogo. Foram 12 vitórias e cinco derrotas com o chileno em campo. Para completar, Bravo ainda sofreu uma lesão muscular na reta final da temporada - em abril - abrindo de vez o caminho para Willy Caballero.

Com esse roteiro, Bravo virou dispensável para City, enquanto Ter Stegen, no Barcelona, consolidou-se como dono da meta. Para completar a pressão que o chileno encara na Inglaterra, o City contratou a peso de ouro o goleiro brasileiro Ederson, junto ao Benfica. Ou seja, mesmo que continue em Manchester, a perspectiva é complicada para Bravo.

Mesmo em crise no clube, Bravo não teve o prestígio abalado na seleção. A braçadeira de capitão jamais esteve em discussão. E, nesta Copa das Confederações, as três defesas na disputa de pênalti contra Portugal recolocaram o goleiro de 34 anos nos holofotes. Ele ficou fora dos dois primeiros jogos, retornou contra a Austrália e já tem mais uma final pela frente.

Pelo Chile, Bravo já levantou troféus nos últimos dois anos, com as conquistas da Copa América. Ter Stegen, aos 25 anos, não é titular na Alemanha por causa de um certo Manuel Neuer, mas a chance veio na Copa das Confederações, já que o time principal está poupado. De qualquer forma, o nível não caiu. Foram três jogos na atual edição, depois de Joachim Löw testar Leno no gol.

Com Bravo e Ter Stegen, a certeza, portanto, é que tanto Chile quanto Alemanha estão bem seguros no gol. Em uma final de Copa das Confederações, isso faz toda a diferença.

*O repórter viaja a convite da Gazprom

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