Colegas e rivais exaltam trajetória de 'figuraça' Waldir Peres

O futebol brasileiro chora a morte de um goleiro que marcou época. Waldir Peres não resistiu a um infarto durante a tarde deste domingo e morreu aos 66 anos. Ele se notabilizou pelo tempo em que esteve no gol do São Paulo e também por ter sido o titular do Brasil na Copa de 1982. Waldir passou mal durante uma festa com a família em Mogi das Cruzes, no interior de São Paulo.

O título de maior expressão conquistado por Waldir foi o Brasileirão de 1977, pelo São Paulo, após uma disputa de pênaltis contra o Atlético-MG, na qual não fez nenhuma defesa, mas mesmo assim foi protagonista.

- Waldir era muito tranquilo, muito relaxado em um momento como aquele. Ele estava zoando os caras do Atlético. Eu peguei os dois primeiros, era para o São Paulo estar mais tenso. Ele, com o jeito dele, brincando, mostrou a experiência que tinha, o grande goleiro que foi - contou ao LANCE! o também ex-goleiro João Leite, que era goleiro do Galo na decisão.

João Leite fala com propriedade sobre Waldir porque não só o enfrentou várias vezes, como na final, como também disputou posição com ele na Seleção Brasileira.

- Estávamos convocados juntos, era um grande goleiro, uma pessoa excelente de relacionamento. Eu sempre o admirei muito. Foi um goleiro de um time espetacular que foi o de 1982, tive a oportunidade de estar com o grupo no mundialito do Uruguai. Mas ele ganhou a posição de mim nas eliminatórias de 1982 - completou João Leite.

Outro que esteve no lado do Galo naquela final de 1977 e também tem história ao lado de Waldir Peres na Seleção é Toninho Cerezo, que, também ao LANCE!, não escondeu o abatimento com a notícia da morte:

- Lamento, foi um excelente companheiro, uma pessoa de bem, um grande goleiro, jogou em grandes times. Era o titular da equipe de 1982, um jogador era diferenciado, para estar em uma seleção como aquela. Ele se posicionava muito bem, era uma pessoa simples, fácil de lidar, dava boas risadas. Não só dentro do futebol, vai deixar saudades.

Atualmente comentarista da TV Globo, o ex-lateral Júnior, outro companheiro de Waldir Peres na Seleção, citou após a transmissão o episódio que catapultou a titularidade do goleiro naquele time mágico do Brasil em 1982.

- Era uma figuraça. Não somente como profissional, mas como companheiro. Eu me lembro que, em 1981, quando fizemos uma excursão na Europa, ele pegou dois pênaltis contra a Alemanha e ali consolidou a Seleção. Foi um dos responsáveis pela Seleção ter chegado à Copa com aquela força - comentou.

NO SÃO PAULO, SÓ CENI FOI MAIOR

A associação de Waldir Peres ao São Paulo é inevitável. Afinal, mesmo com o goleiro tendo defendido as cores de outros times, ele faz parte da lista de jogadores com mais partidas pelo Tricolor. Foram 11 anos no Morumbi. Com tamanha longevidade, foi o primeiro jogador a bater a marca de 600 jogos pelo clube (foram 617). O único que o superou foi Rogério Ceni.

Pelo São Paulo, Waldir Peres, além de campeão brasileiro em 1977, faturou o Paulistão em três ocasiões (1975, 1980 e 1981). Foi com Waldir Peres embaixo das traves que o São Paulo obteve a maior sequência invicta da história do clube, entre 1974 e 1975: 47 jogos.

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