Apelidado de "Neuer de Itaquera", Douglas quer parar Palmeiras pelo Avaí

  • Cristiano Andujar/AGIF

"Você é o "Neuer brasileiro"?, questiona o repórter a Douglas Friedrich, atual goleiro do Avai que foi emprestado pelo Corinthians. "Pessoal me apelidou de "Neuer de Itaquera". Fico muito feliz", confirma o arqueiro, que ganhou o apelido de torcedores no fim de 2015, quando foi para o Corinthians. Pressão a mais? Não para ele...

Emprestado ao Avaí, o goleiro de 28 anos é um dos destaques da posição no Campeonato Brasileiro. Neste sábado, ele terá uma grande oportunidade para mostrar ainda mais o seu valor, pois vai encarar o Palmeiras, em duelo no Allianz Parque, às 19h. E Douglas pode ter a certeza de que o Corinthians estará acompanhando a partida com atenção, pois o clube já está pensando em como aproveitar o goleiro para a próxima temporada.

O empréstimo de Douglas Friedrich ao clube catarinense se encerra ao fim do Brasileirão. Depois, ainda restará mais um ano de contrato com o Corinthians. O LANCE! apurou, em conversa com um dirigente do Timão, que o goleiro está sendo monitorado de perto pelo clube, mesmo no Avaí. O Cifut (Centro de Inteligência do Futebol do Corinthians) elabora relatórios quinzenais sobre todos os jogadores emprestados, e Douglas é um dos mais bem avaliados. O que vai definir o aproveitamento dele em 2018 será a permanência de Walter. Se Walter ficar, o Timão fará negócio com Douglas. Se Walter sair, Douglas voltará para ser reserva de Cássio e substituto durante as possíveis idas do titular para a Seleção Brasileira. Porém, ainda não há definições sobre Walter.

Em entrevista exclusiva ao LANCE!, Douglas Friedrich deixou escapar, mesmo de forma discreta e com respeito ao Avaí, que tem planos para o Corinthians.

"Ainda não penso na próxima temporada. Tenho muito orgulho de ter sido contratado por um grande clube como o Corinthians. Espero retribuir dentro de campo com atuações, com bom desempenho, essa confiança do Corinthians, mas tudo isso passa pelo meu trabalho aqui no Avaí. Tenho me empenhado muito em fazer um bom trabalho no Avaí, conquistar junto com os companheiros o objetivo de permanecer na Série A, que seria um grande feito. Penso que fazendo meu trabalho bem aqui, isso vai facilitar minha volta ao Corinthians ou abrir portas em outros clubes", comentou Douglas Friedrich.

Douglas chegou no Corinthians vindo do Bragantino, mas não ganhou espaço no começo da temporada 2016, já que Cássio e Walter estavam consolidados. Em março, com apenas um jogo feito, acabou emprestado ao Grêmio. No Sul, o goleiro sofreu uma lesão joelho direito, em julho. O Grêmio queria operar o jogador, mas o Corinthians preferia uma "recuperação conservadora". Diante do impasse, o atleta teve que rescindir com o Tricolor gaúcho, em setembro, mesmo sem ter entrado em campo ao menos uma vez pelo clube.

Em janeiro deste ano, foi a vez de o Avaí levar o goleiro por empréstimo. Ele foi reserva no primeiro semestre e só entrou no time na décima rodada do Brasileirão, promovido após falha do titular. No primeiro desafio, contra o Botafogo, no Rio de Janeiro, Douglas foi brilhante e o Avaí ganhou por 2 a 0. Duas rodadas depois, ele fechou o gol contra o Grêmio, pegou até pênalti, e o Avaí venceu novamente por 2 a 0, em Porto Alegre. Foi o jogo da consolidação, e o jogo que deixou o Grêmio mais longe do Corinthians na luta pela liderança.

"Recebi diversos comentários de gremistas, me parabenizando pela atuação. Como estamos mais próximos de Porto Alegre, a repercussão na região foi grande. Mas penso que a torcida corintiana ficou feliz, porque na prática, acabou ajudando o Corinthians a se distanciar mais do Grêmio, que é um time que certamente vai lutar com o Corinthians até o fim pelo título", disse Douglas.

Veja a entrevista completa

LANCE!: Você já parou Botafogo, Grêmio, Cruzeiro... Parou até o Corinthians, em empate por 0 a 0. Como está a expectativa para enfrentar o Palmeiras?
A gente tem feito excelentes jogos fora de casa. O time tem se comportado bem na parte defensiva e tem sido eficiente nas oportunidades de gol. A gente tem o exemplo de boas partidas que fizemos fora de casa para continuar tendo bons resultados. Sabemos que vai será um desafio mais difícil, pois as equipes estão nos conhecendo, estão nos analisando para conseguirem vazar nossa defesa. Mas, assim como estão nos analisando, a gente também está a cada jogo melhorando. Será um grande duelo. São duas equipes com objetivos diferentes na competição, mas no campo, o objetivo de vencer será igual.

Qual é a fórmula para realizar tantas defesas difíceis?
Tenho como característica uma boa impulsão e uma boa estatura (Douglas tem 1,94m e 88 kg). Isso tem me ajudado nas bolas de média e longa distância. Nas bolas mais próximas da área, tenho a característica de ficar mais adiantado. Além disso, meus companheiros estão me ajudando muito. As defesas que tenho feito começam a ser construídas com meus colegas, em uma pressão no ataque rival, em um momento que eles obrigam o adversário a dar um chute forçado. O mérito não é só meu, mas também dos meus companheiros.

O que você mais aprendeu com o Cássio no tempo trabalhando ao lado dele?
Eu e o Cássio tivemos uma ótima convivência. Ele sabe usar bem a envergadura (Cássio tem 1,96m e 92 kg), é um goleiro frio e tem liderança no elenco. São características que pego como espelho. Além do Cássio e do Walter, também trabalhei com outros grandes profissionais. Todo profissional que trabalhou comigo veio contribuir de alguma forma para o meu crescimento.

Você é o "Neuer brasileiro"? Gosta do apelido?
O apelido surgiu com a galera da internet que torce pelo Corinthians. Uns falavam "Ter Stegen de Itaquera", outros "Neuer de Itaquera". Acho que foi mais pela aparência, por mais que eu tenha descendência alemã e tenha característica parecida com o Neuer na saída de gol, ou de jogar mais adiantado. Fico muito feliz com o apelido. Neuer é um grande goleiro, está entre os melhores do mundo há anos. Fico feliz pelo apelido que me deram.

Quem está sendo o melhor goleiro do Campeonato Brasileiro?
Hoje, pela regularidade e importância no seu time, vejo que o Vanderlei tem ajudado muito o Santos. O Cássio também está em um momento muito bom. Acho que o Vanderlei tem sido mais acionado que o Cássio, mas os dois estão em uma regularidade boa. Além deles, o Jean, do Bahia. E eu gosto muito do Fábio, do Victor, do Marcelo Grohe... O Brasil tem muitos goleiros de alto nível.

Você sonha com o troféu de melhor goleiro do Brasileirão-2017?
Com certeza. Porém, não é meu primeiro objetivo. Meu primeiro objetivo é continuar ajudando o Avaí na meta de permanecer na Série A. Mas tudo é consequência de um trabalho, de uma construção no campeonato. Hoje estou em um bom momento, mas ganhar uma premiação tão grande depende da minha regularidade e também do desempenho do grupo como um todo. Penso muito no sucesso do grupo, pois a gente tendo sucesso de forma geral, o individual de cada um vai merecer uma avaliação especial. E assim a gente ficará mais próximo de conquistar algo individualmente, sem dúvidas.

Já chegou alguma proposta para você por conta do destaque no Brasileirão?
Sendo bem sincero, para mim não chegou. O Avaí não me passou nada, nem meu representante, nem o Corinthians, e eu não fico perguntando. Olha, pode ter ocorrido algum contato com um desses lados, mas não pergunto. No dia que for algo concreto, eles vão me passar, mas nada chegou em mim.

Você tem sete jogos no Brasileirão e não sofreu gol em cinco deles. Muitos torcedores te parabenizam, nas ruas, pelo bom momento?
Sabe o game Cartola FC? Nossa... Estou impressionado de ver os caras nas ruas falando: "Pô, Douglas. Você me ajudou de novo lá no Cartola". Às vezes, os torcedores do Avaí e de outros clubes se preocupam mais com o time do Cartola do que com seu time do coração. Mas o game é bacana, eu vejo com bons olhos. É uma forma de divulgar mais o nosso trabalho. O pessoal nos acompanha mais, vê o desempenho jogo a jogo. É claro que é uma responsabilidade maior para mim, porque você fica naquela "responsa" do "te coloquei no Cartola". Familiares, amigos e torcedores tem cobrado aí (risos).

Você joga o game?
Não estou jogando neste ano. Já joguei há alguns anos. Agora, com a correria das partidas, com filho pequeno (de dois anos), prefiro não participar. Sou um cara muito competitivo. Se eu fosse jogar, certamente gastaria um tempo concentrado no game. Então, é melhor deixar de lado. O pessoal até brinca comigo e fala: "Douglas, só você não se escalou no Cartola".

Como foi o período na reserva no Avaí?
É o momento no qual você tem que mostrar o homem de caráter que você é. Você trabalha para o treinador ver, para os companheiros verem, em prol do grupo. É fundamental trabalhar com lealdade, para dar tranquilidade ao companheiro que está jogando. Estar na reserva é um momento mais desafiante do que estar jogando. No banco você mostra o seu lado profissional, o homem que você é quando ninguém de fora do clube está vendo. Para mim, foi uma experiência grande. Se hoje estou vivendo um bom momento, também passa pela fase que ninguém estava vendo, mas eu estava trabalhando. Hoje só estou dando continuidade a um trabalho que comecei em janeiro.

Você sonha com uma chance na Seleção Brasileira?
Sim. Não quero me limitar no meu sonho, não quero limitar aquilo que Deus pode fazer na minha vida. Hoje, quando olho para trás, vejo que Deus me deu muito mais do que eu sonhei no começo. Então, isso me dá confiança. Tenho desfrutado muito desse momento, e quero dar continuidade, quem sabe, recebendo oportunidades em clubes maiores e jogando competições maiores. Existem diversos goleiros, que como eu, se destacaram em clubes menores, seguiram bem em clubes maiores e chegaram na Seleção. Tite é um treinador coerente, muito leal (Tite foi técnico de Douglas no Corinthians). Sonho sim com a Seleção, mas preciso dar uma passo de cada vez. Trabalhando com dedicação e seriedade, as coisas vão acontecer naturalmente.

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