'Após ficar refém de menino petulante, Barça faz jogo duro por Neymar. Mas pode ser tarde'

É inegável que o Barcelona sobreviverá à saída de Neymar. Porém, terá de mudar muito o estilo de sua gestão, que levou o clube a viver por três semanas condicionado às vontades de atores externos, capazes de se aproveitar da incredulidade e da confusão reinantes na sala de reuniões da diretoria.

Da experiência vivida com Neymar, o Barça pode até aproveitar alguma vantagem desportiva. Porém, ficou marcado por uma fragilidade institucional (da qual, ao que parece, tenta corrigir depois deste episódio). Outros craques marcaram o clube, tanto por erguê-lo quanto por estender os melhores anos de sua história.

Neste caso, a saída de Neymar faz com que o Barcelona recebe uma quantia considerável de dinheiro, que deve investir sem pressa e de maneira centrada. O Barça continua a ter uma equipe fabulosa, que pode ganhar novas direções se avaliam critérios técnicos, e não de marketing. Por isto, a responsabilidade de Ernesto Valverde e José Segura são cruciais.

O momento é de deixar de lado figuras que satisfaçam os sócios e membros do marketing. O Barcelona tem a oportunidade única de mostrar que sua força desportiva está à altura do que se exige.

Em nível gerencial, sem dúvida faltou contundência ao longo do processo. O Barcelona deixou que a saída de Neymar ocorresse no ritmo que o PSG, o jogador e seus amiguinhos nas redes sociais queriam, a ponto de o clube catalão ser motivo de piada.

O clube "blaugrana" perdeu uma posição pública de autoridade, que desde o início deixava bem claro ao jogador "se você não quer estar aqui, nada acontece, traz o dinheiro e vai pelo caminho que você veio". Para, em seguida, mostrar um panorama bem diferente: uma instituição centenária tornou-se refém de um menino petulante, e implorando para que ele não fosse do clube, para a vergonha de seus torcedores.

Parece que, agora, com a porta batida, o roteiro foi mudado. O clube tem bloqueado milhões em prêmios de renovação, recorrendo à cláusula de rescisão. Fazem jogo duro.

Talvez seja tarde demais, mas têm de defender a dignidade de uma instituição que está acima de Neymar e de esta direção. Esperemos que este momento de dignidade não seja passageiro.

*Santi Giménez é jornalista do "AS"

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