Ausente em convocações, Hulk sonha com Copa: Seria especial jogar na Rússia

  • Paul Gilham/Getty Images

Em junho de 2016, Hulk deixava a idolatria no Zenit para se aventurar no promissor e milionário futebol chinês. O Shanghai SIPG desembolsou cerca de 55 milhões de euros (R$ 201 milhões) para contratar o brasileiro, em uma das negociações mais badaladas da janela de transferências do meio do ano passado. No entanto, o segundo semestre na China não foi como o esperado: uma lesão na estreia e dois meses fora de ação.

Os problemas médicos não impediram Hulk de ter bons momentos no Shanghai SIPG, com oito jogos e cinco gols marcados. E os números melhoraram ainda mais nesta temporada. São 21 gols em 31 partidas, além de 12 assistências. Performance esta que faz o atacante voltar a sonhar com um lugar na Seleção Brasileira. Com Tite, ainda não foi lembrado, mas as convocações de Paulinho, Gil e Renato Augusto, que atuam na China, animam o jogador.

Hulk é o vice-artilheiro do Shanghai SIPG na Super Liga Chinesa, com dez gols, três a menos que Wu Lei. A equipe está em segundo na competição, três pontos atrás do Guangzhou Evergrande, que será adversário também nas quartas da Liga dos Campeões da Ásia e na semifinal da Copa da China.

Em entrevista exclusiva ao LANCE!, Hulk fala sobre o bom momento no Shanghai SIPG, segundo colocado na Super Liga Chinesa e o desejo de voltar a vestir a Amarelinha. A tragédia dos 7 a 1 contra a Alemanha, na Copa do Mundo de 2014, também não foi esquecida pelo brasileiro.

Confira na íntegra:

O Shanghai SIPG vive bom momento no futebol chinês e diminuiu a diferença para o líder Guangzhou Evergrande. Qual é o segredo para a boa fase?
O segredo é o trabalho, o time evoluiu muito em relação ao ano passado. O time está muito bem, os jogadores estão muito empolgados. Estamos muito confiantes. Isso tem sido o ponto principal.

Você chegou no ano passado e logo na sua estreia teve uma lesão, ficando dois meses fora. Isso te frustrou um pouco na sua chegada à China?
Não fiquei frustrado, mas é claro que quando você chega em um clube você quer logo mostrar serviço, jogar todas as partidas, dar resultado a seu time. Tive a felicidade de estrear fazendo um gol, mas logo em seguida tive a lesão. Me atrasei um pouco aqui, acabei tendo que fazer uma cirurgia no fim da temporada. Mas mesmo jogando pouco, as partidas foram boas. Esse ano estou muito melhor, fiz uma boa pré-temporada, e graças a Deus está tudo correndo bem.

Qual a diferença do Shanghai da temporada passada para deste ano?
Eu acredito que a principal mudança foi a cobrança. A chegada do Villas-Boas foi fundamental para isso, ele é um treinador que cobra muito nos treinos e jogos. Então isso incentivou ainda mais os jogadores. Ele conseguiu tirar mais dos atletas. Isso foi importante para a gente.

Vocês estão muito próximos do líder Guangzhou. Chegou a hora de desbancá-lo?
A gente sabe que não é fácil. O Guangzhou joga junto há muito tempo, é um time muito experiente. Os chineses que atuam lá são muito bons. Mas estamos muito motivados, os jogadores estão se sentindo bem, com confiança. Com os pés no chão, com humildade, quem sabe não conseguimos sair campeões neste ano?

O Shanghai está nas quartas de final da Liga dos Campeões da Ásia e vai enfrentar justamente o Guangzhou. Essa é a prioridade da equipe na temporada?
Estamos priorizando todas as competições, mas o título mais importante para a gente é Campeonato Chinês. O Shanghai SIPG nunca venceu a competição e estamos tendo a possibilidade de lutar pelo título e tentar chegar esse ano. Se conseguirmos, vai ser muito gratificante. A Liga dos Campeões é uma competição internacional e é muito importante, mas o principal para atacarmos é o Chinês.

Como está o clima da torcida em relação à possibilidade de conquistar o título chinês?
Ela vem nos acompanhando desde o começo da temporada, nos apoiando mais a cada jogo. O estádio está com cada vez mais torcedores. Dá para ver a empolgação dos torcedores. Quando a gente viaja, vão nos receber no aeroporto, hotel. Sempre nos tratando com carinho, nos apoiando e pedindo para darmos o nosso melhor. E estamos fazendo isso para tentar comemorar um título no fim do ano.

Você fez 21 gols e deu 12 assistências nesta temporada em 31 jogos disputados. A que se deve esse bom momento individual?
Quando você é contratado da forma que eu fui, fica na expectativa de corresponder à altura. Está tudo correndo bem, principalmente esse ano, que estou jogando e estou curado da lesão que tive no ano passado. Estou muito feliz, espero dar continuidade e ainda melhorar esses números.

Você era o principal nome do Zenit e decidiu trocar o clube russo pelo futebol chinês. A que se deve essa mudança? O que influenciou?
O jogador está no clube e muitas vezes chega uma proposta boa para os dois lados. A gente senta, conversa, fala com a família. Decidi arriscar, vamos embora. Já havia passado quatro anos no Zenit, assim como no Porto. Graças a Deus ganhei tudo no time russo e decidi vir para a China. Acredito que tenha feito a escolha certa, estou muito feliz no Shanghai, minha família também.

Você não vem tendo tantas chances com Tite na Seleção Brasileira. O que fazer para retornar ao grupo?
Preciso trabalhar e esperar uma nova oportunidade. Meu objetivo é estar bem, me sentir bem no clube, dar o meu melhor. Se tiver que ser chamado, tentar aproveitar da melhor maneira possível, agarrar a oportunidade. A Seleção está muito bem, os jogadores estão atuando muito bem, o grupo está muito unido. Mesmo de longe, eu fico aqui na torcida por eles.

Você disputou a Copa do Mundo de 2014, no Brasil, e tem experiência na competição. O que deve ser feito para não repetir aquela tragédia contra a Alemanha?
O que aconteceu ali é difícil de explicar até hoje. Eu acredito que se jogássemos mais dez jogos com a Alemanha, não aconteceria isso. Foi uma fatalidade, da forma que perdemos. De repente começa o jogo e quando você percebe já está quatro ou cinco a zero. É uma coisa que não consegue nem entender. Nem quem estava participando do jogo. Não acontecerá de novo. Nós aprendemos com os nossos erros, a Seleção dificilmente erra, e pagamos caro naquela partida. Mas o futebol é isso, é bom que dá a oportunidade de correr atrás e buscar algo melhor.

Como foi lidar com a barração durante a Copa do Mundo de 2014?
Foi uma opção do treinador, temos que respeitar. O Felipão tomou essa decisão e o jogador tem que simplesmente respeitar e tentar retomar a vaga o mais rápido possível.

Está nos seus planos voltar à Seleção para disputar mais uma Copa do Mundo?
Enquanto estiver bem e jogando em alto nível, por que não? A Seleção está muito bem, o grupo está muito unido e motivado, a relação com o Tite é muito boa. Estarei dando sempre o melhor, procurar me manter bem aqui no Shanghai para, se houver a oportunidade, agarrá-la da melhor maneira possível.

Jogar o Mundial na Rússia, onde você foi ídolo pelo Zenit, teria um sabor especial?
Sem dúvida. Disputar uma competição do tamanho da Copa do Mundo em um país no qual você jogou por quatro anos, em uma cidade que você viveu por quatro anos, onde você foi ídolo, com certeza é especial.

Você participou da cerimônia de encerramento da Copa das Confederações, em São Petersburgo. Como foi esse reconhecimento?
Para mim foi um momento único, especial. Agradeci primeiramente à Fifa por ter me convidado para a cerimônia de encerramento da Copa das Confederações e depois chegar lá e receber o carinho de toda a cidade, onde fui muito feliz. Foi muito gratificante para mim.

O Tite tem chamado jogadores que atuam na China, como Renato Augusto, Gil e Paulinho. Isso dá uma motivação a mais para seguir sonhando com uma vaga na Copa do Mundo?
Claro. Mas depende primeiro do jogador, se cuidar, estar bem, jogar em alto nível. Depois é esperar uma oportunidade. Se chegar, é aproveitar. Na Seleção, há três jogadores que atuam na China, destes dois são titulares. Então, tudo é possível.

Você ficou quatro anos na Rússia, agora está completando o seu primeiro na China. Quais diferenças entre o futebol dos dois países? Estão nivelados?
Tem um pouco de diferença sim, claro. Aqui tem um limite de estrangeiros, só podem jogar três. Na Rússia, é mais liberado, são permitidos seis. Assim, pode fortalecer ainda mais o seu time. Não que o nível na China seja fraco. Pelo contrário, aqui é muito disputado. Os jogadores chineses estão melhorando a cada ano. O campeonato é muito bom, pena que só possam jogar três estrangeiros.

Essa limitação de estrangeiros foi adotada para os clubes investirem na base. Você já percebe essa melhoria?
Tenho certeza de que eles vão evoluir muito, principalmente na base. O investimento está sendo muito alto, eles têm um objetivo de revelar muitos jogadores por ano. Claro que isso leva um tempo, mas quando os chineses querem alguma coisa, eles são muito planejados e focados. Fazem as coisas certinho. Tenho certeza que eles vão tirar grande proveito disso.

Você foi um dos jogadores que chegaram no futebol chinês após esse boom de contratações. A chegada desses atletas é benéfica para o campeonato?
Quando chegam jogadores de qualidade, com certeza vêm para somar. Você vai ajudando não apenas dentro de campo, mas também com a visibilidade fora dele. Você atrai contratando jogadores de nome. Isso tem a ajudar o futebol chinês.

Na Europa, você atuou pelo Porto e Zenit. Sente falta de não ter jogado em uma das quatro grandes ligas do continente?
Não. Nunca me arrependi das decisões que tomei. Por onde passei fui muito feliz, consegui realizar meus sonhos. Ganhei títulos pelos clubes nos quais passei, conquistei pela Seleção, disputei Copa do Mundo. Isso foi muito gratificante para mim, não me arrependi de nada. Graças a Deus que as decisões que tomei deram certo.

Acredita que ainda dá tempo de jogar em uma dessas ligas?
No futebol, nunca sabemos o que pode acontecer, é uma caixinha de surpresas. Estava no Porto, tinha mais quatro anos de contrato e o Zenit me contratou. Na Rússia, tinha mais três anos e o Shanghai me levou. Então, a gente nunca sabe o que pode acontecer. Estou muito feliz aqui, mas não sei o dia de amanhã. Tenho ainda três anos de contrato, estou aproveitando ao máximo e meu futuro deixo nas mãos de Deus.

Você chegou a estar próximo de algum clube dessas ligas? O Chelsea gostaria de contar com você...
Sempre houve especulações, conversas. Meu empresário falava que estava conversando. Quando estava no Porto, havia muitos clubes de olho. Mas deixava para ele resolver.

Você foi ídolo do Porto e do Zenit, mas em qual dos times você jogou o seu melhor futebol?
No Porto, teve a temporada 2010/11, que ganhamos tudo: Liga Europa, levamos o Português e eu fui artilheiro e melhor jogador. Esse ano foi especial para mim. Quando eu já estava no Zenit, e meu assistente disse que meus números no clube russo já haviam superado os do Porto. Ou seja, difícil dizer. Nos dois estive muito bem e consegui apresentar um bom futebol.

Como é a sua relação com o técnico André Villas-Boas? É o terceiro clube juntos...
A relação muito boa. Primeiro de treinador com jogador, tenho respeito do dia a dia. Tenho uma boa amizade, trabalhamos muito tempo juntos: um ano no Porto, dois anos e meio no Zenit e agora vai fazer um ano no Shanghai. É um cara que eu tenho um carinho e respeito por ele.

Já falaram em algum momento de um dia voltar ao Porto?
Não, isso a gente não conversa não. Não teria nem como ter uma conversa dessas (risos). Temos um carinho pelo Porto. É um clube muito organizado, onde fomos muito felizes. E tem a cidade do Porto, que eu gosto muito, que me acolheu e a minha família muito bem. Tenho ela em meu coração.

Como foi sua passagem pelo futebol japonês?
Foi uma experiência muito boa, principalmente em nível de aprendizado. Tinha acabado de sair do Brasil, com apenas 18 anos. Na ida, fiquei um pouco com medo de como seria, se seria difícil. Quando cheguei no Japão, vi uma coisa totalmente oposta do que eu imaginava. Um país muito para frente, onde as pessoas lhe tratam muito bem. Não importa como está vestido, se é de terno e gravata ou camiseta. Isso foi muito importante para mim e para minha carreira.

Agora você mora em uma das maiores cidades do mundo, que é Xangai. Como é viver na cidade, ela lhe oferece tudo que você precisa?
Xangai tem tudo, é impressionante. Antes de eu vir para cá, o Elkeson, que já está aqui há mais tempo, conversou comigo, perguntei da cidade. Ele me disse mil maravilhas dela. Ficava imaginando se era tudo isso mesmo. E quando cheguei aqui me surpreendi. Ela é espetacular.

Você saiu muito cedo do Brasil e pouco conhecido do torcedor. Pensar em voltar algum dia?
Sempre falo em minhas entrevistas. Saí muito cedo, não tive a felicidade de jogar um Brasileirão inteiro. Por ser brasileiro e por amar jogar futebol, claro que passa pela minha cabeça atuar no um dia voltar ao Brasil. Não sei quando, mas gostaria de voltar.

E em qual clube você gostaria de jogar? Dizem que você torce pelo Palmeiras....
Sempre tive um carinho pelo Palmeiras. Todo mundo me pergunta isso: qual time eu gostaria de jogar? Nunca sabemos o que pode vir pela frente. Tem que pensar no momento. Quando pensa em voltar ao Brasil, precisa estudar os clubes que estão à disposição, qual cidade você vai se sentir melhor com a sua família, pois isso conta muito. Não tenho como dizer que eu gostaria de jogar em tal time. Tenho um carinho enorme pelo Palmeiras por gostar do time desde pequeno, mas nunca se sabe.

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