Na contramão da CBF: Fair-play financeiro já custou caro a clubes de todos os cantos do mundo

A declaração do diretor-financeiro da CBF, Rogério Caboclo, sobre mudanças nas regras de fair-play financeiro causou controvérsia no meio esportivo. O dirigente afirmou que as leis do Profut estabeleceram um "tipo de rigor para os que aderiram ao parcelamento e, por isso, receberam algum benefício e também para os que não aderiram, de forma indistinta". Além disto, Caboclo afirmou que " não há paralelo no mercado brasileiro e internacional de empresas que ficam inibidas de sua atividade e, portanto, de suas receitas, que geram empregos e contribuem para a produtividade, em razão de dúvidas sobre a quitação de tributos".

Além da reação negativa do presidente do Flamengo, Eduardo Bandeira de Mello, que defende a exigência de CNDs para os clubes, a necessidade de comprovação de dívidas em dia não é restrita ao Brasil. Colunista do LANCE!, o consultor de Marketing e gestão esportiva Amir Somoggi apontou que há outros campeonatos no mundo que exigem fair-play financeiro:

-- Isso que ele (Caboclo) está falando é a maior besteira. Soa como bravata, ou falta de informação. Desde 2004, a Uefa traz exemplos de clubes punidos desportivamente por fair-play financeiro. Clubes de ponta também não estão imunes a estas punições.

Implementado desde 2003/2004, o licenciamento dos clubes incluiu sete anos depois a regra do fair-play financeiro como onrma de controle de gastos. Até o momento, são 53 clubes punidos em 57 possibilidades. As punições podem render multas e impossibilidade de disputarem competições organizadas pela Uefa, como a Liga dos Campeões e a a Copa da Uefa.

LEMBRE ABAIXO DE ALGUNS CASOS

TWENTE - Devido a fraudes em contratos com seus jogadores, o Twente foi punido pela Federação Holandesa de participar de competições europeias durante três temporadas.

MÁLAGA - O clube espanhol ficou punido por três anos de disputar competições europeias, em virtude de atrasos de salários e dívidas com impostos. Porém, a sanção foi revogada.

PSG - Por má conduta financeira, o PSG foi punido no fair-play financeiro em 2014 em 60 milhões de euros (à época, R$ 183 milhões).

MANCHESTER CITY - Por má conduta financeira, o Manchester City foi punido no fair-play financeiro em 2014 em 60 milhões de euros (à época, R$ 183 milhões).

DÍNAMO DE MOSCOU - Em 2015, a Uefa excluiu o Dinamo de Moscou da Liga Europa por aumentar valores do contrato publicitário e pela desproporção dos salários dos jogadores em relação aos orçamentos dos clubes.

GALATASARAY - Em 2016, o Galatasaray foi banido de torneios europeus por duas temporadas, devido a prejuízos financeiros. Ele iria disputar a Liga Europa na temporada seguinte.

ESTRELA VERMELHA - O Estrela Vermelha (SRV) foi excluído da Liga dos Campeões em 2014 por uma série de dívidas que o fizeram ferir o fair-play financeiro.

PORTO - Devido ao descumprimento de regras do fair-play financeiro, o Porto teve restrições financeiras e inscrições de jogadores limitada pela Uefa em 2017.

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