Maduro, goleiro Felipe relembra polêmicas e garante estar no auge

Quando o assunto é polêmica, um dos nomes recentes que se remetem é do goleiro Felipe, que teve grande destaque no dois clubes de maior torcida do Brasil: Corinthians e Flamengo. Nos dois gigantes, o arqueiro faturou título, foi ídolo de uma torcida e colecionou declarações e atitudes intempestivas. Contudo, mais maduro, aos 33 anos, depois de defender o Boavista, do Rio de Janeiro, no Campeonato Carioca, ele busca novos voos. De coração aberto, Felipe bateu um papo exclusivo com o Lance!, relembrou suas falhas e arrependimentos na carreira e garantiu que ainda pode jogar em alto nível no futebol nacional.

- Pretendo jogar uns três ou quatro anos ainda. Estou na minha melhor forma física. Melhor que antes. Apareceram algumas boas coisas e tenho esperança de definir tudo até o fim do ano, para começar forte em 2018. Sonho em voltar a jogar. Minha vida inteira foi jogando, quero só voltar, voltar a atuar e jogar em alto nível. Estou no auge para goleiro ainda, na idade perfeita. Acho que na hora que voltar a atuar - garantiu o ex-camisa 1 de Timão e Flamengo.

E por falar em Corinthians, foi ali que Felipe cometeu um grande erro, na sua própria avaliação. Ele apareceu para o país com defesas excepcionais em 2007, quando o Timão foi rebaixado para Série B. Seguiu no clube e virou um dos grandes nomes para o gol no país, mesmo não sendo lembrado para a Seleção. Porém, em um discussão ao vivo na televisão com o ex-presidente, Andrés Sanchez, o goleiro rescindiu com o clube. Fato, lamentado por ele,

- É um fato que me arrependo muito. A forma como tudo aconteceu. Discuti feio com o Andrés, que era meu amigo, e que para mim foi o maior presidente da história do Corinthians. Como atleta, errei muito. Ambos erraram ali, na verdade, mas eu que era o atleta. A imagem que ficou manchada foi a minha. Depois que fui afastado, fiquei triste, chateado, não aceitei aquela situação pela forma que tudo foi criado. Então, em um momento de irritação, extravasei da forma que não poderia - se recorda.

Todo o mau-estar lembrado por Felipe, foi gerado devido uma proposta oficial do Genoa, da Itália, na época. Ele chegou a viajar para o Velho Continente para fechar com o clube da primeira divisão italiana, mas mudanças no regulamento acabaram interrompendo a transferência e, consequentemente, trouxe mazelas ao jogador.

- Falaram que eu tinha pedido para sair e no dia que fui viajar. Tinha a proposta da Itália. Aí mudou o número de estrangeiros no campeonato e o time não ia mais fazer negócio. Me arrependo dessa discussão, em rede nacional, isso é única coisa que acho que poderia fazer diferente. Todos erraram, mas eu que era o atleta, não devia ter feito isso. Depois reencontrei o Andrés, que era meu amigo, tudo se acertou, mas poderíamos ter feito tudo diferente e não da forma como foi - lamenta o ex-camisa 1.

'ROUBADO É MAIS GOSTOSO?' - IDOLATRIA E POLÊMICAS NO FLA

Se no Corinthians teve polêmica, no Flamengo não seria diferente para o goleiro que nunca teve papas na língua. E foi em um título do Rubro-Negro, o Campeonato Carioca de 2014, em cima do Vasco, que Felipe colecionou mais um atrito. Segundo vascaínos, após a conquista, com um gol irregular de Márcio Araújo, o arqueiro teria declarado que vencer 'roubado é mais gostoso'. Fato rechaçado por ele.

- Nunca falei isso. Não sei de onde tiraram essa história. Queria criar alguma polêmica e parece que conseguiram. Fui mal-interpretado na verdade. Uma pena isso, porque cobraram muito de algo que não fiz. Mas é passado, sempre fui um cara sincero, mas isso não fiz. Fui muito feliz no Flamengo, que é meu time de infância, nunca escondi e ganhei dois títulos por lá - afirmou.

Mesmo de longe, Felipe ainda acompanha o Flamengo, principalmente nesta final de Copa do Brasil, diante do Cruzeiro. O confronto coloca frente a frente o Rubro-Negro com o ex-treinador Mano Menezes, que saiu de forma polêmica do clube. Titular na época, o goleiro garante que não houve nada da parte dos jogadores que fizessem com que Mano deixasse o Fla.

- Da nossa parte nunca existiu nada. ainda mais os atletas que estavam lá que foram pelo Mano, como Chicão e André Santos. Fui campeão da Copa do Brasil com ele em 2009, tinham quatro que tinham trabalhado com o Mano antes. Foi muito mais problema dele com a diretoria, Qualquer pessoa tem direito de achar que não está dando certo e pedir para sair. Ele foi mal interpretado. É um treinador de nível de Seleção. Está fazendo um grande trabalho no Cruzeiro. Foi mais para vender jornal mesmo. Pelo menos o que soube foi isso. Com os atletas não aconteceu - afirma.

Realmente mais maduro, Felipe não quis entrar na polêmica de quem deve ser o goleiro titular do Flamengo na final da Copa do Brasil: Alex Muralha ou Thiago. Com os dois questionados, o ex-jogador do Fla preferiu tecer elogios aos dois e lembrou quando atuou lado a lado com Muralha, em 2015, no Figueirense, logo após sua saída do Rio de Janeiro.

- Acho que difícil falar quem deve jogar. O pessoal lá está vendo o dia a dia. Ninguém vai colocar quem não tem condições de atuar. As pessoas não vão treinar a semana toda bem e ficar mal só no dia do jogo. É uma pena eles estarem passando por isso. Joguei com Muralha no Figueirense, ele era um monstro. São atletas de qualidade, mas sabemos que o torcedor não tem paciência. No Flamengo é 8 ou 80. Mesmo que vaia hoje, a torcida aplaude amanhã. Foi o caso do Hernani Brocador em 2013. Entrava aplaudido no fim do ano, depois de muitas vaias. Acabou como craque do time e artilheiro. Torcedor é só emoção, muito mais do que a razão - opinou.

ELOGIOS A GATITO E FÃ INCONDICIONAL DE JEFFERSON

Sem duvidas, Felipe, por sua identificação com o Flamengo, não é muito querido pelos torcedores dos outros três rivais do Rio de Janeiro. Contudo, ao analisar o nível do goleiros do Brasil, ele só tem olhos para o Botafogo. Com a dupla Gatito Fernández e Jefferson, na meta, Felipe vê o paraguaio como o melhor em atividade e nunca esconde sua idolatria pelo atual reserva alvinegro.

- Hoje o Gatito é o melhor do Brasil. O cara para colocar o Jefferson no banco não é fácil. Tem que estar agarrando muito mesmo. Jefferson para mim é o melhor do país e sou muito fã dele, mas o Gatito está em uma fase excepcional. Temos também outros como o Fábio, Victor, Fernando Prass, que voltou muito bem. Estamos bem servidos de goleiro. O próprio Magrão, do Sport, fazendo um grande campeonato com 41 anos. Weverton, do Atlético, também muito bom, assim como o Wilson, do Coritiba. Hoje na melhor fase é o Gatito, sem dúvidas. Voto nele - afirma.

CONSELHOS PARA OUTRO RIVAL

Se Felipe não querido pelos rivais do Flamengo, a mesma coisa pode ser dita pelos arquirrivais do Corinthians. E o goleiro, 2007, passou por uma situação ruim com o Timão e encerrou o ano rebaixado. O que faz com que Felipe possa dar conselhos para o São Paulo, hoje 19º colocado do Brasileiro, e se afundando cada vez mais na zona de descenso.

- Lamento porque eles eram referências de tudo, alguns anos atrás. Em títulos, estrutura... Tudo. Por pessoas que não foram capacitados a honrar a história, São Paulo vive o que vive. É difícil analisar. Quando é um clube médio, tem costume a entrar nessa situação. Time grande não tem esse costume. O São Paulo entrou para brigar lá em cima. Não estão sabendo lidar com isso. Nessa hora tem que trabalhar, falar menos e ganhar o apoio do torcedor. É nessa hora que o torcedor faz a diferença. Passei por isso no Corinthians. Time montado às pressas, nenhum grande craque, não chegamos rebaixados na última rodada por causa do torcedor. Após o jogo eles cobravam. Infelizmente não conseguimos nos salvar. Depois disso você vê o que o Corinthians virou. Não sei se o São Paulo cai, mas as vezes é melhor um passo atrás para dar dois a frente - aconselhou.

BALANÇO DA CARREIRA

Apesar de ter se arrependido da forma em que saiu do Corinthians, Felipe vê sua carreira com bons olhos. As polêmicas ficaram para trás e após defender o Boavista por quatro meses, ele só quer saber de jogar futebol. Seja dentro ou fora do Brasil.

- Europa não é uma obsessão, mas se tiver algo legal, podemos analisar. Foi uma carreira boa. Mais momentos felizes do que tristes. Disputei competições importantes. Lutei por tudo. Cheguei e sempre joguei. Joguei no pior ano da história do Corinthians. Fiquei lá e subimos. No Fla, em 2013, mesmo campeão brigamos para não cair. Sempre vesti a camisa do clubes onde joguei. Normal o vascaíno não gostar, por exemplo. Visto a camisa. Arrependimento temos, todos cometemos, mas tive muito mais felicidade - avalia, sem priorizar um clube ou destino na carreira:

- Não dá para escolher. Muita gente jogando, de qualidade. Todos os clubes tem muitos atletas. As vezes não querem apostar mais uma vez, quero só um time com estrutura boa. Você só pensa em jogar. As coisas não são da forma como a gente pensa. Quero outra vez a rotina de jogador, para sair desse tédio de casa. Enquanto ainda dá para aguentar a gente fica - completa.

Antes de chegar ao Boavista, neste ano, Felipe passou por Vitória, Corinthians, Flamengo, Figueirense, Braga (POR), Bragantino, Portuguesa e São Caetano.

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