André Kfouri: 'O problema é a pressa'

Para o bem do futebol, não há mais dúvidas de que a utilização do árbitro assistente de vídeo é uma medida inevitável. O anúncio de que o sistema será aplicado a partir da próxima rodada do Campeonato Brasileiro, neste ponto, é uma excelente notícia. A questão é que estamos lidando com a CBF, uma entidade capaz de errar até quando acerta.

As experiências com o VAR no futebol europeu têm mostrado que um dos aspectos cruciais de sua implantação é o impacto no fluxo do jogo. Longas interrupções, por problemas de comunicação ou de qualquer outra natureza, tornam-se prejudiciais mesmo quando resultam em decisões acertadas, motivo pelo qual o aperfeiçoamento é fundamental. E não se aperfeiçoa uma medida como essa com atropelos. É contraproducente e, sem o risco de exagero, perigoso.

O objetivo a ser perseguido é um mecanismo de mínima interferência e máxima eficiência, alcançável apenas com treinamento de profissionais e solução de erros cometidos durante o processo de aprendizado.

Se a CBF - que protelava a aplicação do recurso eletrônico por motivos, acredite, financeiros - entende que existe pessoal especializado e preparado para aplicar o VAR, o futebol brasileiro produzirá resultados de campo mais justos e se protegerá do ridículo que se deu no domingo. Mas não é o que parece. Todas as características de uma medida apressada estão presentes, o que é típico da maneira como o futebol é administrado no país.

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