Brilha, ex-pior! Ascensão do Íbis tem influência de Guardiola e Carille

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"Quando a gente contrata um jogador, eu chego nele e falo: 'Aqui é o Íbis, considerado o pior time do mundo, mas você pode mudar a história disso".

E a história está mudando. O técnico Ricardo Souza vem fazendo aquilo que, para muitos, nem Pep Guardiola faria. O Íbis Sport Club largou sua sina de fracassos. O clube, que estava sem ganhar um jogo desde setembro de 2015, voltou a vencer há três semanas, na abertura da Série A2 do Pernambucano, a Segundona estadual. O triunfo já faria da atual temporada inesquecível, mas a equipe tomou gosto pelos bons resultados. Desde então, o Íbis venceu mais duas partidas e empatou o último duelo, emplacando a melhor série da história do clube, fundado em 1938. Diante de tamanho feito, Ricardo Souza, de 42 anos, já foi apelidado como Ricardo Guardiola pela imprensa de Pernambuco. E, de fato, há um toque de Pep na boa fase do Pássaro Preto.

Professor de educação física, o pernambucano Ricardo Souza começou no Íbis em 2012, como preparador físico da base, e depois treinou todas as categorias menores, desde o sub-13, até assumir o time profissional, em 2016. No ano passado, ele não conseguiu uma vitória sequer na Segundona, mas ainda assim ganhou uma segunda chance para 2017. Ciente de que precisava melhorar, Ricardo foi estudar: e os pilares de sua aprendizagem foram os livros "Guardiola Confidencial" e "Pep Guardiola: A Evolução", de Martí Perarnau.

"Tive sete derrotas e três empates no meu primeiro ano como técnico profissional, mas a diretoria me deu um crédito enorme. Como foi meu primeiro ano, eu não entendia algumas coisas. Mudei muito minha metodologia de trabalho para 2017. Fui estudar, passei seis meses estudando. Fiz alguns cursos online e estudei alguns livros, li os livros sobre o Guardiola. Sempre fui muito xereta. Fui buscando conhecimento para poder passar aos jogadores do elenco", disse Ricardo "Guardiola" Souza em papo com o LANCE!, sem esconder sua felicidade pelo apelido que recebeu recentemente:

"Gosto desse apelido, é bom, sempre é ótimo ser chamado daquilo que é bom. Sou fã dele, estudo muito ele desde o Barcelona. A comparação surgiu disso, certamente, porque aqui em Pernambuco sabem que eu sou muito fã dele".

Além de Guardiola, Ricardo Souza também tem outras referências. No Brasil, Tite e Fábio Carille estão entre os principais espelhos para o técnico do Íbis:

"Também gosto muito do Tite, do Mauricio Pochettino, do Marcelo Bielsa... E hoje, um cara que me inspira muito é o Fábio Carille. Gosto muito dele, dessa nova geração: Carille, Eduardo Baptista, Roger... Eu me inspiro muito neles".

O Íbis, quem diria, é o líder do grupo A da Segundona, com 10 pontos. A disputa conta com dez clubes, divididos em dois grupos. Os quatro primeiros de cada chave irão às oitavas de final. Depois, o mata-mata terá dois jogos por fase até o fim, previsto para os últimos dias de novembro. Só o campeão subirá para a primeira divisão de 2018, onde estão Náutico, Santa Cruz e Sport.

"O diferencial do nosso time é a união. Aqui não tem atleta individualista, o coletivo está bom. Passei uma ideia para os jogadores e eles compraram, conseguiram assimilar bem nossos treinamentos, nossa metodologia. Hoje o grupo é uma família e está caminhando para conseguir seus objetivos", comentou o técnico, contando que reformulou o elenco entre 2016 e 2017:

"Mantive apenas oito jogadores de 2016, trouxe alguns da base e também contratamos. A competição é sub-23, mas podendo inscrever quatro atletas acima dessa idade. E fomos buscar essas peças, jogadores com boa experiência regional. Essa bagagem é importante. Hoje o time joga no 3-4-3, com variações dependendo do adversário. Temos muitos atletas polivalentes, mesmo com um elenco pequeno, de 25 atletas. Tem jogador aqui capaz de atuar em duas ou até três posições. É um time que está dando o que falar aqui em Pernambuco".

Se a saga do Íbis terminar com final feliz, será o primeiro campeonato conquistado pelo clube na história. O máximo, até aqui, foram dois Torneio Início de Pernambuco, em 1948 e 1950. A última aparição do Pássaro Preto na Série A estadual ocorreu em 2000, promovido após histórico vice na Segundona de 1999. Porém, o time ficou em penúltimo (entre dez clubes) e foi rebaixado:

"Sobe só o campeão, não é fácil. É a hora de ser o melhor dos melhores".

 

 

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