Ausência dos EUA leva risco de impacto comercial na Copa do Mundo

  • Ashley Allen/AFP

Tudo bem que o soccer não é o esporte mais popular por lá, mas a ausência dos Estados Unidos na Copa do Mundo de 2018 tende a trazer reflexos significativos para o aspecto comercial do Mundial. Afinal, trata-se da maior economia do mundo. E esse desfalque tem tudo impactar especificamente na audiência da Copa na TV e também na venda de ingressos. Ou seja, não é o melhor dos cenários para uma Fifa que busca recuperação financeira após a onda de escândalos de corrupção.

Usando como base os números da Copa do Mundo de 2014, os Estados Unidos representaram a terceira maior audiência em números absolutos, ficando atrás de China (país mais populoso do mundo) e Brasil (país-sede). Foram cerca de 105 milhões de espectadores durante o Mundial, uma média de 8,2 milhões por partida, segundo relatório da Fifa.

Obviamente, a relação dos americanos com a Rússia é muito diferente - seja sob o prisma político ou turístico - da que é nutrida com o Brasil, mas o fato é que aproximadamente 204 mil ingressos foram destinados a pessoas oriundas dos EUA na Copa de 2014. A população dos Estados Unidos "abocanhou" a segunda maior fatia de ingressos (203,9 mil), ficando atrás só dos próprios brasileiros. A diferença para o terceiro país na compra de ingressos, a Argentina, foi enorme, já que os hermanos adquiriram 63,1 mil entradas.

Já que a seleção dos Estados Unidos não estará na Rússia, a probabilidade é menor na manutenção da curva crescente de audiência televisiva. Da Copa da África do Sul para o Brasil, o aumento foi na casa de 11%. Olhando mais quatro anos antes, para a Alemanha-2006, a diferença para a Copa-2014 foi de 33%.

A queda precoce e inesperada dos EUA também reduz praticamente a zero as chances de quebra de recorde de audiência com uma única transmissão do soccer. Na Copa de 2014, o jogo contra Portugal, ainda na fase de grupos, foi visto por 18,2 milhões de pessoas. Nunca uma partida de futebol colocou tanta gente diante da televisão nos Estados Unidos. Uma festa para a ESPN, emissora detentora dos direitos para o território ianque.

O desempenho norte-americano não fica sob risco apenas quando se trata de TV. As transmissões por outros dispositivos também estarão à prova. Em 2014, por exemplo, foram 3,5 milhões de visitantes únicos na plataforma Watch ESPN durante o jogo contra a Bélgica, pelas oitavas de final, que selou a eliminação da seleção. Foi um crescimento na casa dos 200% em relação ao pico de audiência da mesma plataforma em relação à Copa de 2010.

Com a eliminação gerada pela derrota para Trinidad e Tobago, será impossível ver nos Tranding Topics do Twitter durante a Copa a hashtag #USMNT (US men's national team), que é a sigla para a seleção masculina dos Estados Unidos. Um cenário bem diferente da Copa do Mundo feminina, já que a #USWNT (US women's national team) é campeã do mundo.

O jeito é esperar mais quatro anos para ver se o consumidor de soccer nos Estados Unidos terá a oferta de ver a sua equipe nacional em ação novamente em uma Copa do Mundo. Até lá, a solução é apreciar quem teve mais competência, inclusive o Panamá ou concentrar a atenção no basquete, futebol americano e beisebol

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