Histórias do Fla-Flu: na Europa, volante relembra carreira e o clássico

Em 2009, Flamengo e Fluminense se enfrentaram pela primeira vez, na história, em uma competição internacional. Foi na mesma Copa Sul-Americana, torneio que recebe nesta quarta-feira o clássico mais charmoso do Brasil. Naquela ocasião, o Tricolor levou a melhor com dois empates - 0 a 0 e 1 a 1 - mas o gol qualificado levou o Flu para à fase seguinte, terminando a competição em segundo lugar, ao perder a decisão para a LDU (EQU).

Um personagem daquele time, que ficou conhecido como Time de Guerreiros, lembra bem de como tudo ocorreu. Ele é o volante Mauricio, revelação das categorias de base tricolor e integrante daquele plantel, comandado por Cuca. Hoje, ele atua no PAOK, da Grécia, mas saindo do Tricolor, fez história no Terek Grozny, da Rússia e ainda passou pelo Zenit (RUS).

Em conversa com o LANCE!, Maurício lembrou de como foi histórica a classificação do Fluminense. Do lado rubro-negro, jogadores como Petkovic e Everton já faziam parte do elenco que surpreendeu no Brasileiro e sagrou-se campeão com uma arrancada.

- Me lembro bem desse jogo. Empatamos o primeiro jogo em 0 a 0. Como tinha a questão do gol qualificado, poderíamos empatar em 1 a 1 que ainda assim o nosso time avançaria. E foi isso que aconteceu. O Roni (atacante) fez um e acabamos passando. O Flamengo contava com jogadores de muita qualidade como Petkovic, David Braz e Everton. A nossa situação era um pouco diferente do momento atual do Fluminense. Como o time precisa da vitória, acho que vai sair mais para o jogo - comenta o volante, que está na Europa desde 2010 e fez 79 partidas pelo Flu e quatro gols.

Maurício ainda guarda recordações de outro Fla-Flu memorável. Em 2008, com show de Thiago Neves, o Tricolor goleou o rival por 4 a 1, em partida que ficou conhecida como o jogo do 'créu', em referência a uma famosa música de funk da época, que deu a tônica nas comemorações de Neves durante cada gol. Maurício também entrou na dança e fechou a goleada arrasadora. Este jogo, dá ânimo para o jogador acreditar em uma reviravolta tricolor nesta quarta-feira e, consequentemente, na classificação paras às semifinais continental.

- Acho que é natural guardar na lembrança os dois jogos em que acabei marcando os gols. Costumava dar sorte contra o Flamengo e marquei duas vezes contra eles. E nesses dois jogos não perdemos. Em 2008, pelo Campeonato Estadual, enfrentamos eles em um dia em que o Thiago Neves fez de tudo. Ele marcou três gols e eu fechei o placar. Vencemos por 4 a 1. E, no mesmo ano, pelo Campeonato Brasileiro. Consegui acertar um bonito chute em cima do Bruno, que vivia grande momento com a camisa do Flamengo. Infelizmente, tomamos um gol no final e a partida terminou empatada. Mas, no geral, guardo boas lembranças - diverte-se.

Sem perder um momento do Tricolor, Maurício sofre com a situação atual da equipe no Campeonato Brasileiro. Apesar de estar focado na Sul--Americana, o Fluminense vem fazendo um campeonato instável, que o coloca, neste momento, próximo da zona de rebaixamento, faltando apenas sete rodadas para o término da competição. Contudo, experiência ao volante não falta. Ele também era integrante do time de 2009, que 'rebaixou os matemáticos' e de forma incrível e manteve-se na elite. Por isso, a confiança em uma disparada no atual nacional é enorme.

- Esse Fluminense já conseguiu grandes feitos. Com toda certeza. Mesmo distante, acompanho muito o time e confio em uma reviravolta. O Fluminense tem um ataque muito rápido, uma bola parada forte e com um atacante que é artilheiro. Isso pode fazer a diferença no final - receitou Maurício.

VIDA NA EUROPA E PROJETOS

Já são oito anos no futebol europeu. Foram seis defendendo o Terek Grozny, da Rússia, dois o Zenit (RUS), e agora começa a fazer seu nome no PAOK, da Grécia. Em seu último jogo, foram dois gols em três minutos, o que faz Maurício sonhar e não pensar, por agora, em voltar ao Brasil.

- Sentei com o meu empresário (Pierre Fernandes) e analisamos as possibilidades. Tínhamos algumas ofertas bem interessantes, inclusive do Brasil. Mas queria permanecer no futebol europeu. Aqui evolui muito e acabei optando pelo PAOK pelo projeto que me foi apresentado - disse, falando do seus sonhos:

- Nesse momento é fazer história com a camisa do PAOK. Esse início de trabalho é o melhor possível. Já ajudei o time com assistências e marquei dois gols no último jogo. Estamos na luta pelo título, a nossa torcida é muito apaixonada e apoia a todo momento. Dá muito prazer jogar aqui - garantiu.

Responsável por levá-lo ao futebol grego, o empresário Pierre Fernandes, explicou a decisão pelo PAOK e o momento do volante.

- Tive propostas muito boas pelo Maurício. Ofertas oficiais da Espanha, da Itália, e duas da própria Rússia. Escolhemos o PAOK pela ambição do projeto. O intuito é de ganhar tudo na Grécia nos próximos anos e dar fim a hegemonia do Olympiakos. Sendo assim, o intuito é de montar um time forte, que tenha condição de disputar uma Liga dos Campeões. O Maurício teve essa oportunidade pelo Zenit e carrega com ele o sonho de voltar a disputar também essa competição. Além disso, o PAOK já tinha um interesse antigo no Maurício, desde a época dele no Terek. Tudo acabou se encaixando - revelou.

Se um dia retornar, Maurício não esconde que o Fluminense é sua prioridade, caso apareça algo oficial. O carinho pelo clube é enorme e não existe mágoa alguma do país e da equipe que o lançou para o futebol.

- Acabei saindo do Brasil um pouco cedo, mas fiz quase 70 jogos pelo Fluminense. Joguei ao lado de grandes atletas e fui treinado por excelentes técnicos. Não tenho que reclamar de nada, muito pelo contrário. Sou muito grato. Não guardo mágoa de nada. Se um dia voltar, é claro que tenho um carinho muito grande pelo Fluminense. Seria uma honra vestir essa camisa novamente. Tenho amigos no clube até hoje.

E se um dia conseguir voltar, sem dúvidas, Maurício será outro jogar. Com 29 anos recém-completados - no último dia 21 - ele acredita que será diferente de quando deixou o Brasil.

- Com certeza vou voltar ao Brasil muito mais maduro. Me adaptei muito rápido ao estilo europeu e isso me ajudou bastante. Tive muita sorte uma vez que contei com o apoio de todos os profissionais com quem trabalhei, seja na Rússia ou aqui na Grécia. Aqui na Europa você acaba vendo o futebol de uma forma diferente. Tenho certeza que isso irá me ajudar muito quando retornar - comentou.

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