Eleição Vasco 2017: 'O Vasco tem que voltar a escrever história no futebol mundial', diz Julio Brant

O LANCE! publica nesta sexta-feira a terceira entrevista exclusiva da série especial com os candidatos à presidência do Vasco, com eleição marcada para a próxima terça-feira, em São Januário. Por critério editorial, as publicações estão sendo feitas por ordem alfabética, com 15 perguntas iguais para os postulantes. Nesta sexta é a vez do candidato de oposição Julio Brant, que encabeça a chapa Sempre Vasco Livre. Ele se uniu na última segunda a Alexandre Campello, que retirou sua candidatura com a Frente Vasco Livre para apoiá-lo, assim como Antônio Fernandes, da então chapa Novos Rumos, retirou a candidatura na noite da última quinta-feira para também apoiá-lo. Concorrem também Eurico Miranda (chapa Reconstruindo o Vasco) pela situação e Fernando Horta (Mudança com Segurança) pela oposição.

Faça uma apresentação.

Meu nome é Julio, sou conselheiro de oposição do Vasco. Sou sócio do clube desde os 10 anos de idade. Tenho uma relação com o clube muito familiar, minha família toda é vascaína e sócia, a gente frequenta o clube desde pequeno. Minha vida profissional foi fora do Brasil durante muito tempo e em 2014 voltei ao país para a gente tocar o projeto de eleição do Vasco. A gente tinha um projeto interessante, montado junto com vários outros executivos e jogadores, o Edmundo liderou esse processo com a gente. Começamos ali um projeto que foi vitorioso, tivemos 1570 votos. Foi uma eleição considerada uma das maiores da história do clube. Tivemos um número considerável de votos se considerar que a gente não praticou nenhuma fraude, nossos eleitores foram aqueles que saíram dos trabalhos e de duas casas para votar porque acreditavam no projeto nosso de renovação que o Vasco precisa. Enfim, foi uma eleição muito boa no ponto de vista dos votos, mas não muito coa com a experiência como terminou a eleição. Então por isso resolvemos colocar o nosso projeto novamente à disposição do sócio para tentar fazer o que a gente acredita que tem que ser feito, que é a transformação e renovação da realidade do Vasco.

Qual é o carro-chefe da campanha?

O carro-chefe da campanha é a gestão, a transformação do Vasco através de um modelo profundo, transparente e competente de gestão do clube. Uma gestão com ligação do futebol. O Vasco não é uma empresa, é um clube de futebol, e clube de futebol não é feito para dar lucro, é feito para dar alegria. Então, todo nosso modelo de gestão tem como objetivo fazer com que a bola entre no gol, fazer com que o Vasco seja campeão, ganhando no campo. Se isso não acontecer, não adianta nada ter um lucro espetacular, ter a dívida reduzida. A gente quer fazer que as duas coisas aconteçam. Por isso temos o melhor time dentro e fora do campo, os melhores executivos e os melhores ex-atletas e ídolos da história do clube.

Qual é o planejamento que você tem para o futebol?

Para o futebol, temos dois planejamentos. Primeira coisa é um centro de treinamento. Você não pode ter um trabalho sério hoje sem um CT bem estruturado tanto para a base quanto para o profissional. Então, a gente vai trabalhar um modelo de centro de treinamento integrado com base e profissional, para fazer uma relação entre eles. Vamos dar uma meta para os nossos executivos de futebol para ter uma mescla de no mínimo 33% do nosso elenco profissional ser da base. Queremos aproveitar muito a base, voltar a resgatar o que o Vasco tinha no passado. Tenho conversado muito com o Pedrinho, que jogou no Vasco desde os cinco anos, a gente tem falado sobre isso. A base no Vasco precisa voltar a ser o que sempre foi, um celeiro de craques. Ter no time profissional quatro posições centrais e preencher esse elenco com jogadores da base. Estamos conversando com alguns clubes aí para trazer alguns jogadores que a gente entende que são chaves nesse novo modelo, e a gente espera anunciar tão logo feche a eleição e nossa vitória aconteça. A gente espera anunciar pelo menos dois nomes importantes para esse modelo. Porque além de eles serem referências no elenco, vão ser para a formação dos meninos da base.

Qual será sua primeira atitude caso seja eleito?

Comemorar muito (risos). A primeira atitude é comemorar, celebrar e fazer que os vascaínos voltem a acreditar que podemos voltar a ser um clube que fomos um dia. Que podemos voltar a ser campeões, líder do Campeonato Brasileiro, disputar campeonatos como Libertadores e Mundial, torneios de pré-temporada com outros grandes clubes de igual para igual e estar de volta a cena do futebol mundial. O Vasco hoje é parte da história do futebol mundial. Tem que deixar de ser só isso e voltar a escrever novamente história no futebol mundial. Para isso é precisa fazer transformações e mudanças, renovar, e estamos vivendo esse momento agora.

O técnico Zé Ricardo fica para 2018?

A gente entende que o resultado é fundamental, claro. A gente não tem nada contra o Zé Ricardo. Eu particularmente acho o Zé Ricardo uma figura humana muito boa, um profissional de qualidade, competente. Fez um bom trabalho por onde passou e tem feito no Vasco. Então, pode continuar com a gente, e se continuar a fazer o trabalho que tem feito vai ficar em 2018.

E o planejamento para a estrutura do clube?

O CT é nossa prioridade, precisamos colocar de pé o mais rápido possível. Nós queremos revitalizar a sede náutica, já tem um projeto que nós fizemos em 2014 pré-aprovado pela prefeitura. Queremos usar o ponto, que é muito valioso no Rio de Janeiro, para realizar eventos ali. E que isso gere recursos para a própria sede e para o remo. A mesma coisa o Calabouço, que está em posição importante e muito privilegiada. Em 2014 a gente tinha um pré-acordo com uma rede de hotéis para construir um ali sobre aquela parte social da sede. Então, a gente conversou com a prefeitura, emperrou um pouco o projeto e nós seguramos a ideia, mas queremos voltar com ela. Nossa ideia é revitalizar o máximo possível essas sedes e passar a colocar à disposição de novo do vascaíno. O nosso sócio tem que utilizar intensamente esses espaços, que hoje não estão sendo bem utilizados.

Em um clube que o passivo tributário é grande, tem muitas dívidas trabalhistas, qual é o plano para tentar sanar isso e ter dinheiro para cumprir o orçamento?

O Vasco tem cerca de 50% da sua dívida tributária e trabalhista, então você tem pouca margem para mexer. Muitos deles renegociados várias vezes, então gera uma fragilidade muito grande. Então, tem que mexer na outra metade, em que vamos ter um comitê gestor da dívida, com profissionais especializados em reestruturação de dívida para fazer um trabalho focado não só na auditoria delas, para saber o que de fato é dívida, o que não tem origem clara e o que dá para ser renegociado. Grandes empresas fazem isso, é um processo normal. É diferente de calote, nós não queremos e não vamos fazer isso no mercado. O Vasco será um clube cumpridor das suas obrigações, de contratos. É preciso também alongar o perfil dessa dívida, que é encontrar recursos que possam fazer frente as necessidades de curto prazo do Vasco, fazendo isso de forma alongada a um custo financeiro mais baixo. Vamos fazer isso de forma independente e constante. A gestão da dívida é uma área que vai atuar de forma independente para poder renegociar com o mercado essas dívidas.

Qual o ponto que você considera mais vulnerável da administração do clube no momento?

Essa pergunta é difícil, são tantos pontos. O ponto mais vulnerável da administração atual é a liderança, que é muito ruim. Então, o ponto mais vulnerável é o atual gestor, que não tem liderança, não passa confiança, credibilidade, empatia, não tem apoio dos seus sócios, do mercado e está isolado. A partir daí, nada pode funcionar. Por isso o Vasco hoje vive uma situação caótica.

Quais os planos para São Januário e um possível centro de treinamento?

Para São Januário e CT, nós fomos até Portugal e buscamos uma empresa, que é a Tecnoplano, uma referência na construção de centro de treinamento e estádios na Europa, e fizemos dois projetos. Um para o CT, que está orçado na faixa de 17, 18 milhões de reais. E também um para São Januário, uma reforma para o estádio, com aumento de capacidade, em torno de 33 mil lugares. Eu tinha colocado uma meta para a gente trabalho com até R$ 120 milhões e hoje o projeto já está em R$ 108. Basicamente para São Januário é uma reforma, melhoria dos acessos, aumento da capacidade e melhoria da entrada. Ou seja, onde hoje é a quadra, vai ser construída uma grande explanada de acesso e ali vai passar a ser a entrada principal da torcida que vai para arquibancada. Explanada aberta, com lojas... assim São Januário vai deixar de ser um estádio fechado para comunidade e passar a ser aberto, vai passar a ser um ponto de serviço. Nós vamos fechar o anel e melhorar a cobertura em todo o estádio. Nosso projeto de CT segue os mais modernos padrões mundiais, com campos agregados, tanques de areia, áreas de corrida, área de recuperação fisiológica e física, centro de diagnóstco, área de atendimento à imprensa, dois mil lugares de arquibancada para a base, uma área de hotelaria... então, é um CT modermo, no padrão dos melhores clubes do mundo. O CT já tem lugar, mas não posso falar, porque a gente já fez uma opção de compra na calada e a pessoa que a gente fez não sabe que é para isso, se souber, o preço sobe.

O que fazer para crescer e dar credibilidade à marca Vasco no mercado?

Você tem um conjunto de ações. Primeiro, a credibilidade, transparência e o trabalho correto dentro da gestão do clube. Marca hoje é tangibilizada pelos ativos tangíveis e intangíveis da empresa. O que isso significa? Toda empresa é vista pelo o que ela entrega e a maneira que ela entrega. O Vasco hoje é muito mal representado na figura do seu atual presidente. É alguém que não passa credibilidade, não passa vigor, saúde, transparência, empatia, não comunica bem seja com o sócio, torcedor, a imprensa e o mercado. A começar pela própria figura do atual presidente, fica impossível se construir uma boa marca. É preciso de alguém que não só se comunique bem, mas que entregue aquilo que está prometendo. Você precisa de um time competente, de uma equipe que saiba o que está fazendo. Então, você precisa contratar profissionais qualificados do mercado. A segunda coisa é profissionalizar a estrutura do clube. Só que isso não adianta muita coisa se você não tiver processos e metas, senão todo mundo bate cabeça e ninguém sabe para onde vai. Então, você precisa desenhar processos no marketing, na logística, suprimentos, contabilidade, finanças, controladoria, enfim, em todas as áreas. A volta dos ídolos, que tanto trouxeram boa imagem, isso traz um movimento de reforço para marca. Com isso, vamos devolver à marca Vasco da Gama atributos positivos que são dela e que estão hoje ofuscados pela gestão atual. Quando você volta esses atributos, o mercado olha de forma diferente. O Vasco é um gigante e nos trilhos um monte de patrocinador vai querer entrar, porque é muito grande.

Com você no comando, o investimento nos esportes olímpicos será forte ou ficará em segundo plano por causa do futebol?

De forma alguma. Eu estive em Lausanne, capitão mundial dos esportes olímpicos, na semana passada exatamente para entender um pouco mais sobre isso. Eu ter ido lá para isso mostra a importância que damos aos esportes olímpicos. A gente entende que o Vasco tem que voltar a ser referência em alguns desses esportes. Agora, sem irresponsabilidade, sem aventura, de forma estruturada e organizada. Dando autonomia e independência a um centro de custo montado específico para cada esporte. Para que cada um deles busque o parceiro que vai se encaixar dentro da estrutura de custo que tem. Por exemplo, R$ 1 milhão para o futebol não é nada, mas resolve o problema do remo. É adequar o potencial do esporte olímpico ao que o mercado pode pagar. Aí, o Vasco como corporação, fazer o controle da aplicação desses recursos, mas com o esporte tendo a independência de tocar o dia a dia pela equipe técnica.

Qual o plano para trabalhar o programa de sócio-torcedor?

O programa de sócio-torcedor do Vasco precisa ser um que inclua. O Vasco tem que incluir a torcida que está fora do Rio de Janeiro, que é 70% da torcida. A gente precisa trazer essa torcida de volta para São Januário. Fisicamente é muito difícil, então a gente precisa ter mecanismos dentro do programa que a inclua essa torcida. Por exemplo, votação online. Vamos contratar três jogadores, abre votação na internet, aplicativo de celular para o sócio escolher um atleta. Vamos fazer uma terceira camisa, qual vai ser a cor? Deixa o sócio votar. Eleição no clube, vamos botar o sócio para votar online. Uma série de ações de transparência, botar no site as contas do clube, programação, vídeos, criar conteúdos em que você possa interagir em uma área fechada no site com o sócio. Dar valor e percepção de participação para esse sócio dentro do clube. Então, ele não precisa estar em São Januário para participar, pode estar em qualquer lugar do mundo que vai se sentir sócio do Vasco da Gama.

Na questão de patrocínio e fornecedora de material esportivo, o que fará caso seja eleito?

Vamos buscar o melhor patrocinador e melhor fornecedor que o Vasco pode ter hoje. O Vasco tem que ter fornecedor de primeira linha, tem que estar entre os melhores. Nós já estamos conversando e vamos intensificar as conversas com o melhor.

É a favor de uma reforma estatutária? E é a favor do Vasco passar a ter eleição direta?

Sem dúvidas. Sou a favor de uma eleição direta, aumento no número de integrantes do conselho fiscal, eleições online, redução do poder do presidente, maior independência dos poderes do clube para que façam seus trabalhos como devem ser feitos. A gente quer que o estatuto reflita o atual momento da sociedade brasileira, que exige transparência, participação ativa e democrática, representatividade. É isso que a gente vai fazer. Lembrando que essa tarefa é do Conselho Deliberativo. Então, nós vamos estimular a discussão, mas a tarefa é do conselho.

Deixe seu recado ao torcedor.

Queria que o torcedor e sócio vascaíno se mobilizassem e participassem do processo político. Que estejam no dia 7 de novembro em São Januário votando ou panfletando, balançando a bandeira, se ele não puder votar. Vai fazer campanha para o seu candidato. O processo político é a única forma de mudança no Vasco. Se a gente sair e abandonar o Vasco, é o que eles querem, que o clube fique sozinho para eles. Não podemos deixar isso acontecer, temos que participar.

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