Chapa de Eurico Miranda é eleita, mas decisão ainda vai para Justiça

Em uma eleição que terá desdobramentos na Justiça, a chapa de Eurico Miranda ('Reconstruindo o Vasco') foi eleita para manter o atual presidente mais três anos à frente do clube. Assim que terminou a apuração do pleito, já na madrugada desta quarta-feira, os gritos de vitória foram proclamados pelas duas chapas que terminaram concorrendo. Isso porque o atual mandatário venceu contando os votos de todas as urnas, só que uma delas será analisada pela Justiça, e sem ela Julio Brant, da 'Sempre Vasco Livre', teve mais votos.

Contando todas as urnas, a chapa de Eurico teve 2.111, enquanto Brant teve 1.975, Horta 434 e 14 votos foram nulos/brancos. Sem a urna separada, Brant fica com 1. 935, Eurico com 1683, Horta com 421, dois anulados e três brancos. Apesar de a oposição prometer que confia na Justiça para impugnar os votos da urna suspeita, Eurico está confiante que o resultado da eleição será mantido.

- Que tentem (impugnar), podem tentar à vontade. Não sei nem o que vão impugnar. Baseado em quê?O resultado está lá na urna, os votos estão lá, eu não tenho que me defender de nada. Eles é que têm que procurar algumas coisa, Perderam a eleição - disse Eurico Miranda.

Na urna separada, a maior parte parte dos votos foi para Eurico Miranda: 428 para o Eurico, 42 para Brant e 4 votos para Horta. Por isso, Brant acredita que a Justiça vai mudar o resultado.

- Não assinamos o documento que dá a validade dos votos. Coloram os votos em separado, contrariando a decisão da juíza. Vamos esperar com muita tranquilidade. Não vamos hoje ao plantão judicial, vamos aguardar a juíza. É uma decisão fácil de tomar. Quase 100% dos votos da urna separada foram a um candidato. Esse mês deve sair a decisão final - disse Brant.

A eleição do Vasco é indireta. A chapa eleita nesta terça nas urnas tem o direito de indicar 120 nomes para o Conselho Deliberativo (Code). O segundo colocado indica 30 nomes. Estes 150 novos conselheiros, os eleitos, irão se juntar a outros 150 natos, totalizando 300. Em janeiro, em data ainda a ser definida, o Code se unirá na sede náutica do Vasco, na Lagoa, para votar na Diretoria Administrativa 2018/2020.

Início da votação

Os portões de São Januário foram abertos pontualmente às 9h para a votação em clima tranquilo. Do lado de fora do estádio, trios elétricos dos três candidatos tocavam suas músicas de campanha e correligionários faziam campanhas de Eurico Miranda, Fernando Horta de Julio Brant. Policiais militares estavam no entorno do local fazendo a segurança.

Visando evitar qualquer tipo de fraude, o sócio precisava passar por duas barreiras para conseguir entrar no ginásio. Lá, ele ainda ele ainda passava pela mesa do presidente da Assembleia Geral e apresentava carteira de sócio e documento oficial com foto para poder votar.

Ex-jogadores e celebridades votando

Alguns ex-jogadores votaram eleição cruz-maltina. Valdir Bigode, apoiador de Eurico Miranda, e Edmundo, simpatizante de Julio Brant, foram os primeiros a aparecerem em São Januário para votar. Durante a tarde, Pedrinho e Felipe, que também estão apoiando a chapa 'Sempre Vasco Livre' votaram.

Algumas celebridades também marcaram presença. Uma delas foi ator e humorista Bruno Mazzeo, que votou em Brant. Bruno é filho de Chico Anysio, que, vascaíno declarado, foi, após a morte, homenageado pelo clube, ainda na gestão de Dinamite. Na época, a diretoria batizou uma das salas do clube com o nome de Chico. Porém, a homenagem foi retirada na gestão de Eurico.

- É o tipo da coisa que nem se pode levar em consideração, de tão baixa - disse Mazzeo, ao comentar sobre a retirada da homenagem.

União da oposição

No começo da tarde, começou uma negociação nos bastidores para que Horta abrisse mão da sua candidatura e apoiasse a chapa 'Sempre Vasco Livre'. Eurico foi até a imprensa e disse que um desembargador, que nem era sócio do Vasco, estava costurando um acordo com os membros da chapa 'Mudança com Segurança' para que seus eleitores votassem em Brant.

De início, Horta não aceitou retirar a candidatura. No entanto, mais tarde, o candidato foi convencido por seus pares e acabou saindo do pleito e anunciado seu apoio a Julio Brant. A atitude revoltou Eurico Miranda, que classificou o ato como palhaçada.

- Vocês acabaram de presenciar uma palhaçada. É uma eleição tranquila, mas uma coisa que eles não sabem é perder. E aqui no Vasco só fazem perder. Isso foi uma palhaçada - esbravejou.

Polêmica e acusações sobre urna separada

No canto direito do ginásio, uma fila era formada por sócios que votariam em uma urna separada. Eles estavam em uma lista que contava com 691 nomes devido a irregularidades encontradas no cadastro. Muitos desses, se filiaram ao clube entre novembro e dezembro de 2015, período em que o plano mais barato de sócio ainda com direito a voto teria fim.

Porém, nem todos pareciam estar nessa situação, como foi o caso de André Gomes Reis, sócio benfeitor remido desde 2012. Um sócio benfeitor remido teve que utilizar local, e uma eleitora se disse discriminada por ter de votar em separado.

Discussões e confusões

A eleição ocorreu em clima tranquilo na maior parte do tempo. Ocorreram apenas confusões isoladas. A primeira, por volta das 20h, por conta de um eleitor que queria votar sem documento de identidade com foto. O bate-boca começou na fila e acabou envolvendo Roberto Monteiro, da Sempre Vasco Livre, Itamar Carvalho, presidente da Assembleia Geral, e até Eurico Miranda. Alguns seguranças precisaram entrar no circuito para acalmar os ânimos.

Depois, já no final da votação, mais discussões. Começaram a ser retirados fiscais e pessoas sem credenciais para a apuração. Porém, Faues Mussa, um dos articuladores da oposição, quis permanecer, mesmo sem credencial. Foi aí que começou o bate-boca dele com apoiadores de Eurico, que só parou depois de alguns minutos e Mussa acabou saindo do ginásio.

Já perto do fim da votação, teve princípio de confusão no portal principal de São Januário. No empurra-empurra, copos de cervejas foram jogados e a polícia lançou spray de pimenta.

Valdir Bigode e Alex Evangelista foram hostilizados. Pelas redes sociais, o gerente científico cruz-maltino disse que foi ameaçado quando estava entrando em São Januário à noite por simpatizantes de Julio Brant. Eles contou que falaram até que quebrariam o Caprres.

- Eu fui na rua e na hora de voltar não deixaram a gente entrar. E de forma truculenta, de forma ameaçadora, me ameaçaram, ameaçaram a minha família, dizendo que sabiam onde eu morava. Pior do que isso, dizendo que iam entrar e quebrar o Caprres inteiro - disse Evangelista.

Durante a apuração, um fiscal de Brant e outro de Eurico discutiram e quase foram às vias de fato. Isso só não aconteceram porque outros fiscais separaram os dois, que depois sentaram em lugares distantes na mesa.

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