"Primeiro susto, agora uma gratidão gigantesca", destaca Isabelly Morais

Na última terça-feira (7), foi comemorado o dia do Radialista, no entanto, em Minas Gerais, um novo acontecimento entrou para a história do radio mineiro: a primeira partida de futebol narrada por uma mulher no estado. Uma jovem de 20 anos, estudante do 5º período de jornalismo e estagiária da rádio Inconfidência foi a escalada para narrar a partida entre América-MG e ABC, pela 34ª rodada da Série B do Campeonato Brasileiro. Isabelly Morais, mesmo com sua pouca experiência no radiojornalismo esportivo - apenas 4 meses de trabalho na área - não pensou duas vezes para aceitar o desafio.

? Eu fiquei um pouco assustada, mas de cara eu já respondi que aceitava. Se eu tivesse pensado bastante eu teria colocado em uma balança: Qual seria a repercussão disso tudo? Eu ainda sou uma estudante, tenho 20 anos, será que vale arriscar tanto minha carreira assim? Será que vale me expor tanto assim? Se tivesse colocado isso tudo em uma balança, pensado demais, talvez eu não teria aceitado. Mas aí, eu aceitei de cara ? contou a jovem.

Apesar do susto, a jovem já esperava pelo convite. Segundo ela, o comentarista José Augusto Toscano já havia avisado que a colocaria para narrar o jogo em algum momento.

? Eu já sabia disso e fiquei também muito grata pela confiança dele. O Toscano está na Inconfidência a mais de uma década e fui a primeira mulher que ele colocou para narrar. Ele confiou a ponto de abrir o microfone para mim, uma estagiária, em uma rádio tão tradicional como a Inconfidência. Então, no primeiro momento um pouco de susto, depois uma aceitação normal e agora uma gratidão gigantesca ? explicou Isabelly.

Estudante da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Isabelly conta com gosto sua avaliação sobre a narração e destaca dois pontos como principais: a técnica e o contexto. O último com um julgamento extremamente positivo.

? Quanto a técnica eu preciso aprimorar muito, mostrar para alguns profissionais que já estão a muito tempo na área, receber dicas, adequar minha voz, impor minha voz melhor e me adequar melhor, também, a dinâmica da narração esportiva. Quanto ao contexto, aí sim a avaliação foi extremamente positiva. Eu sou uma jornalista em formação, no quinto período de jornalismo, tenho 20 anos, 4 meses na rádio e antes eu nunca tinha trabalhado com radiojornalismo. Agora, já consegui narrar um jogo. Estou super feliz pelo resultado! Tenho pouquíssima experiência e consegui conduzir a jornada ? avaliou a jovem.

Pensando em um possível futuro como narradora esportiva, Isabelly conta que quer se descobrir na profissão e mais a frente saber se é realmente esse caminho que quer seguir.

? Acho que foi um primeiro passo muito importante, mas eu quero estudar mais a narração, aprimorar mais e aí quando eu chegar em um nível onde eu esteja satisfeita, quero ver se realmente é isso que quero seguir. Acho que, à princípio, está muito cedo ainda. Eu quero viver mais vezes a narração e, também, outras funções para ter uma posição. Certamente é algo que eu quero continuar me dedicando. Isso eu posso cravar. Quero me dedicar a narração para quem sabe isso ser minha profissão no futuro ? contou estudante.

Feliz e grata por sua oportunidade, Isabelly fala sobre a importância do feito para a sua carreira, mas também enfatiza um pensamento crítico sobre o fato de ter sido a primeira mulher a narrar uma partida de futebol em Minas Gerais.

? Ter sido a primeira mulher a narrar futebol pela rádio inconfidência foi muito significativo para minha carreira. Mas, ter sido a primeira mulher do estado é ainda mais gratificante. ? declarou a jovem ? Isso me deixa feliz, por ter feito história e marcado o radiojornalismo mineiro, mas ao mesmo tempo me faz ter um olhar muito crítico. Já estamos em 2017 e só agora uma mulher narrou uma partida de futebol. Eu espero que agora outras mulheres venham e o radiojornalismo esportivo mineiro e nacional tenham cada vez mais participação de mulheres ? completou.

Inspirada em profissionais como Osvaldo 'Pequetito', da rádio 'Super Notícias', Jamil Chade, do jornal 'Estado de São Paulo' e Natalie Gedra, da 'ESPN' a jovem estudante da UFMG fala sobre o quão representativo foi este acontecimento. Já que muitas mulheres que querem seguir carreira no jornalismo esportivo, podem se sentir incentivadas e inspiradas pelo enorme passo que Isabelly deu em sua carreira.

? Fico muito feliz por ser hoje inspiração para outras mulheres com pouco tempo de carreira. Na verdade eu ainda nem me formei, ainda sou graduanda. Então, já no começo da minha carreira poder inspirar outras mulheres dentro de uma área pela qual eu sou apaixonada é muito significativo para mim ? declarou a estudante, que voltou a incentivar a presença de mulheres no jornalismo esportivo ? Espero que agora outras mulheres vejam a possibilidades dentro do jornalismo esportivo, abracem as oportunidades que aparecerem para elas e corram atrás de chances. É muito representativo realmente e eu estou muito feliz por ser exemplo para outras mulheres ? finalizou.

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