Novo técnico do Palmeiras é "vendedor de ideias" e admirado por Tite

Roger Machado, técnico do Palmeiras para 2018, costuma se definir como um "vendedor de ideias". Para ele, o segredo de um bom trabalho é fazer os jogadores entenderem, acreditarem e executarem o que é pedido.

Embora tenha procurado Mano Menezes e Abel Braga primeiro, Alexandre Mattos, homem forte do futebol palmeirense, é fã de Roger há bastante tempo e tentou contratá-lo para substituir Cuca no fim de 2016. Um outro fã de respeito é Tite, que o comandou no Grêmio e o indicou para substitui-lo no Corinthians quando foi para a Seleção Brasileira - a proposta foi recusada.

A declaração a seguir é de Tite, em outubro de 2015, em uma entrevista à "ESPN Brasil":

"Como atleta, o Roger já tinha uma visão macro, de senso de equipe. A gente percebe quando o atleta tem esta capacidade. Ele tem uma linha de trabalho que se assemelha muito com a minha: uma equipe de triangulação, de posse de bola, em que a bola longa é uma segunda alternativa e não a ideia central, que faz pressão onde perde a bola, que faz essas transições, pode fazer pressão alta, média ou baixa. Tem um pensamento de futebol, uma metodologia e treinamentos muito atuais".

Roger deve trazer consigo apenas um profissional: o auxiliar Roberto Ribas, que conheceu quando integrava a comissão técnica fixa do Grêmio, ainda em 2011, e o acompanhou em todos os clubes desde então.

Antes de virar comandante, ele teve uma trajetória bem sucedida como jogador: o então lateral-esquerdo fez mais de 400 jogos pelo Grêmio e tornou-se ídolo ao conquistar uma Copa Libertadores (1995), um Brasileirão (1996), três Copas do Brasil (1994, 1997 e 2001) e quatro Gaúchos (1995, 1996, 1999 e 2001). Depois de uma passagem pelo Vissel Kobe, do Japão, ainda jogou no Fluminense entre 2006 e 2008 e tornou-se o atleta com mais títulos da Copa do Brasil na história: ganhou a edição de 2007, marcando o gol do título. Em 2009, assinou contrato com o DC United, mas nem chegou a jogar devido a um problema na coluna que o fez encerrar a carreira.

"O treino simula o jogo"

Este é o lema do trabalho de Roger. E isso não inclui apenas passes, dribles, chutes ou movimentações táticas. Vale também para as partes mental e física.

O técnico exige que seus jogadores estejam focados no trabalho 100% do tempo, e até por isso costuma dizer que jamais fará uma atividade com duas horas de duração. Além disso, trabalha em conjunto com a preparação física para que os trabalhos com bola sirvam também para condicionar os atletas - ele é formado em educação física.

Roger é adepto de alguns conceitos modernos. Um deles é a amplitude, com jogadores bem abertos tanto na saída de bola quanto na criação de jogadas para espaçar a marcação adversária. Compactação também é uma palavra muito usada pelo treinador: a primeira e a última linha têm de estar próximas para "encurtar" o campo e ter mais atletas perto da bola. Ele também trabalha suas equipes para terem a bola pela maior parte do tempo e fazerem pressão para recuperá-la rapidamente após a perda de posse.

Uma questão muito debatida no Palmeiras ultimamente é o tipo de marcação, já que Cuca gostava de perseguições individuais. O novo treinador prefere a marcação por zona, com perseguições curtas, para que o time esteja o mais organizado possível na hora de retomar a posse de bola, facilitando o início das jogadas ofensivas.

Ler a assistir futebol

Roger Machado costuma aproveitar os períodos de concentração para assistir a dois ou três jogos de futebol de diferentes países. Gosta de acelerar a imagem e parar em momentos que considere importantes para fazer anotações. Diz que já tirou muitas ideias para treinamentos de lances que viu e memorizou.

Além disso, é um leitor voraz de obras sobre futebol. Lamenta a escassez de livros brasileiros sobre tática e se vira com traduções da literatura estrangeira. Vêm daí diversos termos de seu vocabulário, que pejorativamente pode ser definido como "tatiquês". Mas ele não vê problema e diz que, se o jogador não entender, basta explicar de novo usando palavras mais simples.

Assim como Alberto Valentim, que comandará o Palmeiras por mais dois jogos de forma interina, Roger costuma dizer que a escola italiana é uma referência defensiva, enquanto a capacidade de improviso do jogador brasileiro deve nortear o "momento ofensivo". Por isso, gosta de ver também as grandes equipes do país nas décadas de 70 e 80.

Os pontos altos da carreira

Roger teve ótimo momento no Grêmio, clube que conduziu ao terceiro lugar do Brasileirão em 2015 - ele assumiu em maio daquele ano, na vaga de Luiz Felipe Scolari. Aquela campanha teve dois jogos bem emblemáticos: a histórica goleada por 5 a 0 sobre o Internacional, na Arena do Grêmio, e a vitória por 2 a 0 sobre o Atlético-MG, no Mineirão, com dois lindos gols gerados em contra-ataques.

"Conseguimos ter a bola sem que o jogador ficasse com ela individualmente, mas coletivamente. O (primeiro) gol saiu de pé em pé, do corredor do lado direito para o do lado esquerdo", definiu, após aquela partida em Belo Horizonte.

Roger demitiu-se do Grêmio em setembro de 2016, com o time na oitava colocação do Brasileirão. Antes disso, havia sido presa fácil para o Rosario Central (ARG) nas oitavas de final da Libertadores, com derrotas por 1 a 0 em Porto Alegre e 3 a 0 na Argentina. Sua equipe era muito criticada pelos gols sofridos em bolas paradas pelo alto. Renato Portaluppi assumiu e foi campeão da Copa do Brasil no fim do ano em cima do Atlético-MG.

Curiosamente, o próprio Galo acertou com Roger após ser derrotado pelo Grêmio no jogo de ida da decisão da Copa do Brasil. O técnico, no entanto, só iniciou o trabalho em 2017. E aí veio seu único título na função até aqui: o Campeonato Mineiro em cima do Cruzeiro.

Foi demitido em julho, com aproveitamento superior a 60%, mas com início ruim no Brasileirão (deixou a equipe em 11º) e derrota no jogo de ida para o Jorge Wilstermann nas oitavas de final da Libertadores. Com Rogério Micale, o time empatou no jogo de volta e foi eliminado.

Nos últimos meses, Roger chegou a ser procurado por grandes clubes do futebol brasileiro, mas avisou a eles que não aceitaria iniciar um trabalho em meio de temporada.

Currículo

O novo técnico do Palmeiras faz o perfil estudioso. Assim que encerrou a carreira como atleta, em 2009, ingressou na faculdade de educação física já com a ideia de trabalhar à beira do campo. A partir de 2011, e já com um curso de gestão esportiva no currículo, tornou-se auxiliar da comissão permanente do Grêmio, sendo chamado para dirigir a equipe interinamente algumas vezes.

Em janeiro de 2014, decidiu que era hora de voar sozinho e aceitou o convite para dirigir o Juventude. Saiu no meio da temporada e aproveitou para buscar conhecimento fora do país, acompanhando especificamente a rotina do Chievo (ITA) na companhia do auxiliar Roberto Ribas. Em 2015, antes de assumir o Grêmio, ainda comandou o Novo Hamburgo no Campeonato Gaúcho.

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