Base europeia, amigo de Hulk e tático: reforço do Santos se apresenta

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O Santos já tem o substituto de Zeca para 2018. Como já é de conhecimento geral, o lateral esquerdo Romário, de 25 anos, que atuou pelo Ceará nesta temporada é o primeiro reforço para o próximo ano. O que é pouco conhecida é a história do atleta nascido em Diadema, mas que construiu sua carreira fora de São Paulo, mais precisamente em Salvador, Goiânia, Fortaleza e Europa.

Quando completou 18 anos, enquanto atuava no Audax, Romarinho - que tem o nome em homenagem ao atacante tetracampeão mundial pela Seleção Brasileira, por decisão do pai, fã do baixinho - vislumbrava um time de Série A, talvez de São Paulo ou de outro eixo. Porém, foi avisado pelo então dirigente do clube Thiago Scuro que sua viagem seria mais longa.

"Eu disputei um campeonato pelo Audax com 16 anos e lá tinha um olheiro do Porto, de Portugal, que eu só fiquei sabendo depois. Faltando dois dias para eu fazer 18 anos, o Thiago Scuro (gerente de futebol) me disse que eu iria para o Porto. Nem deu tempo de comemorar", conta Romário, em entrevista ao LANCE!.

Em Portugal, descobriu outra cultura e fez novas amizades, entre elas, o atacante Hulk, que hoje atua no Shanghai SIPG, da China. Já consagrado, o ex-jogador da Seleção Brasileira serviu como uma espécie de irmão mais velho para o jovem lateral que tentava a sorte no tão sonhado futebol europeu.

A admiração por outros companheiros de elenco, como os craques colombianos Jamez Rodríguez e Falcão Garcia ficou só em alguns treinamentos ou em jogos assistidos de perto, já que Romário passou a maior parte do tempo nas categorias de base disputando competições sub-19. Mas a amizade com Hulk prevaleceu.

"Tive contato maior com o Hulk. Por estar sozinho, ele dava atenção, levava eu e outros brasileiros para almoçar na casa dele. Tinha uma relação bacana que me ajudou muito. É um cara que vai ficar marcado, com certeza", disse.

Mas não é só o glamour europeu que marca a passagem do diademense pelo Velho Continente. Como em qualquer lugar longe de casa, os perrengues em Portugal também acontece. Com Romário, a lembrança é cômica e nada trágica.

"Lembro que precisava de fita adesiva e fui até um bazar comprar. Saí na rua e pedi durex. O cara (atendente) ficou bravo comigo. Discuti com ele e ele me mandou para a farmácia. Perguntei no clube o que era durex, descobri que era camisinha. Passei essa vergonha. Fora outras palavras como banheiro, que se fala casa de banho. O idioma é parecido, mas tem algumas pegadinhas", lembra.

A jornada por clubes de diferentes localidades do Brasil e a passagem de um ano pela Europa fizeram com que Romarinho tivesse que se adaptar também a diferentes estilos de jogos com técnicos das convicções mais diversas.

Disso, o lateral que começou a carreira como meia tirou alguns aprendizados, mas foi além. Pegou gosto por discutir tática e de estudar. Basta alguns minutos de conversa para ver que o jeito típico de um jogador brasileiro conversar dá lugar a análises mais profundas sobre o jogo.

O jogo em questão, como não poderia ser diferente, é o seu próprio estilo, dito por muitos como defensivo. Mas calma! Romário explica.

"Até pela minha formação, no Audax e no Porto, gostavam muito que o lateral marcasse. Cresci com essas características. Joguei muito no 4-3-3. Então, o lateral não tinha que passar muito, mais por dentro. Lateral precisa marcar e depois atacar. Mas isso varia de formação tática. No Ceará eu peguei um treinador que gostava de um lateral mais ofensivo. Aprimorei mais meu lado ofensivo. Estava sempre na linha de fundo e cruzando. Consigo me adaptar bem, tenho a cabeça aberta", disse.

"Gosto de ver futebol. Não fico só em frente a TV. Analiso, gosto de observar. Busco sempre aprender, de buscar coisas boas que outras equipes fazem. Se sentar para conversar, gosto de falar de variações táticas, de falar com treinador, gosto de perguntar. Para evoluir, precisa observar e querer melhorar", acrescenta o lateral com nome de craque.

Diante dessas experiências. Será que Romário está pronto para substituir o campeão olímpico Zeca? Não é bem assim que ele está pensando. Com nome de craque e postura contida, ele faz o time trabalhador que aparece pouco.

"Chego ao Santos muito motivado. Independente de ter a chance de ser titular, o jogador vai com o pensamento de dar o melhor. Fiquei feliz de poder jogar no Santos. Se vou ser titular, vai depender de mim. O que me deixa feliz também é que vou ficar perto de casa. Sempre fiquei longe. Vou poder acompanhar o crescimento da minha irmã. Espero ser muito feliz no Santos", disse.

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